14 de janeiro de 2012

BNDES vai concentrar recursos de R$ 23 bilhões em infraestrutura

Governo quer acelerar obras como forma de sustentar a taxa de investimentos na economia em meio à instabilidade internacional.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai aprofundar este ano a concentração de seus recursos no financiamento de grandes obras de infraestrutura, que o governo quer acelerar como forma de sustentar a taxa de investimentos na economia em meio à instabilidade internacional.

Em entrevista ao Grupo Estado, o diretor de Infraestrutura e Insumos Básicos do BNDES, Roberto Zurli, disse que o banco se prepara para despejar R$ 23 bilhões em energia, logística e transportes em 2012, quase 28% a mais do que o emprestado em 2011. No ano passado, o crédito do BNDES para grandes projetos de infraestrutura somou pouco mais de R$ 18 bilhões, o que já representou uma alta de 15% em relação a 2010.

O desempenho fez o setor tomar a liderança da indústria no desembolso total do banco em 2011, ainda não divulgado, de cerca de R$ 140 bilhões. Apesar da retração de 17% do crédito total do BNDES em relação aos R$ 168 bilhões de 2010, a atuação do banco na infraestrutura segue crescendo. "A infraestrutura tem uma demanda crescente e é um motor importante no crescimento do País. Há uma demanda firme de longo prazo", afirmou o diretor do BNDES.

Além de contar com o financiamento do BNDES, o governo tem como estimular os investimentos com o calendário de leilões de concessão. Segundo Zurli, o setor de energia elétrica seguirá liderando os desembolsos do BNDES para infraestrutura este ano. Em 2011, eles consumiram 76% das liberações para a área com o início do desembolso de grandes financiamentos, como os das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, e o da planta nuclear de Angra 3, no Rio.

O banco também concedeu um empréstimo-ponte para a construção da usina de Belo Monte, no Pará, cujo financiamento o diretor espera ser aprovado até março. Até lá, diz Zurli, uma nova operação intermediária poderá ser aprovada pelo BNDES.

"Há essa possibilidade de um ponte adicional para não prejudicar o ritmo das obras, que estão em ritmo acelerado. Tempo é dinheiro para esses projetos", justificou o executivo, lembrando que o modelo de concessão tem vantagens financeiras que estimulam a antecipação do início de operação. Segundo Zurli, o BNDES avaliou bem a superação das pendências do licenciamento ambiental e a reestruturação acionária do consórcio vencedor do leilão de Belo Monte com a entrada de empresas de maior porte e consumidores de energia, como a Vale.

Agora, diz, só faltam serem superados arremates burocráticos para a aprovação do financiamento, que será o maior já concedido pelo banco. "Não há dúvidas quanto ao projeto em si, tecnicamente falando", disse o diretor. O BNDES, que poderá financiar até 80% da obra, cujo orçamento é superior a R$ 20 bilhões. Até agora, a maior operação já aprovada pelo BNDES foi o crédito de Jirau, de R$ 7,2 bilhões. Os desembolsos são feitos no decorrer da obra.

Transportes

Apesar do foco em energia, o BNDES espera aumentar este ano o crédito em outras áreas, como as de portos, ferrovias e rodovias. Zurli diz que o banco "deve apoiar significativamente" os investimentos que serão feitos nos aeroportos privatizados.

O BNDES já conversa informalmente com os grupos que se articulam para disputar as concessões de Guarulhos, Brasília e Viracopos no leilão de fevereiro. No radar do banco também está o Trem de Alta Velocidade (TAV) ligando Campinas, São Paulo e Rio, no qual mais uma vez figura como principal financiador caso o governo consiga concretizar o leilão este ano.

Segundo Zurli, o banco tem recursos para seguir como principal financiador de longo prazo na área de infraestrutura, cuja superação de gargalos pode estimular investimentos privados em setores como o industrial. Ele diz que o protagonismo da área de infraestrutura no desembolso total do banco não está garantido este ano, a depender de como será a demanda na área industrial com a perspectiva de alta dos investimentos em setores como o de petróleo e gás.

Somando o crédito para grandes projetos às operações indiretas de menor porte, como as de aquisição de máquinas, equipamentos e veículos, a infraestrutura respondeu por 41% de todas as liberações do BNDES até outubro, enquanto a indústria ficou com 31%.

Comércio, serviços e agropecuária ficaram com os outros 28%. Em 2010, sob impacto do aporte do BNDES na capitalização da Petrobrás, a indústria ficou com 47% dos recursos do banco. O BNDES ainda financia investimentos em infraestrutura urbana, como saneamento e mobilidade, que estão na área de Inclusão Social. Também ficam nessa área os financiamentos para estádios e hotéis para a Copa de 2014, que já têm mais de R$ 3 bilhões contratados.

13 de janeiro de 2012

BlackRock se prepara para levar renda fixa brasileira ao exterior

Maior gestora de ativos do mundo quer ser a principal administradora de ETFs brasileiros de renda fixa para estrangeiros, diz Luis Felipe Andrade, presidente da empresa no Brasil.

Maior gestora de ativos do mundo, com US$ 3,3 trilhões sob gestão, a BlackRock está se preparando para explorar um mercado que está para nascer no Brasil: os fundos de índices (ETFs) de renda fixa. Com R$ 40 bilhões de ativos sob gestão em renda variável, a companhia agora pretende levar o mercado brasileiro de renda fixa para investidores estrangeiros, afirma Luis Felipe Andrade, presidente da companhia no Brasil.

“Diferente do que acontece em outros países latinos, nosso negócio no mercado brasileiro, até o momento, tem sido voltado para os investidores locais. Mas há um espaço grande para começarmos a oferecer lá fora os produtos de renda fixa brasileiros,” afirma o executivo, que assumiu a presidência da BlackRock no Brasil em setembro de 2010.

A estratégia da companhia faz todo sentido no momento atual, em que a instabilidade do mercado de renda variável, diante de tantas incertezas econômicas, vem elevando o apetite por produtos de investimento de renda fixa, que acompanham juros e inflação, por exemplo. Além disso, os títulos brasileiros têm taxas muito atrativas para os estrangeiros, já que o juro brasileiro é um dos mais altos do mundo.

Um dos objetivos da companhia para o Brasil, que atualmente é um dos países mais importantes na estratégia global da empresa, segundo Andrade, é ser reconhecida pela negociação dos ETFs brasileiros de renda fixa no exterior. Esse tipo de produto de investimento ainda não está em negociação no Brasil, mas a indústria financeira já solicitou a permissão para operar e o assunto está na agenda da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo a autarquia, “há um processo em análise na Superintendência de Desenvolvimento de Mercado, mas ainda não é possível precisar quando o tema será submetido à audiência pública.”

Andrade acredita que a CVM deve tratar disso ainda neste ano e afirma que a oferta de ETFs brasileiros de renda fixa no exterior vai ser importante para adicionar valor para a companhia globalmente. Hoje, a BlackRock tem 74 escritórios, em 26 países do mundo. No Brasil sua atuação está concentrada basicamente na gestão de ETFs de renda variável, que replicam índices de ações. Neste segmento, a empresa faz a gestão de mais US$ 40 bilhões. Em produtos de renda fixa, entretanto, a empresa gere apenas R$ 2 bilhões.

Esses números são resultado da estratégia que vinha sendo adotada pela empresa nos últimos três anos. Desde que chegou ao Brasil, em 2009, a BlackRock vem direcionando seus esforços da principalmente à gestão dos ETFs de renda variável. O principal produto da companhia é o BOVA11, fundo que investe em uma carteira igual à do Ibovespa, índice que reúne as 70 ações mais líquidas da bolsa de valores brasileira.

Apesar da menina dos olhos da BlackRock no Brasil, a partir de agora, ser a renda fixa, a empresa continuará a buscar a liderança no segmento de renda variável. Hoje, a gestora ocupa a segunda posição quando considerados os volumes de recursos. O fundo de índice PIBB, sigla que quer dizer Papéis Índice Brasil Bovespa, é líder brasileiro, com cerca de metade do mercado, apesar de ser pouco negociado. Administrado pelo Itau Unibanco, o PIBB foi lançado em 2004, logo que a CVM regulamentou as negociações com ETFs no Brasil. “Mas quando olhamos para a liquidez do mercado, somos os líderes, com 90% dos negócios diários,” diz Andrade, referindo-se ao movimento com o BOVA11.

Para ganhar mais espaço com renda variável, no entanto, a empresa tem pouca flexibilidade. Neste ano, a companhia lançará dois novos ETFs: um para replicar o UTIL, índice que reúne empresas de utilidade pública, que deve começar a negociar ainda neste semestre, segundo Andrade, e uma para replicar o ICO2, índice de carbono. Além destes dois novos produtos, não há outras opções disponíveis, afirma o presidente da BlackRock. “A bolsa de valores brasileira não tem nenhum outro índice para fazermos concorrências.” Segundo o executivo, como o número de empresas listadas na BM&FBovespa é pequeno (373), há poucos índices de ações e, portanto, poucas maneiras de replicá-los.

Assim, restará à empresa crescer com os índices que já possui. No caso do BOVA11, que é o principal produto da BlackRock, a estratégia é atrair investidores pessoa jurídica. “Só agora o segmento institucional entendeu como os ETFs funcionam e estão começando a ter o produto de uma maneira mais significativa,” diz Andrade, que também é presidente da comissão de ETFs da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais. Depois de já ter atraído investidores pessoa física, agora o caminho traçado pela companhia é ir atrás dos recursos de fundações.

Se conseguirem conquistar os investidores institucionais – “e se o desempenho da bolsa de valores melhorar” – Andrade acredita que o BOVA11 poderá terminar 2012 com uma média diária de negociação de R$ 100 milhões, 42% acima dos atuais R$ 70 milhões. “Fizemos um trabalho de divulgação com as instituições no ano passado, que deve começar a dar resultado. Além disso, estou otimista com a bolsa e, pelo patrimônio que o produto já tem hoje, acho que pode chegar a volumes muito grandes e estar entre os de papéis mais líquidos da bolsa brasileira,” diz Andrade.

Se o mercado de ações vai ajudar, a aposta da BlackRock é que sim. “É cedo para falar, mas eu acho que neste ano a bolsa será positiva. Ainda vamos conviver com a volatilidade, mas a bolsa brasileira esta barata,” afirma. A grande novidade de 2012, diz o executivo, “é não ter nenhuma novidade”. “Os preços já incorporaram muitas notícias ruins,” diz.

12 de janeiro de 2012

Veja as dicas dos especialistas para chegar a R$ 1 milhão na conta bancária

Quem juntar R$ 300 ao mês, com rentabilidade líquida de 1%, levará 30 anos para se tornar milionário; infográfico mostra alternativas.

A prosperidade da economia brasileira – recentemente elevada à condição de sexta maior do mundo – vai produzir milionários a um ritmo acelerado nos próximos anos. Pela estimativa do banco Credit Suisse, na pesquisa Global Wealth Report, o número de cidadãos com mais de R$ 1 milhão de patrimônio vai saltar de 319 mil para 815 mil no país em 2016. Ou seja: a cada dia, 271 pessoas vão atingir o sonho de juntar pelo menos R$ 1 milhão.

Para entrar nessa estatística sem depender da sorte ou de laços familiares, é preciso arregaçar as mangas para trabalhar, ter muita disciplina para conter os gastos e cultivar a paciência para obter resultados no longo prazo. “Ficar milionário é uma maratona, e não uma corrida de 100 metros”, diz Guilherme Benchimol, presidente da XP Investimentos. “É preciso aprender a fazer sacrifícios.”

Quem não tem tanto dinheiro para começar não precisa desanimar. Uma conta feita pelo administrador de empresas e consultor de finanças pessoais Mauro Calil, que já juntou mais de R$ 1 milhão no banco, mostra que uma pessoa poderá juntar R$ 1 milhão em 30 anos se poupar R$ 300 por mês (ou R$ 10 por dia) e tratar de obter rentabilidade mensal líquida (descontados os impostos, taxas e a inflação) de no mínimo 1%. Veja abaixo outras alternativas e dicas de poupança:


Na tabela acima, a professora Ângela Menezes, do Insper, calculou os valores com base na taxa efetiva, que mostra a rentabilidade final de um investimento, já excluindo os valores do imposto de renda das aplicações.

Antes de qualquer coisa é preciso seguir uma regra óbvia, mas que muita gente ignora, seja por desorganização, desconhecimento ou necessidade: não se pode gastar mais do que se ganha. A enorme quantidade de gente que se endivida a ponto de não conseguir honrar os compromissos prova o quanto esse mandamento das finanças pessoais é desrespeitado. “O crédito é uma ferramenta importante, mas as pessoas que tomam dinheiro emprestado precisam saber qual é o custo do dinheiro e qual deve ser o limite delas”, diz o professor de Educação Financeira da BM&F Bovespa José Alberto Netto Filho.

Feita a primeira lição de casa, é hora de arrumar espaço no orçamento para começar a poupar. Quanto mais sobrar todos os meses, mais perto fica o sonho do milhão. “Mais importante do que saber as técnicas de investimento é adotar um novo comportamento em relação ao consumo”, diz Eliane Habib, sócia da Practa Treinamento e Educação Financeira. “Começar a guardar dinheiro e renunciar a certos bens de consumo é tão difícil quanto parar de fumar”, afirma.

O segredo é pensar longe, lá no futuro, e não se deixar de levar pelo impulso consumista. “Antes de comprar qualquer coisa, dê um tempo. A febre do consumo vai passar, com certeza”, diz Eliane. “Pense que você está abrindo mão daquilo para manter seu padrão de vida na velhice.”

Outra dica unânime entre os especialistas em finanças pessoais é separar um percentual mensal da renda e encará-lo como uma se fosse uma conta a pagar como qualquer outra – o aluguel, o condomínio, a escola das crianças e... o investimento. Dessa forma, o dinheiro a ser poupado já começa o mês “amarrado” e a tentação de torrá-lo diminui.

Quando começar a aparecer alguma sobra, é hora de aprender a investir. A boa e velha caderneta de poupança é a opção inicial mais procurada, por sua simplicidade e segurança. Mas é possível, mesmo com pouco capital sobrando, investir em fundos de investimento de renda fixa com rendimento superior ao da poupança – que, na verdade, apenas protege o valor do dinheiro, mas não o faz crescer de verdade.

A dica é jamais confiar no gerente do banco (que vai tentar te empurrar os produtos que são mais interessantes para a instituição, mas não necessariamente para você) e buscar fontes de informação independentes como consultores especializados, empresas de investimento independentes, reportagens e colunas na imprensa, fóruns de discussão na internet, entre outras. Outras opções interessantes para investimentos mais conservadores são o Tesouro Direto – uma forma de comprar títulos do governo sem a intervenção dos bancos – e os planos de previdência privada – que têm como principal atrativo a possibilidade de receber até 12% do que seria pago de imposto de renda pelo contribuinte.

Quem tiver mais facilidade para lidar com risco pode começar a se arriscar na bolsa de valores, comprando ações diretamente ou via fundos de renda variável. Mas é preciso estar muito bem informado sobre as condições de investimento para não se decepcionar. É muito comum comprar uma ação em um dia e, logo no seguinte, o papel sofrer uma baixa. Isso costuma desanimar os investidores menos experientes. “No longo prazo, porém, as ações são um investimento muito seguro”, diz Benchimol.

Outra modalidade que vem ganhando adeptos rapidamente no Brasil são os fundos imobiliários. Eles reúnem grandes quantidades de imóveis e negociam cotas para os investidores. A remuneração vem dos aluguéis e de outras receitas eventuais obtidas nos imóveis. Como a tendência das taxas de juros é cair nos próximos anos, os fundos desse tipo acabaram ganhando popularidade. Mas, em geral, o investimento inicial costuma ser alto – na casa das dezenas de milhares de reais.

Seja qual for o investimento escolhido, vale uma outra observação dos especialistas: jamais acredite em propostas de investimento que tragam remuneração muito acima do mercado. É grande a chance de ser um golpe.  (Colaborou Olívia Alonso, iG São Paulo).

11 de janeiro de 2012

Apple pagou quase R$ 700 milhões a novo CEO em 2011

Ganhos de Tim Cook tiveram compensações graças a um lote de ações restritas da empresa.

A Apple informou que pagou uma compensação no valor de quase US$ 378 milhões (aproximadamente R$ 700 milhões)  no ano passado a seu novo CEO, Tim Cook. Trata-se de um forte contraste em comparação com o salário de US$ 1 recebido pelo ex-CEO da empresa, Steve Jobs. A notícia vem a público pouco antes da primeira reunião anual de acionistas desde a morte de Jobs em outubro.

A compensação de Cook se deve em grande parte a um lote de ações restritas. Como salário, Cook recebeu quase US$ 900 mil em 2011. Ainda que tradicionalmente Jobs recebesse um salário diminuto, ele possuía uma quantidade significativa de ações da Apple.

A empresa do setor de tecnologia informou que Cook, que assumiu como CEO quando Jobs se afastou para receber tratamento médico em agosto de 2010, e Robert Iger, CEO da Walt Disney, devem ser eleitos pelo comitê da empresa, junto com seis outros diretores, no encontro anual marcado para o próximo mês.

Os diretores da Apple têm mandatos de um ano. Cook, de 51 anos, recebeu a maior parte da compensação de 1 milhão de ações restritas oferecidas em agosto, quando ele foi nomeado CEO. Ele, porém, só passará a ter o controle sobre metade dessas ações em 2016, e da outra metade em 2021. Em novembro, o salário anual de Cook foi aumentado de US$ 900 mil para US$ 1,4 milhão, segundo a Apple. As informações são da Dow Jones.

10 de janeiro de 2012

Viagem em 3D aos poços de petróleo

Nova sala da OGX, empresa de petróleo de Eike Batista, permite transformar dados sobre reservas em imagens em terceira dimensão. Veja galeria de fotos.


Edmundo Marques, da OGX, mostra imagens do subsolo em 3D

À primeira vista, parece um cinema particular. Mas só à primeira vista. Na verdade, a nova sala montada pela OGX, empresa de petróleo do grupo EBX, do empresário Eike Batista, permite uma visualização de rochas no subsolo da Terra em 3D e ajuda a empresa a tomar decisões na hora de perfurar um poço de petróleo.

O local tem capacidade para 70 pessoas e uma tela com 5.760 pixels por 1.706 – quase 10 milhões de pixels em cerca de 9 por 3 metros. Mas, apesar da aparência impressionar, o verdadeiro trunfo está nas informações que permitem a elaboração de imagens em terceira dimensão do subsolo nas quais se vê forma e densidade das rochas.

É um banco de quase sete terabytes de dados obtidos principalmente por meio de testes sísmicos. É uma técnica similar ao ultrassom: um barco carrega fios de cerca de 6 quilômetros de extensão, como se fosse uma cauda, que emite ondas sonoras para o subsolo. As rochas refletem essas ondas, que são lidas e transformadas em gráficos, dependendo da intensidade com que retornam à superfície. As coletas de dados são feitas com distância de 25 metros entre uma e outra, e a sequência delas é que forma a imagem em 3D. Para compor o banco de dados de teste sísmico, a OGX investiu mais de US$ 100 milhões. Para processar todos esses dados, o computador que controla a sala tem uma memória RAM de 96 gigabytes.


Na sala 3D é possível olhar para as rochas como se estivesse embaixo delas

Com a imagem elaborada, a empresa reúne na sala 3D profissionais de diversas áreas – geólogos, engenheiros, gestores – para tomar decisões. “A vantagem é que podemos interpretar os dados com base na experiência de todos os profissionais”, afirma Edmundo Marques, gerente executivo de Interpretação da OGX. Entre as avaliações que são feitas com base nas imagens, está uma das mais importantes: se um poço tem ou não petróleo. As informações também podem ser usadas para orientar a perfuração de um poço que já foi avaliado como viável e para a empresa decidir se tem ou não interesse em adquirir a concessão para a exploração da área.

Batizada de Jutta Batista, em homenagem à mãe de Eike, a sala custou cerca de R$ 2,4 milhões. O valor parece alto, mas pode ser considerado baixo se comparado com a economia que pode gerar ao permitir a redução de erros na indústria do petróleo. “A perfuração de um poço barato sai por US$ 25 milhões. Imagine o prejuízo de se encontrar um poço seco”, afirma Marques. O poço seco é aquele que não tem petróleo nenhum ou em uma quantidade pequena, que não é comercialmente viável. Em qualquer uma das situações, ele acaba sendo abandonado e a empresa amarga o prejuízo da exploração.

A estrutura da sala inclui ainda seis projetores com lâmpadas especiais, que custam cerca de R$ 50 mil cada. Luzes infravermelhas garantem o alinhamento das imagens de cada projetor para que não haja sobreposições na tela. E a própria tela uniformiza a luz que sai dos projetores, para que a imagem tenha uma aparência homogênea para quem estiver assistindo.

Também estão sendo instalados equipamentos que permitem a realização de videoconferência na sala.

Para extrair todo o potencial da sala, Marcos do Amaral, gerente geral de Tecnologias Aplicadas da OGX, afirma que são necessários três fatores: hardware, software, e “humanware”. “Investimos em máquinas de ponta e programas de qualidade para interpretar os dados, mas a equipe é essencial para o trabalho”, afirma.

9 de janeiro de 2012

Obama pede que empresas dos EUA tragam empregos para casa

Casa Branca realiza na quarta-feira fórum sobre "Internalização dos Empregos Americanos". Alvo é transferência de fábricas para China e Índia.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu início a um esforço para encorajar as empresas de seu país a manter os empregos em casa ao invés de criá-los no exterior, apresentando um tema de ano eleitoral com o objetivo de agradar a classe média.

Em seu discurso semanal em rádio e vídeo, Obama fez uma prévia do evento que ele realizará na semana que vem com executivos para destacar as vantagens de investir nos EUA.

"Nós ouviremos líderes empresariais que estão trazendo empregos de volta para casa e veremos como nós podemos ajudar outras empresas a seguir esse exemplo", afirmou Obama.

O fórum da Casa Branca sobre "Internalização dos Empregos Americanos" será realizado na quarta-feira. Executivos de mais de uma dúzia de empresas participarão do evento, inclusive a fabricante de cadeados Master Lock, a companhia de móveis Lincolnton Furniture, a desenvolvedora de software GalaxE Solutions e a companhia química DuPont.

A ênfase em manter os empregos nos EUA está em linha com a mensagem econômica populista cunhada por Obama, que pode se dar bem com os sindicalistas, de cujo apoio o presidente democrata precisará para vencer a reeleição em novembro.

A Casa Branca vê uma tendência cada vez maior de empresas decidindo "internalizar" empregos e investir em fábricas nos EUA, de acordo com uma autoridade do governo, e quer encorajar mais empresas a seguir essa tendência.

A prática de empresas norte-americanas transferirem empregos para outros países, como Índia e China, onde a mão de obra é mais barata, é fonte de preocupação para os trabalhadores dos EUA.

O assunto tem forte apelo para Estados industriais do Meio-Oeste, como Ohio e Michigan, que foram golpeados com força não só pela crise econômica de 2007 a 2009, mas também pelos anos de contração do emprego no setor manufatureiro. Muitos destes Estados são campos de batalha vitais para as esperanças de reeleição de Obama.

A Casa Branca foi motivada pelos dados de geração de postos de trabalho em dezembro, divulgado na sexta-feira, que mostrou uma queda na taxa de desemprego para 8,5 por cento - o menor nível em quase três anos.

"Estamos caminhando na direção certa. E não vamos desistir", disse Obama.

8 de janeiro de 2012

Sete metas financeiras para 2012

Depois de ter pulado as sete ondas e colocado sete sementes de romã na carteira, é hora de agir. Inspire-se em sugestões de especialistas e tenha uma vida financeira mais saudável.

Voltar para a academia, parar de fumar, estudar mais, dedicar mais tempo à família estão entre as clássicas metas para o ano novo. Mas especialistas em economia sugerem que os brasileiros incluam em sua lista pelo menos uma meta relacionada às suas finanças pessoais. Para quem precisa de inspiração, eles sugerem sete práticas para serem adotadas em 2012.

Algumas delas são mais simples, como por exemplo “busque informações sobre finanças pessoais”, outras, mais difíceis, como “comece a poupar”. De qualquer forma, serão necessários alguns esforços para uma vida financeira saudável em 2012. “Não vai bastar ter pulado as sete ondas desejando ficar rico, ou ter colocado sementes de romã na carteira,” diz o consultor financeiro Mauro Calil.

Confira abaixo as 7 práticas sugeridas pelo economista norte-americano Dan Ariely, especialista em economia comportamental do Massachusetts Institute of Technology (MIT), José Nicolau Pompeo, professor de Finanças da PUC-SP, Fábio Moraes, diretor de educação financeira da Federação Brasileira de Banco (Febraban) e Calil.

1) Poupar

Poupar é a principal prática a ser adotada pelos brasileiros em 2012, na opinião de Dan Ariely, autor do best-seller “Predictably Irrational” (“Previsivelmente Irracional”). Entre tantos assuntos que envolvem o universo financeiro, como onde investir seu dinheiro e como aumentar suas receitas, “a maior contribuição que uma pessoa pode fazer para si mesma é começar a poupar,” afirma Ariely.

Para começar a poupar, é preciso também começar a gastar menos e, segundo ele, o começo do ano é sempre um bom momento para examinar as despesas. “Na realidade, o que você vai guardar é aquilo que você não vai gastar,” diz.

Particularmente no Brasil, onde o acesso ao crédito tem crescido muito para os consumidores, ele considera que o início deste ano deve ser visto como um momento oportuno para que as pessoas avaliem o quanto está sobrando de dinheiro após seus gastos. “Então a minha sugestão de ano novo para os brasileiros é que examine seus gastos com cuidado e vejam quais são as coisas com que estão gastando, mas que não contribuem de fato, para sua felicidade ou para sua satisfação de vida. Então é preciso cortá-las,” afirma.

Caso considere que não tem nenhuma despesa supérflua para eliminar, ele sugere que sejam cortados dois ou três gastos classificados como necessários. “Muitas vezes achamos que deixar de ter TV a cabo ou mudar o plano do celular para um mais limitado terão um grande impacto em nossas vidas, mas pode ser que essas mudanças sejam muito menos significativas do que pensávamos,” diz.

2) Ser um consumidor mais esperto

Aproveitar promoções pode gerar uma economia significativa para o bolso do consumidor, o que pode fazer muita diferença no orçamento mensal. Assim, ficar atento às promoções e ser um consumidor mais esperto é um ótimo hábito para adotar em 2012.

Antes de comprar um produto ou contratar um serviço, principalmente os mais caros, vale a pena gastar um tempo comparando os preços em lojas e fornecedores de interesse. Veja também se o que você procura está entre as ofertas dos sites de compras coletivas, mantendo sempre o foco para não acabar gastando com itens que não estavam nos planos.

Além disso, alguns cuidados diários podem ajudar o consumidor a ser mais esperto em suas compras ou, pelo menos, menos vulnerável. Pompeo sugere não levar crianças ao supermercado. “Os produtos mais caros e que chamam a atenção das crianças são dispostos, propositalmente, nas gôndolas mais baixas,” comenta. Também não é recomendável ir fazer compras com fome.

Nas lojas, não se deixe convencer por vendedores que fazem elogios ou oferecem bebidas enquanto você vê os produtos. “E jamais faça compras pela internet quando estiver com teor alcoólico alto,” acrescenta.

3) Não fazer dívidas

Não contrair dívidas é prática de ano novo sugerida pelo professor Jose Nicolau Pompeo, da PUC-SP. “Há casos de pessoas que ganham R$ 1.500 ao mês, mas gastam R$ 250 com a prestação de uma moto. É uma dívida muito grande quando comparada ao salário,” afirma, recomendando que os brasileiros sejam mais firmes diante das tentações de consumo em 2012.

“Somos estimulados a gastar e a tomar crédito o tempo todo. Mas é preciso resistir às tentações,” afirma. Uma forma prática de fazer isso é limitar o número de cartões de crédito. A sugestão dele é que ninguém tenha mais do que dois.

É preciso tomar cuidado também com o parcelamento das contas, diz. “Quando vamos ao supermercado, o caixa oferece para pagarmos em três vezes, sem juros. Então, da próxima vez que vamos às compras, tendemos a pensar: ‘posso gastar um pouco mais, já que vou pagar em três vezes. Mas isso é um perigo, pois é o começo do endividamento,” afirma.

Além disso, antes de se comprometer com uma nova prestação, Pompeo sugere que o consumidor faça a seguinte conta: “pegue o valor do salário líquido e subtraia as despesas fixas e supérfluas. Do valor restante, não assuma um financiamento cuja prestação seja superior 80%.” Ou seja, para quem tem uma renda líquida de R$ 2.500, por exemplo, e despesas de R$ 2.000, o valor a ser direcionado para parcelas de compras não deve superar R$ 400. Os 20% restantes devem ser poupados.

4) Não pagar apenas o mínimo do cartão de crédito

Uma das mais importantes práticas financeiras que os brasileiros precisam adotar, na visão dos especialistas, é não pagar o mínimo do cartão de crédito. Por mais difícil que seja organizar as contas, eles sugerem que os consumidores se esforcem muito para não precisar pagar apenas uma parte da fatura.

“Quando pagamos o mínimo, temos o saldo liberado para gastar novamente no mês seguinte, mas sobre o valor que não pagamos incidem juros altíssimos. É muito importante pagar a fatura do cartão de crédito em dia e integralmente,” diz o consultor financeiro Mauro Calil.

Quem tem uma conta de R$ 1.000 e paga apenas R$ 150, que são os 15% mínimos exigidos, terá, no mês seguinte, um saldo devedor de R$ 935, já que terá que pagar juros sobre o valor remanescente. Se continuar pagando o mínimo durante um ano inteiro, terá uma dívida de R$ 477,4 depois de já ter desembolsado R$ 1.277,50 (considerando que a pessoa não gastou mais nada além dos R$ 1.000 iniciais).

A sugestão de Fábio Moraes, da Febraban, é que o consumidor não use cartão de crédito – e também o cheque especial – como extensão de seu salário. Quem está endividado e, por isso, está recorrendo ao cartão de crédito para pagar as despesas pode tente renegociar suas dívidas com os intermediários financeiros. “Renegocie e também avalie a necessidade de trocar uma divida ruim, por uma melhor. Por exemplo, se estiver endividado no cartão de crédito, ou no cheque especial, de repente optar por uma linha de financiamento mais adequada, como o crédito consignado, pode ser uma boa opção, pois pagará menos juros”, diz Moraes.

Para facilitar o controle dos cartões, o consumidor deve cuidar para que a soma do limite de seus cartões – de preferência, apenas dois – não superam 50% da renda líquida, diz Mauro Calil. Se o salário é R$ 3 mil, por exemplo, os limites não devem ultrapassar R$ 1500.

5) Começar uma planilha de orçamento

Escrever os ganhos e gastos em uma planilha ou no papel é outra prática sugerida pelos especialistas para 2012. A periodicidade do acompanhamento não precisa ser diária ou semanal, mas sim mensal.

Uma das vantagens de adotar este hábito é evitar grandes surpresas. Além disso, o controle do orçamento ajuda a evitar o endividamento, diz Moraes.

A melhor maneira de começar pagar as contas e já colocá-las em um envelope. Para quem faz tudo pela internet, o ideal é incluir os valores em uma planilha assim que a conta for paga, ou anotar em uma agenda. No último dia do mês, é só lançar tudo na mesma planilha.

Além das contas, é preciso incluir o salário líquido e demais fontes de renda. Assim será fácil visualizar o dinheiro que sobra para gastos extras depois de pagas as contas principais.

6) Fazer uma reserva financeira

As reservas de dinheiro são para eventos inesperados e poupar para este objetivo é uma das mais importantes práticas financeiras a serem adotadas, dizem os especialistas. Se esta prática não for a escolha do leitor entre as sete sugestões para 2012, deve ser adotada o quanto antes. “Estamos todos sujeitos a acidentes ou a perda do emprego, o que pode levar, em alguns casos, 12 meses para que a vida volte ao normal. Por isso, é preciso ter o dinheiro para este período,” diz Calil.

A recomendação de Moraes, da Febraban, é que todos tenham uma poupança de emergência equivalente a pelo menos três meses de salário. O ideal, na verdade, são 12 meses. O dinheiro deve ser colocado em uma aplicação sem risco ou pouco arriscada, e que permita o saque a qualquer momento, como o caso da poupança.

Quem está começando do zero, pode demorar um pouco para conseguir completar sua reserva. Mas uma forma de começar a adotar o hábito é guardar 10% do salário, todos os meses, para este fim.

Para complementar, quem achar que consegue pode tentar também fazer reservas para pagamentos já esperados. Uma forma de fazer isso é guardar, todos os meses, um pouco de dinheiro para o pagamento do IPVA do carro no ano seguinte, diz Pompeo. “Hoje em dia, muitos brasileiros têm carros. Se o imposto é R$ 2000, ele pode poupar R$ 200 ao mês. Quando chegar janeiro do ano que vem, terá pelo menos R$ 2400 e não passará aperto,” diz.

7) Ler mais sobre finanças pessoais

A primeira aplicação financeira que devemos fazer é investir em educação financeira, diz Mauro Calil. Portanto, começar a buscar informações sobre o assunto é uma ótima prática para o ano novo.

Ainda que não existam muitos livros de finanças pessoais no Brasil, é possível aprender sobre o assunto e em cursos e palestras gratuitos. “O que não se pode fazer é reclamar da falta de dinheiro e achar que pular as sete ondas no réveillon vai deixá-lo rico,” diz Calil. Algumas boas fontes de informações financeiras são as rádios, os jornais e os sites na internet.