10 de julho de 2012

Cielo compra Merchant e-Solutions por US$ 670 milhões

Negócio está sujeito a determinadas condições precedentes e a aquisição será feita por meio de subsidiária no exterior.

A companhia de meios de pagamento Cielo anunciou no dia 02 de julho ter acertado compromisso para aquisição da norte-americana Merchant e-Solutions (MeS) por US$ 670 milhões, a serem pagos na data do fechamento da operação.

A empresa informou que o negócio está sujeito a "determinadas condições precedentes" e que a aquisição será feita por meio de subsidiária no exterior. A Cielo não deu detalhes sobre os termos ou cronograma para a compra da fornecedora global de soluções para pagamento.

Segundo a Cielo, a aquisição da MeS se dará pelo múltiplo de 11 vezes o valor de mercado da empresa sobre o Ebitda previsto para 2012.

A MeS, segundo fato relevante da Cielo, possui plataforma tecnológica desenvolvida especificamente para o negócio de adquirência. Com isso, a Cielo afirma que atingirá "um novo patamar tecnológico, reforçando a estratégia de oferecer soluções e serviços aos seus clientes e parceiros no Brasil".

A MeS, segundo a Cielo, processa atualmente mais de US$ 14 bilhões por ano em transações para mais de 70 mil varejistas afiliados, em parceria com mais de 250 instituições financeiras.

A companhia norte-americana fornece soluções para adquirência tradicional quanto para comércio eletrônico e pagamentos móveis.

Nos últimos doze meses, a partir de 31 de maio, a receita líquida da MeS somou US$ 124 milhões, crescimento de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior, com margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 45%.

A MeS é uma empresa de capital fechado e é majoritariamente controlada por funcionários e pela equipe de gestão da companhia, com presença de investimentos da Trident Capital e outros investidores.

A empresa foi fundada em 2000 por ex-executivos do Bank of America Merchant Services (BAMS). A MeS é presidida atualmente por Sharif Bayyari, ex-presidente-executivo da BAMS.

9 de julho de 2012

O Real atinge a maioridade e muda a vida das pessoas em apenas uma geração

Rubens e Renata têm apenas 18 anos de diferença entre si. Mas Rubens, de 18 anos, e Renata, de 36, têm pouco em comum. Ela sempre teve medo do futuro, ele acredita que tudo dará certo em sua vida, graças à estabilidade da moeda.
  Notas de cruzeiro são incineradas logo após a entrada em circulação do real, em 1994.

Rubens de Souza e Renata Santos têm apenas 18 anos de diferença entre si. Técnicamente, são da mesma geração. Mas Rubens, de 18 anos, e Renata, de 36, têm pouca coisa em comum. Ela sempre teve medo do futuro, ele acredita que tudo dará certo em sua vida. Renata, quando tinha a idade que Rubens tem hoje, nem ao menos conseguia fazer planos para dois, três anos adiante. Já Rubens prevê como estará vivendo quando tiver a idade de Renata hoje. Renata ainda tenta guardar todo dinheiro que sobra, com medo de que as coisas um dia voltarão a ser difíceis. Rubens diz que não gosta de dinheiro. 

Rubens e Renata vivem em São Paulo, são o que hoje se chama de Nova Classe C e seus pais têm passados semelhantes. O que os faz tão diferentes tem relação com as profundas mudanças econômicas e sociais que o país passou nas últimas duas décadas. Entre Rubens e Renata, há o Plano Real, que completa exatamente neste domingo 18 anos.
               Renata,. mostrando um álbum de fotos de 1994, quando ela tinha 18 anos.

Quando Renata tinha 18 anos, o futuro era incerto. Ela tinha acabado de entrar no curso de psicologia da Universidade de Santo Amaro, trabalhava em um dos laboratórios da faculdade e tinha muitos medos. Um deles era a crença de que o país iria piorar política e economicamente. “Eu achava que tudo ia ser pior, que eu precisava estudar e me preparar bastante porque ia ser mais difícil”, diz. “Naquela época, eu não tinha noção do que eu seria, a gente falava pouco sobre o futuro, eu não conseguia projetar a longo prazo”. O futuro além de incerto era completamente imprevisível. 

Em 1994, as pessoas pensavam na inflação do dia ou da semana, essa era a principal preocupação. Dezoito anos depois, os brasileiros enxergam mais longe, o cenário econômico mais estável que o Plano Real permitiu que jovens como Rubens passassem a pensar mais a longo prazo e a planejar mais suas vidas. “Eu queria ser arqueólogo, depois pensei em Ciências Sociais, mas também queria viver de arte, grafitar. Aí cheguei em geologia, mas se não der certo a geologia, daqui a cinco anos tento outro curso e se não der certo, tento outro”, diz, com a constumeira certeza de quem tem 18 anos. 

Fernando Henrique Cardoso: “O Plano Real se chamava Plano FHC”

Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais (CPS/FGV), explica que “era difícil se desprender do curto prazo”. “Hoje, conseguimos pensar em colocar as crianças na escola, melhorar a educação, fazer programas sociais, temos uma perspectiva de economia mais real”, diz. O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, conta que escreveu sobre o futuro do país em 1995, mas teve dificuldades para traçar um panorama. “Era incerto, ainda estávamos muito perto do precipício de onde caiu a Argentina”, diz. “Vivíamos um dia de cada vez”.

No Brasil que Renata viveu, os jovens não tinham tantas oportunidades para escolher um ensino superior, se as tinham. “Eu comecei a trabalhar com 13 anos, e só consegui entrar com 18 anos na faculdade porque ganhei bolsa”, conta. Desde o período, o ensino superior no país apresentou um salto, na última década, o número de universitários mais do que dobrou. Em 2001, cerca de 3 milhões estudantes se matricularam em cursos de graduação, em 2010 esse número alcançou 6,4 milhões, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep).

Se o futuro assustava, o presente não era tão diferente assim. As inseguranças de Renata eram muitas, ela tinha “medo de que a inflação tomasse conta e não desse para comprar o básico”. Renata não lidava com o próprio salário, todo o dinheiro que recebia entregava para a mãe que precisava se preocupar com a construção da casa, o nascimento da primeira neta e a alimentação de quatro pessoas. “Minha mãe tinha muito medo, ela falava que as coisas estavam difíceis, as pessoas estavam passando fome”. Foi por isso, que no terreno baldio do lado de sua casa, a mãe de Renata plantou mandioca, chuchu, cana de açúcar e milho. “Tinha semanas que a gente só comia isso”.

Para Gustavo Franco, “esses medos estiveram presentes durante todo o caminho, tivemos diversos momentos críticos, de vários tipos”. Renata se lembra muito bem desses momentos e diz que um dos motivos para seus temores era “a inflação que consumia todo o salário”. Em 1994, a diferença entre o valor real do salário mínimo e o valor nominal era muito grande, os R$346,46 na verdade valiam R$64,19. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre 1983 e 1994, houve uma corrosão do valor do salário mínimo devido à aceleração inflacionária e aos planos econômicos fracassados, mas a partir de 1995, a valorização foi retomada.

Passados 18 anos, não há mais diferença entre os valores e o mínimo vale R$622. Apesar disso, “a inflação ainda é algo que está na memória do sistema”, diz Neri. Segundo Gustavo Loyola, também ex-presidente do Banco Central, há uma tendência de se diminuir a influência da memória inflacionária no funcionamento da economia, mas “ainda não esquecemos totalmente da inflação”. Prova de que essa memória ainda existe é que até mesmo quem nasceu quando o Plano foi criado ainda sente influências do período.


Rubens, o jovem que mora no Taboão da Serra, trabalha na USP e faz cursinho pré-vestibular não viveu as incertezas do período e tudo o que sabe sobre a ocasião são as lembranças de sua mãe. “Ela diz que na época da inflação, guardou muita grana, depois converteu de cruzeiro para real e se sentiu muito pobre”, conta.
Rubens, que nasceu em 1994, acha que quando chegar aos 36 terá um bom emprego, um bom carro e viverá com a família em uma boa casa.

O fato de não ter vivido o período, e, além disso, viver tempos de claro otimismo econômico tornou Rubens um jovem muito mais seguro e cheio de opiniões. Ele ouve rap, lê o Le Diplomatique, não gosta de dinheiro e questiona: “economia fervorosa e aumento do poder aquisitivo da população, firmeza...mas de que população a gente tá falando?”. O menino que apanhava quando era pequeno e teve que conviver com traficantes, não fala muito sobre o passado, porém não teme ao fazer projeções do futuro. O Brasil daqui a 20 anos? “Vai ter mais movimentação econômica e mais cara para o mundo, mais competitividade em relação aos outros países”. E como ele próprio vai estar daqui a 20 anos? “Um geólogo trabalhando na área, com uma casa legal, um carro, um casamento, emprego bom e salário fixo”. Rubens faz planos e os conta com a segurança de quem sabe que se não se tornarem realidade, pelo menos, eles são possíveis.

A esperança de Rubens faz parte do otimismo de grande parte dos brasileiros em relação à realidade socioeconômica do país. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em maio desse ano, 66,8% da população acreditava que o Brasil passaria por melhores momentos nos próximos 12 meses. O valor é superior ao apurado em maio de 2011, 62,9%. Gustavo Franco, que teve dificuldades em 1995 para falar sobre o futuro, hoje não tem problemas ao dizer que acredita que em 20 anos o Brasil será “um país ainda mais jovem, mais internacionalizado, e com uma democracia de mercado mais madura”.

O Plano Real foi um passo fundamental para o crescimento econômico e apesar de não ter sido um programa de combate à pobreza, contribuiu para a melhora na distribuição de renda no país. A desigualdade social brasileira alcançou seu pico em 1990, quando o índice Gini (que varia de zero a um, sendo um o maior grau de desigualdade possível) chegou a 0,6091. Em 2010, o índice ficou em 0,5304, o menor nível desde 1960. Para Gustavo Loyola, “estamos no caminho, mas ainda temos carências graves”. Marcelo Neri explica que o programa econômico adotado em 94 foi uma condição necessária para várias mudanças, mas não foi uma condição suficiente.

Por isso, Neri é um otimista mais recatado. “A única certeza é que não há certezas. É como se diz, o Brasil não é para amadores. Sou positivo, mas é difícil de prever”, diz. O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, também acredita no crescimento do país, porém afirma que “teremos avanços na educação inferiores às necessidades, o país terá na baixa qualidade da educação um dos gargalos a seu rápido crescimento”. Mas de uma coisa Nóbrega não duvida, o país não passará por outro momento como a década de 90. “Se a hiperinflação morreu? Ah, morreu”, diz. Renata e Rubens podem ficar tranquilos.

8 de julho de 2012

Governo prorroga IPI da linha branca por mais dois meses

Já a desoneração para móveis é estendida por mais três meses; indústria e varejo se comprometem a manter e elevar o nível de emprego.
                                 Fogões continuam com IPI zerado por mais 2 meses.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no dia 29 de junho, a prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os setores de linha branca (fogões, geladeiras, máquinas de lavar e freezer) e móveis.

No segmento de móveis, a redução vai se estender por mais três meses. O ministro disse ainda que neste segmento ele vai tentar incluir ainda painéis de madeira, cuja a alíquota do IPI cairá de 5% para zero.

Para o segmento de linha branca, a prorrogação vai se estender por mais dois meses. Os refrigeradores continuam com redução de 15% para 5%; fogões, de 4% para zero; máquinas de lavar, de 20% para 10% e tanquinhos, de 10% para zero.

As desonerações foram condicionadas a três compromissos. Segundo o ministro, indústria e varejo se comprometeram a repassar as desonerações para o consumidor, a manter o nível de nacionalização dos produtos e a manter os níveis de emprego.

Mantega anunciou ainda a prorrogação da redução do PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o macarrão até dezembro.

Para o governo, as medidas adotadas pelo governo para manter o consumo aquecido têm sido bem sucedidas. As vendas da linha branca, por exemplo, cresceram 22% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado.

Mantega ainda ressaltou que as desonerações têm ajudado a manter a inflação sob controle. “Uma parte da redução da inflação que nós tivemos se deve a essas desonerações”.

7 de julho de 2012

Petrobras encerra disputa por refinaria nos EUA

Companhia vai pagar R$ 1,65 bilhão, incluindo juros e custos legais, à Astra Oil Trading NV para ficar com os 50% da sócia na refinaria de Pasadena, no Texas.

A Petrobras vai pagar R$ 1,65 bilhão (US$ 820,5 milhões) - já contando juros e custos legais - à Astra Oil Trading NV para ficar com os 50% da sócia na refinaria de Pasadena, no Estado norte-americano do Texas. O valor foi definido em acordo que põe fim a uma batalha judicial travada há pelo menos quatro anos entre a companhia brasileira e as empresas do grupo belga Transcor Astra. Com isso, a Petrobras será a única dona do ativo. 

De acordo com a estatal, quase todo esse montante já vinha sendo provisionado para pagamento nas demonstrações financeiras da Petrobras, restando um complemento de cerca de R$ 140 milhões (US$ 70 milhões), que deve ser reconhecido no resultado da companhia no segundo trimestre deste ano.

A estatal brasileira comprou 50% na refinaria em 2006, por R$ 700 milhões (US$ 350 milhões). A Petrobras fechou transação para entrar no setor de refino nos Estados Unidos e, assim, poder processar o óleo exportado do Brasil e também o que viesse a ser produzir em campos localizados no Golfo do México. Depois de confrontos entre as duas acionistas, a Transcor Astra exerceu seu direito de repassar sua participação à Petrobras. A definição do valor a ser pago, porém, foi conflituosa e acabou levando o processo à Justiça, numa disputa que se arrastou por anos.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Petrobras afirma que, com o acordo, as duas companhias se darão "ampla e geral quitação recíproca em relação a todos os processos judiciais em que litigavam".

6 de julho de 2012

Moody's rebaixa nota de 28 bancos espanhóis

Anúncio de revisão de notas por parte da agência afeta Banco Bilbao Vizcaya, Bankia e Santander e cita ainda o "enfraquecimento da solvência do governo espanhol".
Bankia, um dos pivôs da crise bancária na Espanha, está entre os rebaixados pela agência de risco.

A agência de classificação financeira Moody's reduziu no dia 25 de junho a nota da dívida de 28 bancos espanhóis e de dois emissores de crédito, após a decisão da Espanha de oficializar seu pedido de "ajuda financeira" à Europa para suas instituições financeiras. 

"A Moody's reduziu hoje de um a quatro níveis a nota da dívida de longo prazo e o rating de depósitos de 28 bancos espanhóis e dois emissores de crédito", disse a agência de classificação em um comunicado.

Ao argumentar sobre sua decisão, a Moody's afirmou que os bancos enfrentam crescentes perdas com os empréstimos imobiliários e que a redução da nota da dívida soberana da Espanha contribuiu para a queda das classificações.

Os problemas da Espanha "não apenas afetam a capacidade do governo de apoiar os bancos, como também influem nos perfis de crédito dos bancos", completou a agência de classificação de risco.

Entre os bancos afetados pela decisão da Moody's estão Banesto (de A3 a Baa3, três níveis), Banco Bilbao Vizcaya (também de A3 para Baa3), Bankia (de Baa3 para Ba2, dois níveis) e Santander (A3 a Baa2, dois níveis).

Outras instituições que veem suas notas reduzidas são Banco Popular Espanhol (A3 a Ba1, quatro níveis), Banco Sabadell (Baa1 a Ba1, três níveis), Unicaja (A3 a Ba1, quatro níveis) e CaixaBank (A3 a Baa3, três níveis).

No total, três instituições viram sua nota reduzida em um nível, 11 em dois níveis, dez em três níveis e seis em quatro, levando em conta os dois emissores de crédito.

A Espanha oficializou no dia 25 de junho seu pedido de "ajuda financeira" à Europa para seus bancos, no início de uma semana que se encerrará com a importante cúpula europeia do dia 21 a 22 de junho, considerada crucial para buscar uma saída para a crise da zona do euro.

O governo espanhol havia anunciado no dia 21 de junho que seus bancos precisariam de até 62 bilhões de euros, baseando-se nos resultados dos testes de resistência promovidos por duas auditorias independentes, uma quantidade superior à avaliação do FMI, de cerca de 40 bilhões de euros.

Dos 28 bancos cujas notas foram revisadas no dia 25 de junho pela Moody's, 16 poderão sofrer uma nova redução no curto e no médio prazo, informou a agência de classificação de risco.

A Moody's reduziu no último 13 de junho a nota da dívida de longo prazo da Espanha em três graus, para "Baa3", à beira da categoria especulativa.

5 de julho de 2012

Santander nega interesse em vender operações no Brasil

Emilio Botín, presidente mundial do grupo, ressalta ainda que banco quer crescer na América Latina e em outros países emergentes, apesar da venda de subsidiárias na Colômbia.

Emilio Botín ressalta ainda que banco quer crescer na América Latina e em outros emergentes, apesar da venda de subsidiárias na Colômbia

O Santander não vai comprar o Bradesco. Foi com essa frase que o presidente do banco espanhol, Emilio Botín, descartou os rumores que dão conta exatamente da operação contrária, ou seja, da venda do Santander para o Bradesco. “O Brasil tem muitas coisas boas, entre elas um sistema único no mundo, em que há três grandes bancos públicos e três grandes privados entre os maiores do país”, afirmou o executivo em evento em Madri.

Há cerca de um mês circulam informações de uma possível venda de parte dos ativos do banco espanhol no Brasil. Os interessados seriam Banco do Brasil e Bradesco. No entanto, segundo Botín, o banco não pensa em nada nesse sentido.As operações no Brasil representam 29% do lucro do banco espanhol, lembrou o empresário. “Estamos consolidando o banco no Brasil. A integração (com o Real) levou 18 meses mais que o previsto, mas hoje já foi concluída. Somos o terceiro maior banco brasileiro”, disse o executivo.

Para Botín, “não há nenhum banco do mundo como o Santander, equilibrado entre emergentes e desenvolvidos. Nós apostamos na diversificação, equilibrando os tipos de economia. Agora, por exemplo, não estamos lucrando tanto nos desenvolvidos”, ressalta o presidente do Santander, em referência à crise econômica que afeta os países mais ricos.

Segundo o executivo, 53% do lucro do banco vem da América Latina. “Estamos encantados por termos contribuído nos países da América Latina e outros para o desenvolvimento do sistema financeiro. Queremos continuar crescendo na região”, destacou Botín. “(A América Latina) Foi um dos motores do crescimento do Santander até agora e vai continuar sendo nos próximos anos”, complementa o empresário.

As declarações do executivo ocorrem no mesmo dia em que o banco concluiu a venda de suas operações na Colômbia, nas quais tinha participação pequena. O negócio totalizou quase US$ 1,3 bilhão. Botín negou ainda que haja transferência de recursos entre a matriz e as filiais, algo que muitas vezes é colocado em questão por conta do fato de o desempenho do banco estar melhor nos mercados emergentes do que na Espanha. “Nossas filiais são independentes em capital e liquidez. São submetidas à regulação e supervisão de cada país onde estão. Elas têm autonomia financeira”, ressalta.

IPO no México e na Argentina

Todas as filiais, no entanto, têm algo em comum: em algum momento precisam abrir capital e cotar em bolsa. As próximas que passarão por essa “tradição” são os braços do banco no México e na Argentina. “Vamos abrir capital no México este ano, exceto se os mercados piorarem muito”, afirma Botín. De acordo com ele, há bancos internacionais querendo participar do IPO no país latino-americano. “O México tem futuro. Nos últimos anos foi bem e tem anos bons nos próximos anos”, diz.

Na Argentina, porém, há a vontade de fazer o IPO, mas sem data definida ainda. “É importante cotar nos países, dá mais flexibilidade às equipes, além de permitir uma relação mais estreita com os investidores”, defende o executivo.

4 de julho de 2012

Microsoft compra rede social corporativa Yammer por US$ 1,2 bilhão

Objetivo da companhia é interligar serviço aos produtos da família Office.
Steve Ballme, presidente da Microsoft, espera acelerar crescimento da Yammer após aquisição.

A Microsoft anunciou no dia 25 de junho que adquiriu por US$ 1,2 bilhão a Yammer, uma rede social voltada para o mercado corporativo. De acordo com o anúncio, a empresa, uma espécie de Facebook empresarial, continuará operando de forma independente, apesar de agora estar sob o comando da Microsoft. O Yammer passa agora a responder diretamente à divisão responsável pelos produtos do pacote Office e será incorporada aos softwares da linha, a mais rentável da Microsoft após o sistema operacional Windows. 

Criada em 2008, a Yammer conta com 5 milhões de usuários ativos em 150 países. Apesar do número infinitamente menor de participantes do que o de outras redes sociais – o Facebook tem quase 1 bilhão de usuários – a Yammer se tornou interessante para a Microsoft por conta do perfil das pessoas que o acessam. De acordo com a Microsoft, empregados de ao menos 85% das 500 maiores empresas listadas pela revista Fortune usam a rede regularmente.

“A Yammer adiciona o que á de melhor no serviço de redes sociais corporativas ao crescente portfólio da Microsoft em produtos complementares em nuvem”, afirmou o CEO da companhia criada por Bill Gates em 1975, Steve Ballmer. A tendência é de que a rede social seja interligada ao Skype e a diferentes produtos da família Office, como o SharePoint, o Microsoft Dynamics e o Office 365.

3 de julho de 2012

Varejista de brinquedos Ri Happy compra a concorrente PBKids

Segundo a Ri Happy, líder no setor de varejo de brinquedos nacional, a operação não resultará na demissão de funcionários, a intenção é "somar forças e unir experiências".
    Com cerca de 110 lojas em 18 estados, A Ri Happy faturou R$ 600 milhões em 2010.

A varejista de brinquedos Ri Happy anunciou nesta segunda-feira a compra da PBKIDS. A Ri Happy tem como principal acionista The Carlyle Group, gestor global de investimentos, que no Brasil controla também a CVC, operadora de turismo, a Qualicorp, corretora e administradora de planos de saúde, e a Scalina, fabricante e varejista de moda íntima. O Carlyle havia comprado 85% da Ri Happy em março deste ano, por valor não informado.

Segundo comunicado da empresa, “Ri Happy e PBKIDS buscam aprimorar o acesso à inovação e tornar ainda mais ágil os canais de distribuição dentro das melhores práticas de mercado”. A Ri Happy também diz que a operação não resultará na demissão de funcionários: “A intenção é justamente somar forças e experiências”, diz o texto.

A empresa será comandada por Hector Núñez, CEO da Ri Happy, que esteve à frente do Walmart no Brasil e que já ocupou cargos de liderança na Coca-Cola, Sucos Del Valle e Hertz, no Brasil e no exterior. “Vamos somar esforços, valendo-se da expertise das duas redes, visando oferecer uma ampla gama de produtos de qualidade e excelência no atendimento aos clientes, proporcionando, assim, uma experiência em compra de brinquedos e artigos infantis inigualável”, afirma Núñez.

A Ri Happy possui cerca de 110 lojas em 18 estados e faturou R$ 600 milhões em 2010, já a PBKids faturou R$ 230 milhões no mesmo ano. Além da Ri Happy, a PBKids e a Preçolândia estão entre as maiores vendedoras de brinquedos no Brasil, ao lado da Lojas Americanas e das redes de hipermercado como Extra e Carrefour. O setor de varejo de brinquedos nacional movimenta R$ 5 bilhões ao ano e cresce três vezes acima do Produto Interno Bruto (PIB).

2 de julho de 2012

GM abre mais um plano de demissão voluntária

Montadora anunciou no dia 22 de junho a abertura de um novo Programa de Demissões Voluntárias (PDV) na fábrica de São José dos Campos, o segundo em menos de um mês.

A General Motors (GM) anunciou no dia 22 de junho a abertura de um novo Programa de Demissões Voluntárias (PDV) na fábrica de São José dos Campos, interior de São Paulo, o segundo em menos de um mês. O anterior, encerrado há uma semana, teve 186 adesões, número considerado insuficiente pela montadora. 

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos local, Antonio Ferreira de Barros, diz que "não há motivos para a GM continuar demitindo". Para ele, não existe mão de obra excedente na fábrica e as vendas do setor automotivo deram um salto de 20% após a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) concedida pelo governo federal. 

"As vendas de carros passaram de 13 mil para 16 mil unidades por dia", afirma o sindicalista. Ele ressalta que a GM vive um de seus melhores momentos no País. "No mês passado, ela vendeu mais que a Volkswagen, e só perdeu para a Fiat."

Para garantir a redução do IPI, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) fez um acordo com o governo no início de maio. Em troca do benefício fiscal, as montadoras se comprometeram a manter ou aumentar o número de empregos, além de reduzir o preço dos automóveis.

"A GM está usando o dinheiro conseguido com a redução de impostos para financiar as rescisões", afirmou Barros. "Além disso, os cortes vão sobrecarregar ainda mais os trabalhadores que continuarem na fábrica."

A montadora não comentou as declarações do sindicalista nem informou quantas adesões pretende atingir com o PDV. Em nota, disse que decidiu prorrogar até 2 de julho o PDV para todos os trabalhadores da produção na unidade.

A montadora informou que também abriu um PDV na fábrica de São Caetano do Sul, no ABC paulista, atendendo a solicitação do Sindicato dos Metalúrgicos local. "Negociei a abertura do programa porque fui cobrado por muitos trabalhadores aposentados que querem ir embora", disse Aparecido Inácio da Silva, presidente do sindicato.

Segundo ele, a montadora se comprometeu a fazer contratações para substituir os trabalhadores que aderirem ao PDV. "A extinção de postos de trabalho é em São José dos Campos, aqui não", afirmou.

Outra medida tomada pela montadora foi o fechamento do segundo turno do setor que produz os modelos Corsa, Zafira e Meriva na fábrica de São José dos Campos (SP). A ação atingiu mais de 550 trabalhadores, que foram remanejados para outras áreas, como o recém-implantado terceiro turno da picape S10.

1 de julho de 2012

Petrobras quer mais álcool na gasolina

Ministério de Minas e Energia recebeu da Petrobras um pedido formal para aumentar de 20% para 25% o teor de álcool anidro no combustível.

O Ministério de Minas e Energia recebeu da Petrobras um pedido formal para aumentar de 20% para 25% o teor de álcool anidro na gasolina. A proposta resultou de um estudo sobre a viabilidade financeira e estrutural da alteração na mistura, recém preparado pela subsidiária Petrobrás Biocombustível. 

O estudo identifica benefícios caso a proposta venha a ser aprovada pelo governo. Entre eles, a redução da importação de gasolina, que desde o ano passado, por causa do aumento do consumo e da incapacidade de a Petrobrás abastecer o mercado em expansão, onera o caixa da companhia.

Este ano, de janeiro a abril, a Petrobras importou cerca de 80 mil barris por dia. A expectativa é de que o aumento do etanol na mistura reduza em cerca de 40% o volume de importação do produto, o que contribuiria para um fôlego financeiro da companhia.

O presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, revelou nesta sexta-feira que aguarda para breve uma resposta positiva do Ministério de Minas e Energia.

Após participar - sob vaias por causa de sua posição interpretada por ambientalistas como favorável à hidrelétrica de Belo Monte (Pará) - de um debate sobre energia sustentável na Cúpula dos Povos, evento paralelo à conferência Rio+20, Rossetto afirmou que o estudo da empresa já foi encaminhado à apreciação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

O presidente da subsidiária da Petrobras para a área de biocombustíveis demonstrou entusiasmo com a volta da mistura do anidro à gasolina aos níveis anteriores a outubro do ano passado, quando o porcentual caiu de 25% para 20%.

"Seria uma medida importante voltarmos ao patamar de 25% do anidro na gasolina. Seria positiva para o setor, pois ampliaria o mercado para o etanol. Há capacidade de assegurar esta oferta e, obviamente, ajudaria numa redução da importação de gasolina", afirmou o executivo.

Para Rossetto, o perfil da proposta da Petrobras Biocombustíveis é "positiva para o setor produtor de etanol, para a Petrobrás e para o mercado de combustíveis do Brasil". "Isso traria um componente positivo, que é a redução de importação da gasolina pela Petrobrás", disse.