4 de outubro de 2012

Portos precisarão de até R$ 40 bilhões até 2030, diz EPL

Segundo o presidente da Empresa de Planejamento e Logística, Bernardo Figueiredo, valor é uma estimativa preliminar.

O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, previu nesta quinta-feira que o setor de portos precisará de investimentos de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões para adequar sua infraestrutura até 2030.

O executivo ressaltou que essa é uma estimativa preliminar. Segundo ele, o pacote do governo para portos e aeroportos deve ser lançado "nos próximos dias".

A afirmação foi feita durante palestra proferida no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), no Rio. Porém, perguntado sobre a data do anúncio após o fim de sua apresentação, Figueiredo declarou não haver prazo definido.

Na semana passada, ele já havia dito que a perspectiva era de que o anúncio fosse feito em outubro.

Segundo ele, ainda não há definição sobre o modelo de concessões de aeroportos. Nesse plano, estaria incluído o aeroporto internacional Tom Jobim (Galeão), na capital fluminense, além de outros ativos.

A aviação regional também deve ser contemplada. Figueiredo defendeu no dia 27 de setembro que, além de ampliar os investimentos em infraestrutura, o País deve trabalhar para ter serviços de logística competitivos.

"Essas duas coisas garantem que o benefício chegue na ponta tomadora do serviço", disse.

3 de outubro de 2012

Setubal pode ter um plano B para o Itaú


A dois anos de se aposentar da presidência, o executivo — que não fala do assunto — tem dado cada vez mais espaço para o vice Márcio Schettini.
                                                 Roberto Setubal, presidente do Itaú.

Pouco mais de dois anos separam Roberto Setubal da saída da presidência do maior banco privado brasileiro, o Itaú. Com 57 anos, o executivo, que assumiu o posto em 1994, precisa se aposentar com 60, segundo manda o novo estatuto da instituição, modificado após a compra do Unibanco, em 2008. Oficialmente, pouco se fala do assunto.

Mas o executivo delegou a Márcio Schettini, um dos seis dos dez vice-presidentes do Itaú oriundos dos quadros do Unibanco, papel de protagonista nesta semana, durante pronunciamento sobre a operação de fechamento de capital da sua controlada, a operadora de cartões Redecard, e no anúncio da redução à metade das taxas de juros dos seus cartões de crédito. Schettini, 48 anos, foi promovido à vice-presidente em 2009. Responsável pelo banco de varejo e todas as áreas afins — o core business do banco — tem longa e bem sucedida carreira no mercado financeiro, especialmente no de cartões de crédito.

Seu estilo de liderança e decisão seria, na opinião de fontes próximas a ambos, um dos que mais se assemelha ao do próprio Setubal: firme, pragmático, orientado a resultados. “Vamos acelerar a evolução do mercado, aproximando o relacionamento com os lojistas e oferecendo novas possibilidades de negócios e serviços para os clientes”, disse Schettini referindo-se ao fechamento de capital da Redecard, da qual é presidente do conselho, na segunda.

Procurado, o banco informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que não comenta o assunto sucessório. Anteontem, Setubal havia declarado que, mesmo fora da presidência, como um dos principais acionistas, “continuarei a acompanhar os negócios do banco”.

Setubal, que tem duas filhas do seu primeiro casamento, teria sido aconselhado a indicar o filho da principal acionista do banco, Milu Villela, Ricardo Villela Marino, para substituí-lo. Com 38 anos, em 2010 subiu ao posto de vice-presidente de negócios internacionais.

Há quem diga que é difícil de acreditar que Marino, embora venha sendo preparado para a função há alguns anos, tenha atingido os elevados padrões de exigência de Setubal. Sua saída da área de recursos humanos do banco para a internacional, que representa nem 10% dos negócios do Itaú, no entanto, pode fazer parte de um “rodízio”.

Por outro lado, é difícil imaginar que o presidente que levou o banco ao segundo no ranking geral por ativos no Brasil (perdendo apenas para o Banco do Brasil) decida enfrentar o outro lado da família — os Villela são “primos” dos Setubal — e deixar o principal cargo do banco a um executivo, por mais competente que seja, de fora do clã. Além disso, a isntituição, que semrpe foi familiar, tem há quatro anos uma terceira família acionista, os MOreira Salles. O ex-presidente do Unibanco, Pedro Moreira Salles, também se aproxima dos 50 anos e seu filho mais velho ainda é jovem para o posto.

Tutor ou conselheiro

Neste caso, Schettini pode funcionar como uma espécie de tutor ou conselheiro de Marino — ou, no mínimo, como “ouvidos e olhos” de Setubal dentro da instituição. Em outras palavras, Schettini pode não substituir Setubal, mas exercer um papel estratégico como o de Antonio Jacinto Matias. O executivo, braço direito dos Setubal por mais de 20 anos, se aposentou do cargo executivo (era vice-presidente de marketing e outras sete áreas) mas continua por perto. Desde 2010, é vice-presidente da Fundação Itaú Social.

Durante o período à frente da presidência do banco, Roberto Setubal — que é filho de Olavo, por sua vez, sobrinho do fundador Alfredo Egydio de Souza Aranha — consolidou os negócios com uma série de aquisições. A maior delas foi a do Unibanco, em 2008. Desde então, o valor de mercado do banco na bolsa cresceu 40%, de R$ 97 bilhões para R$ 136 bilhões.

2 de outubro de 2012

Elétricas federais investem apenas 35% do previsto para transmissão em 2012

Sistema recebeu R$ 372 milhões de R$ 1,3 bilhão liberado para o ano. No Maranhão, foco de apagão em seis Estados, a Eletronorte empenhou 16,7% dos R$ 190,85 milhões para a rede.

A falha no sistema de transmissão de energia que afetou seis Estados e deixou 5 milhões de pessoas sem luz no Nordeste, ocorre num momento em que as estatais federais fazem investimentos lentos na rede. No caso das companhias sob controle da União que atendem a região, a aplicação de recursos autorizados alcança até julho 35% do orçamento de 2012 julho, conforme levantamento do iGno sistema de acompanhamento das contas publicas do Senado Federal, o Siga Brasil.

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O orçamento prevê o investimento de R$ 1,314 bilhão apenas para manutenção e ampliação da rede de transmissão de energia para Furnas, Chesf e Eletronorte. Elas executaram somente R$ 372,77 milhões desse montante.

No caso das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), que opera no Maranhão, a execução orçamentária é a mais baixa: apenas 16,7%. A empresa investiu R$ 31,862 milhões de um total R$ 190,85 milhões autorizados pela União. A maior fatia do montante (R$ 126 milhões) é justamente para a manutenção do sistema de transmissão de energia da Região Norte. A Eletronorte aplicou R$ 17,831 milhões desse total.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já identificou que ontem houve uma falha explosão na subestação da Companhia Energética do Maranhão na cidade de Imperatriz. A falha derrubou a energia cidades maranhenses e invadiu a rede afetando também municípios do Ceará. ONS indicou ainda a falha em um transformador na interligação do sistema Sudeste-Nordeste e Norte-Nordeste.

A Companhia Hidrelétrica do São Fransciso (Chesf), dona de uma malha com 18 mil quilômetros de rede de transmissão e responsável por interligar os sistemas das regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste, executou no primeiro semestre 35,5% do total reservado para o ano. Foram R$ 241 milhões em manutenção e ampliação do sistema de um total de R$ 678,862 milhões.

Já Furnas, detentora de uma malha de distribuição com 20 mil quilômetros, executou apenas 22,45% da verba destinada para reforço na malha e ampliação da rede de distribuição. A empresa aportou R$ 99,885 milhões do total de R$ 444,771 milhões liberados.

O valor não inclui a execução de apenas R$ 64,8 milhões dos R$ 432,5 milhões destinados à manutenção do sistema de transmissão das regiões Centro-Oeste e Sudeste, posteriormente interligadas ao sistema Nordeste, como mostrado pelo iG há uma semana .

Na avaliação professor Nivalde de Castro, do grupo de estudo do setor elétrico da UFRJ, a falha ocorrida no Nordeste neste final de semana não necessariamente se deve à lentidão na execução de investimentos. “Isso [lentidão] é histórico, ocorre todo ano”, diz. “Não há uma correlação entre investimento e falha”, observa.

Ele credita a falha no sistema a partir do Maranhão ao tamanho da malha de transmissão. “É um sistema complexo, muito grande, com mais de 100 mil quilômetros, que pode falhar quando há qualquer probleminha”, afirma.

1 de outubro de 2012

Brasil adia decisão sobre caças para 2013; Boeing cresce


Recentes acordos da fabricante americana com a brasileira Embraer podem influenciar no resultado da licitação de US$ 4 bilhões para compra de 36 novos caças.

A presidenta Dilma Rousseff decidiu esperar até meados de 2013 para tomar uma decisão sobre a compra de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), num contrato de bilhões de dólares, no qual a Boeing passou a ter mais chances por causa das suas recentes parcerias com a Embraer, disseram duas fontes oficiais à Reuters.

O Brasil pretende gastar pelo menos US$ 4 bilhões (R$ 8,10 bilhões) na aquisição de 36 novos caças, numa das transações de defesa mais observadas nos últimos anos nos países emergentes. Os finalistas são a norte-americana Boeing, a francesa Dassault Aviation e a sueca Saab.

Dilma pretende avisar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre o adiamento durante um possível encontro dos dois nesta semana em Nova York, em meio à reunião anual da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), disseram as fontes, pedindo anonimato.
Fabricante do caça F-18, a Boeing ganhou pontos ao anunciar uma série de parcerias com a Embraer.

A própria Dilma tomará a decisão sobre a empresa fornecedora dos jatos, numa compra que será crucial durante décadas para moldar as alianças estratégicas e militares do Brasil, que busca se firmar como uma grande potência global.

A concorrência está suspensa em parte por razões orçamentárias, segundo um dos funcionários. Dilma acaba de travar uma dura disputa com funcionários públicos por aumentos salariais, e seria politicamente difícil aprovar um gasto de bilhões de dólares para equipamentos militares tão pouco tempo depois de alegar restrições financeiras para elevar salários.


"As conversas (internas) se tornaram mais específicas e mais focadas, e acho que estamos chegando perto de uma decisão", disse uma das fontes. "Mas isso não será anunciado em 2012."

A disputa já dura mais de uma década, passando por três governos, e apontar o ganhador se tornou algo como apostar no vencedor em um jogo de futebol que nunca acontece. Mesmo assim, as notícias sobre as deliberações de Dilma são acompanhadas atentamente, e às vezes influem nas cotações das ações mercantis dos finalistas, em parte devido à falta de outros grandes contratos militares na Europa e EUA.

A Reuters noticiou em fevereiro que Dilma estava inclinada pelo caça Rafale, da Dassault. Mas, depois disso, surgiram novas preocupações sobre o custo elevado do avião francês e especialmente sobre os termos da partilha de tecnologia, algo que Dilma considera crucial para definir o vencedor, segundo as autoridades.

Enquanto isso, a Boeing ganhou pontos ao anunciar uma série de parcerias com a Embraer, que está agressivamente ampliando suas operações de defesa. Em julho, a Embraer disse que a Boeing irá fornecer sistemas de armas para o caça Super Tucano, e a empresa dos EUA também está ajudando no desenvolvimento do KC-390, um jato de reabastecimento em voo e transporte militar da Embraer.

Também em fevereiro, a Reuters informou que a Boeing havia congelado o preço da sua oferta desde 2009, uma situação incomum, que parece ter beneficiado a relação custo-benefício do seu caça F-18 em comparação ao Rafale. O custo unitário dos jatos não foi divulgado.

"A Boeing está definitivamente aparecendo melhor nos últimos meses", disse um segundo funcionário.

Ambas as fontes disseram que a Saab, que disputa com o caça Gripen NG, está num distante terceiro lugar na disputa.

Funcionários de Defesa dizem que Dilma precisa tomar a decisão logo, porque a frota atual da FAB está se tornando cada vez mais obsoleta e cara de manter. Além disso, o Brasil está sob pressão para melhorar sua capacidade defensiva como parte dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

30 de setembro de 2012

A Europa está uma pechincha, diz investidor do mercado de luxo


Preocupações com a economia se espalham pelo mercado do glamour e analistas preveem preços de bens luxuosos vão cair.
Modelo apresenta criação do designer de luxo Ermanno Scervino num ateliê próximo a Florença, na Itália.

Investidores de países emergentes estão à caça das marcas de luxo na Europa, mais baratas agora que a turbulência econômica pressiona os preços para baixo, disse à Reuters o varejista kuwaitiano de artigos de luxo Sheikh Majed Al-Sabah.


Enquanto as preocupações com a economia se espalham pelo resistente mercado do glamour, analistas preveem que os preços de bens luxuosos vão cair. "Toda a Europa está à venda. A Europa é uma pechincha", disse Al-Sabah, membro do conselho da destacada incorporadora imobiliária kuwaitiana Tamdeen Group, em pronunciamento na terça-feira, antes do início da semana de moda de Milão.

A venda em julho da casa Valentino, da empresa de private equity Premira, para a família real do Catar foi avaliada em 700 milhões de euros (US$ 909 milhões de dólares), ou 2,2 vezes as vendas históricas, ficando assim em média com o setor de artigos luxuosos.

Em 2001, a LVMH comprou a participação da Prada na Fendi por 1,2 bilhão de euros, ou quatro vezes as vendas históricas. "Esses tempos acabaram", disse Al-Sabah, acrescentando que os investidores estão de olho em oportunidades no mercado imobiliário, tais como os resorts luxuosos.

À medida que os consumidores se tornam mais afluentes, passam a comprar experiências em vez de acumular mercadorias, avalia em relatório a Ledbury Research, especialista no mercado internacional do luxo.

Vivenciar o luxo responde por mais da metade dos gastos com bens de alto custo na maioria dos países, incluindo as nações emergentes, de acordo com o Boston Consulting Group. Pessoas com mais de US$ 1 milhão deixam a cada ano 37% de sua riqueza em propriedades, 18% em dinheiro e somente 17% em ações, diz a Ledbury.

29 de setembro de 2012

Classes C, D e E usam mesmos serviços pessoais da A


Uso de cabeleireiro, manicure, estética, academia de ginástica e conserto de roupas, entre outros, é elevado e está disseminado entre todos os estratos sociais.
Movimento de consumidores em supermercado do Jardim Ângela, na periferia da zona sul de SP.

O uso de serviços pessoais, como cabeleireiro, manicure, estética, academia de ginástica e conserto de roupas, entre outros, é elevado e está disseminado entre todos os estratos sociais, dos mais ricos aos mais pobres. Entre 84% e 91% das famílias de menor renda, das classes C, D e E, usam hoje esses serviços. Nas classes de maior poder aquisitivo, A e B, esse indicador varia entre 92% e 95%, aponta a pesquisa sobre o perfil de consumo das famílias brasileiras, realizada pela Kantar Worldpanel.

"O porcentual de uso dos serviços pessoais é muito parecido entre os diferentes estratos de renda", afirma Christine Pereira, diretora comercial da empresa de pesquisa. Em três anos, entre 2009 e 2012, cresceu três pontos porcentuais, de 86% para 89%, o total de domicílios brasileiros que declararam usar esse tipo de serviço. E, praticamente, houve aumento no uso de serviços pessoais entre todas as classes de renda.

Movimento semelhante, porém restrito às classes de maior poder aquisitivo, ocorreu entre 2009 e 2012 com serviços de empregada doméstica. Em 2009, por exemplo, 35% das famílias das classes A/B1, com renda média mensal de R$ 5.666,20, tinham empregada doméstica. Esse índice para as famílias da classe B2, com renda média mensal de R$ 3.668,10, era de 9%. Hoje, esses indicadores subiram para 47% e 14%, respectivamente.

A pesquisa, baseada em coletas semanais em 8,2 mil domicílios de todo País, revela que as classes de menor renda não contratam serviços domésticos e, na maioria das vezes, são elas as prestadoras desses serviços.

A maior demanda por serviços domésticos e pessoais, puxados inclusive pelos estratos mais pobres da população, cria uma certa resistência à queda da inflação dos serviços. No Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial de inflação apurada pelo IBGE, os preços dos serviços são tidos como vilões da inflação. No ano até agosto, a inflação dos serviços foi de 5,72%, enquanto o IPCA acumula alta de 3,18%. Em 12 meses até agosto, os serviços ficaram 8,78% mais caros. Já no mesmo período, a inflação oficial aumentou 5,24%.

28 de setembro de 2012

Pré-sal vai responder por metade da produção nacional de petróleo em 8 anos


De acordo com estimativa da Petrobras, produção nacional vai dobrar até 2020 e chegar a 4,2 milhões de barris por dia.

Em pouco menos de oito anos metade de todo o petróleo que o Brasil estiver produzindo virá de campos localizados na chamada camada pré-sal. De acordo com as estimativas da Petrobras, em 2020 o volume produzido no pré-sal será o equivalente à produção brasileira hoje, de cerca de 2 milhões de barris por dia. “A perspectiva é de que haja um crescimento natural no volume de produção do pré-sal, estamos entrando em fase de produção em vários campos nos próximos anos”, disse o gerente executivo de E&P Presal da Petrobras, Carlos Tadeu Fraga. Em 2016, a estimativa é de que o pré-sal responda por 31% do petróleo produzido no País. 

                                                   Infográfico mostra como é o pré-sal.

A Petrobras estima que a produção brasileira de petróleo vai dobrar até 2020, chegando à casa dos 4,2 milhões de barris ao dia. Atulamente, os campos produtores da camada pré-sal já são responsáveis por quase 10% da produção nacional. Neste mês, diariamente estão sendo extraídos 192 mil barris desses poços, um crescimento de mais de 100% sobre os números do ano passado.


Em setembro de 2011 o volume extraído era de 85 mil barris/dia. Pelas estimativas de Tadeu Fraga, até 2017 o volume produzido nos campos do pré-sal será da ordem de 1 milhão de barris ao dia.

A maior parte do petróleo que está sendo extraído do pré-sal vem da Bacia de Santos, que responde por 55% da produção. A tendência é que essa proporção cresça ainda mais nos próximos anos e a Bacia de Campos passe a ter um papel minoritário na produção de petróleo do pré-sal.

No plano de investimentos da Petrobras, 85% dos US$ 70 bilhões que serão aplicados no pré-sal vão para a Bacia de Santos. “Por uma questão geológica, quanto mais ao Sul maiores os desafios”, diz Tadeu Fraga. “Mas maiores são os prêmios também”. No acumulado dos últimos quatro anos já foram extraídos 100 milhões de barris de petróleo dos campos do pré-sal."

27 de setembro de 2012

O Google quer pensar como os brasileiros


Chefe do YouTube, chefe para as Américas e chefe de negócios do Google participam de seminário em São Paulo para discutir e entender um dos maiores mercados do mundo.

No dia 19 de setembro, executivos da gigante de buscas Google participaram do evento “Think with Google”, em São Paulo, para discutir tendências do mercado de marketing digital. Entre os presentes estavam Nikesh Arora, chefe de negócios do Google Inc., Margo Georgiadis, presidente das operações na América e Robert Kyncl, vice-presidente de entretenimento para TV e Filme.
Nikesh Arora, diretor de negócios do Google: “Conhecer o consumidor e saber avaliar as informações disponíveis sobre ele é fundamental”.

“O Brasil é um país de consumo e demanda massivos, é por isso que eu e Margo estamos aqui”, diz Robert Kyncl, responsável pela plataforma de vídeos Youtube, adquirida pelo Google em 2006. “Muitos sucessos vêm daqui, por exemplo, a animação Galinha Pintadinha já atingiu 500 milhões de visualizações e o humorista Felipe Neto já recebeu um terço das subscriptions que o Justin Bieber conseguiu em três anos”. “O Youtube é o sexto maior site do Brasil, cada usuário assiste a 109 vídeos por mês na plataforma”, diz Georgiadis.


O número de brasileiros com acesso à internet e a quantidade de horas que passam navegando são números que animam a empresa. A pesquisa “Barômetro do Consumidor”, patrocinada pela Google, indica que 40% da população brasileira está online e cada usuário passa 50 horas por mês conectado.

Alguns outros dados internos divulgados pela empresa, indicam que 63% dos brasileiros pesquisam online antes de realizar uma compra; 84% dos internautas da classe C foram ao cinema nos últimos 30 dias; 53% pesquisam online antes de comprar um veículo e as vendas de turismo vão crescer 25% em 2012. Como a Google sabe tudo isso?

Um dos objetivos da empresa, além de organizar “toda a informação do mundo e torná-la acessível para todos”, é também compreender melhor o comportamento dos consumidores. “Surgimos em uma garagem, criamos um serviço e depois precisávamos ganhar dinheiro com isso”, diz Arora, o chefe de negócios da companhia. “Conhecer o consumidor e saber avaliar as informações disponíveis sobre ele é fundamental”.

Leia também: "O Google mente"

O Google parece estar fazendo isso muito bem, não é à toa que nos orçamentos das grandes empresas o percentual destinado à busca paga (ou links patrocinados) tem crescido. “A televisão pode ainda ser o maior meio do Brasil, mas 70% das pessoas que são impactadas por um anúncio de TV procurar o produto vão no Google”, diz Abel Reis, presidente da Agência Click, que falou sobre seu trabalho com a BRF (Sadia e Perdigão).

Alguns dos serviços oferecidos pela empresa são a ferramenta gratuita Google Analytics e a consultoria Double Click. O Analytics pode identificar, por exemplo, a localização geográfica do visitante e a forma como chegou na página. Embora muitas pessoas o vejam apenas como um monitoramento de tráfego, “é uma poderosa ferramenta para tomada de decisões em negócios relacionados a Internet”, diz Reis. Já o Double Click é uma agência de marketing adquirida pela Google Inc. em 2007, que veicula e entrega anúncios baseando-se no comportamento dos usuários.

Para o presidente da Agência Click, “o Google é uma mina de insights”. Por isso, as empresas estão utilizando mais seus serviços. O presidente de negócios da gigante bem sabe disso, “a conectividade está se tornando obrigatória”, diz.

26 de setembro de 2012

Foxconn anuncia investimento de R$ 1 bi em fábrica em Itu, no interior de SP


Companhia taiwanesa promete gerar 10 mil empregos diretos em planta que vai produzir cabos, câmeras, telas sensíveis ao toque, placas de circuito e outros componentes.
                                                    Fábrica da Foxconn em Jundiaí.

A Foxconn vai abrir uma nova unidade industrial no Estado de São Paulo a partir do ano que vem e, desta vez, o investimento ocorrerá no município de Itu. A companhia taiwanesa vai investir R$ 1 bilhão na fabricação de componentes para tablets, smartphones e outros produtos eletrônicos. No dia 20 de setembro, o presidente da Foxconn no Brasil, Henry Cheng, e o presidente da agência Investe São Paulo, Luciano Almeida, assinaram um protocolo de intenções no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do governador do Estado, Geraldo Alckmin.

A previsão é que a unidade da Foxconn em Itu crie 10.000 empregos diretos. No parque industrial, haverá até cinco fábricas que irão produzir cabos, câmeras, telas sensíveis ao toque, LED, placas PCB (placa de circuitos) e outros componentes utilizados na montagem dos eletrônicos. Com esse investimento, praticamente toda a cadeia de fabricação de iPads e iPhones da Apple estará em território nacional, com exceção de displays TFT - tecnologia para melhorar a qualidade da imagem que demanda investimentos robustos para ser produzida.

"Este não é o momento para uma planta de TFT vir para o Brasil, mas essa será a única parte da cadeia que vai faltar", disse o presidente da Investe São Paulo, Luciano Almeida, com exclusividade para a Agência Estado. A Foxconn tem uma unidade em Jundiaí (SP), onde monta os produtos da Apple. Além dessa planta, tem outras quatro unidades no Estado de São Paulo e três, em outros Estados.

O plano da Foxconn é que o início da produção em Itu ocorra em 2014, atingindo capacidade plena em 2016. A empresa adquiriu um terreno de 1 milhão de metros quadrados às margens da SP-308, a chamada Rodovia do Açúcar. De acordo com Almeida, a empresa taiwanesa não terá benefícios fiscais especiais do governo paulista para montar o complexo em Itu, apenas os incentivos já previstos em lei estadual que instituiu o Programa de Incentivo ao Investimento pelo Fabricante de Produtos da Indústria de Processamento Eletrônico de Dados (Pro-Informática), entre eles a utilização de crédito de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de bens e mercadorias de investimentos.

"Em São Paulo as empresas encontram, além de um mercado consumidor pujante, a melhor infraestrutura logística do País e ampla oferta de mão de obra qualificada", afirmou o governador Geraldo Alckmin, por meio de sua assessoria de imprensa. A empresa terá de obter o licenciamento ambiental para o local da construção. Almeida conta que, por meio da agência de atração de investimentos para o Estado vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, o governo paulista fará intermediação entre a empresa, a prefeitura local e as concessionárias para a criação da infraestrutura do parque industrial - iluminação pública, rede de água e esgoto, vias de acesso, entre outros.

O governo estadual também vai oferecer parcerias com institutos e órgãos de formação de mão de obra especializada, como o Centro Paula Souza. Almeida explica que a intenção do governo é formar em Itu um polo tecnológico. A empresa fabricante de computadores pessoais Lenovo já anunciou a construção de uma fábrica no município. A cidade de Itu está localizada a 100 quilômetros da capital paulista.

"A tendência é que outros players se instalem no local por causa da infraestrutura da região", diz. Ele destaca, também, a transferência de tecnologia com a instalação de fábricas de ponta no polo. "As fábricas são muito dinâmicas, por isso a transferência de tecnologia ocorrerá naturalmente à medida que as unidades se adaptam aos produtos."

25 de setembro de 2012

Lobão: empresas do setor elétrico terão que se ajustar

Ao ser questionado sobre demissões, ministro responde que empresas terão de eleger suas prioridades às reduções de custos e se adaptar: "Cada qual saberá o que fazer".

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse no dia 18 de setembro que as empresas do setor elétrico terão de se adaptar a uma nova ordem. O ministro fez a afirmação ao ser questionado sobre as demissões anunciadas por algumas empresas, como AES Eletropaulo e Furnas, após a publicação da medida provisória que dispõe sobre a renovação das concessões de geração, transmissão e distribuição do setor.


"Essas empresas são, basicamente, mais de 60% do sistema Eletrobras e cerca de 30% dos Estados. Elas terão de ajustar suas despesas e contas à nova ordem, às circunstâncias novas que surgiram", afirmou. "Elas terão que eleger suas prioridades ao efeito da redução de custos e se adaptar a isso. Cada qual saberá o que fazer."

O ministro disse que ainda é cedo para avaliar esse cenário de demissões. "Ainda estamos na madrugada do anúncio dessas medidas. Isso vai ocorrer em 5 de fevereiro do próximo ano. Até lá, temos alguns meses. Então, elas vão examinar, com seu corpo diretivo, contabilidade e administração o que fazer", afirmou.

Lobão afirmou que, no caso das empresas do sistema Eletrobras, todas as deliberações terão de ser submetidas a ele. "Nós estamos na esperança de que isso possa se resolver sem alteração profunda de pessoal", acrescentou, ponderando que as empresas do sistema Eletrobras costumam pagar salários mais elevados e oferecer vantagens aos funcionários. "Isso tudo será avaliado cautelosamente porque a tradição do governo e suas preocupações são sempre no sentido de preservar os empregos no Brasil."