20 de dezembro de 2012

Os irmãos que criaram uma bolsa para quem ajuda a preservar florestas

OS JUSTICEIROS
Os irmãos Mauricio e Pedro Moura Costa na sede da BVRio, no Rio de Janeiro. Eles criaram um sistema de transação de cotas que pode pôr o Código Florestal para funcionar.

Ele poderia estar sobre uma prancha no mar carioca ou em turnê pelo Brasil fazendo um som com sua guitarra. Mas não. Há algumas décadas, o empreendedor Pedro Moura Costa abandonou o surfe diário, assim como os ensaios com o primo Rodrigo Santos, baixista na banda de rock Barão Vermelho, para dedicar seus dias às florestas. Hoje, com 49 anos e a bagagem de quem participou da criação do mercado de carbono, ele lançou no dia 10 de dezembro, uma bolsa de valores ambientais com características inéditas no mundo.


Se der certo, a bolsa fará justiça com aqueles que preservaram suas áreas de mata. “É um mecanismo que, pela primeira vez, colocará dinheiro no bolso de quem manteve suas florestas em pé”, afirma Justiniano Neto, secretário do Pará do Programa Municípios Verdes. “Os produtores ganharão com as árvores, assim como ganham os que colocam boi ou soja em suas terras.”

Pelo Código Florestal, a lei brasileira que define a ocupação do solo no país, os donos de fazendas no Brasil precisam manter parte de suas propriedades com florestas, uma área chamada reserva legal. O percentual varia de acordo com a localização. Na Amazônia, a cobertura vegetal deve preencher 80% da terra. Na Mata Atlântica, 20%. Estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que 80% dos 5 milhões de imóveis rurais não têm reserva legal suficiente. São fazendeiros ou posseiros que desmataram além da conta por má-fé ou derrubaram a mata numa época em que a lei era mais permissiva. Depois da aprovação do Código, os devedores terão até 20 anos para se regularizar. Eles podem deixar a mata se recuperar sozinha ou investir num reflorestamento caro, reduzindo a área de produção atual. Uma terceira opção é comprar créditos de quem preservou.


Aí entra o negócio de Costa. A recém-criada plataforma da BVRio é uma espécie de imobiliária on-line. Em vez de casa ou apartamento, compram-se ou vendem-se as cotas ambientais. O fazendeiro Flávio Carminati, de Paragominas, no Pará, tem 12.000 hectares de terras com soja e milho. Embora, segundo ele, esteja em dia com sua reserva legal, diz que pretende comprar algumas cotas. “Se, no futuro, eu quiser comprar outras terras sem reserva legal, posso usar esse mecanismo para compensar”, afirma.


A floresta negociada na BVRio não se transformará toda em dinheiro imediato. Como não há uma quantidade suficiente de cotas para um mercado de pronta entrega, as transações acontecem no presente, mas só serão pagas no futuro. Enquanto isso, a bolsa ajuda a ter uma ideia do tamanho do mercado. E ainda pressiona o governo federal a regulamentar o novo Código – apesar de ter sido aprovado, ele ainda precisa de algumas normas para sair do papel. “A intenção da BVRio é criar mecanismos de mercado que facilitem o cumprimento das leis ambientais”, diz o fundador Pedro Moura Costa. “Com a demanda pela compra e venda de áreas verdes mais claras, ajudamos a acelerar a regulamentação.” Ele estima que o mercado de devedores ambientais pode gerar negócios de R$ 100 bilhões e R$ 500 bilhões, dependendo do custo médio das transações.
NA VANGUARDA
Imagem aérea de uma fazenda em Paragominas, no Pará. Para se regularizar, grandes produtores já estão atrás de cotas florestais para comprar ou vender.

Não é a primeira vez que os produtores que preservaram escutam a promessa de recompensa financeira. Isso ocorreu com planos para remunerar aqueles que mantiveram suas árvores e evitaram a emissão de gases que provocam mudanças climáticas. Mas o produtor nunca foi recompensado de forma satisfatória. “Já criaram muita expectativa, mas, por causa da morosidade do governo, nada aconteceu”, diz Mauro Lúcio Costa, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas. “Desta vez, há muita gente querendo vender e comprar.”


A biografia extraordinária de Costa é um bom argumento para convencer os produtores do sucesso da bolsa. Formado em engenharia agronômica, fez mestrado e doutorado em biotecnologia vegetal em Londres e, de lá, migrou para a Malásia no começo dos anos 1990. No sudeste da Ásia, desenvolveu o primeiro projeto de certificação de crédito de carbono do mundo. Fundou então sua antiga empresa, a EcoSecurities, que se tornou líder na venda desses créditos e foi comprada pelo banco JP Morgan. Enquanto era pesquisador, seus estudos para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas receberam o Prêmio Nobel da Paz. Agora, uniu-se ao advogado e irmão Mauricio Moura Costa para recompensar quem cumpre a lei ambiental. Pedro diz que não faturará com a bolsa. O lucro da BVRio alimentará um fundo para investir em projetos ambientais.

As florestas são só o começo. Em 2013, a bolsa negociará créditos de reciclagem entre a indústria e os mais de 800 mil catadores de lixo do Brasil. Nas raras horas vagas entre uma invenção e outra, a dupla ainda pode ser vista arriscando umas ondas no mar do Rio de Janeiro. Já o rock’n’roll...

19 de dezembro de 2012

Lagarde prevê expansão de 1,6% para economias avançadas em 2013

As economias avançadas deverão crescer mais rápido que o esperado no próximo ano, afirmou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, em comentários publicados em um jornal do Chile, no dia 16 de dezembro.

Lagarde afirmou ao jornal La Tercera que economias avançadas deverão crescer 1,6 por cento em 2013. A projeção está acima do último cenário oficial do FMI, divulgado em outubro e que previa avanço de 1,5 por cento das economias avançadas atingidas pela crise fiscal. Ela não alterou outras projeções do FMI.

"O cenário geral (global) para 2013 é de crescimento de 3,6 por cento, em média. Acreditamos que economias emergentes e economias de baixa renda vão se expandir em 5,6 por cento, enquanto as economias avançadas crescerão 1,6 por cento", disse Lagarde, segundo o jornal.

"Veremos uma ligeira melhora com relação a 2012", disse a diretora-gerente do FMI, que esteve no Chile no dia 14 de dezembro para uma conferência econômica. Para este ano, o FMI projeta um crescimento da economia global de 3,3 por cento.

18 de dezembro de 2012

Conheça 10 áreas em que faltam profissionais no Brasil

Todos os anos no Brasil, mais de 20 mil postos de trabalho no setor engenharia ficam em aberto porque não se formaram profissionais suficientes para preenchê-los.

Para lidar com esse déficit, faculdades vêm criando cursos mais voltados para áreas específicas (como petróleo) e institutos fazem parcerias como a fechada entre o Senai e o MIT (Massachusetts Institute of Technology) para operar centros de inovação no Brasil.

Mas não é apenas neste setor que há falta de profissionais. Segundo um estudo feito pela consultoria ManpowerGroup, 71% dos empregadores entrevistados no país dizem ter dificuldade para preencher postos nas mais diversas áreas - de motoristas a profissionais de tecnologia.

O dado fez com que o país ocupasse o segundo lugar entre os 41 países analisados - atrás apenas do Japão, onde 81% dos patrões sofrem mais para contratar, enquanto a média global é de 34%.

"De acordo com nossa pesquisa, a dificuldade de se preencher vagas no Brasil vem crescendo a cada ano. Do ano passado para cá, houve um crescimento de 15% na dificuldade relatada pelos empregadores em contratar", afirma Riccardo Barberis, diretor da Manpower Group no Brasil.

Barberis ressalta que a escassez se dá tanto na quantidade de profissionais como na qualidade deles, no caso de vagas que exigem conhecimentos específicos, e atinge cargos de nível superior e técnico.

Veja as 10 áreas no topo do ranking da pesquisa "Escassez de Talentos", da ManpowerGroup, e a opinião de especialistas sobre cada uma delas.

1º Técnicos

É no campo técnico que os empregadores mais enfrentam dificuldade para encontrar profissionais. E a escassez permeia todas as áreas técnicas, de automação a edificações, de eletrônica a alimentos e bebidas.

Segundo Barberis, no passado o curso técnico no Brasil era considerado um plano B, uma segunda opção. E por isso o investimento na área foi prejudicado, sendo incapaz de suprir a demanda atual.

O que fazer? Já se sabe hoje que os cursos técnicos oferecem uma oportunidade profissional mais rápida e, por isso, eles vem sendo valorizados e ganhando investimentos. Os especialistas concordam que o Brasil está caminhando na direção certa nesse setor.

"Mas diante da carência estrutural do mercado brasileiro, é preciso investir mais nessas políticas", afirma Barberis, citando o exemplo da Alemanha, que investe pesado em escola técnicas e é hoje um dos países na zona do euro com menor taxa de desemprego

2º Trabalhadores de ofício manual

Entram nessa categoria trabalhadores com uma habilidade específica ou autônomos especializados em um ofício, como costureiras, passadeiras, sapateiros, eletricistas, pintores, encanadores e pedreiros.

A escassez no Brasil segue uma tendência global, já que na média mundial a falta de profissionais nessa área é a primeira do ranking.

O que fazer? Como para muitas dessas profissões não são necessários cursos mais longos, de dois anos, basta um treinamento, trata-se, portanto, de um desafio menos complexo. Segundo Barberis, uma das saídas é conectar melhor jovens sem experiência, mas que querem trabalhar, por meio, por exemplo, de parcerias entre a iniciativa privada e o setor público.

3º Engenheiros

Uma pesquisa da consultoria PageGroup ilustra bem essa escassez. De mil oportunidades de emprego analisadas, 38% eram na área de engenharia. Boom na economia, a descoberta do pré-sal e megaeventos esportivos vêm alavancando o setor.

Para Marcelo De Lucca, diretor da PageGroup, faltou planejamento por parte do governo e das instituições de ensino. Ele cita ainda algumas das áreas da engenharia em que as faculdades voltaram a investir, como geologia, um setor que estava estagnado e que agora voltou a crescer.

O que fazer? De Lucca diz acreditar que as faculdades agora estão correndo para se atualizar e reverter esse cenário de falta de profissionais.

"As universidade começaram a se reposicionar em relação à demanda do mercado de trabalho", afirma. "Mas isso leva tempo para dar resultado, já que esses jovens vão se formar apenas em quatro ou cinco anos."

4º Motoristas

Faltam profissionais voltados para o setor de transporte de cargas, ou seja, motoristas de caminhão.

De acordo com a ManpowerGroup, isso se deve a mudanças no setor, como o fato de as transportadoras exigirem experiência e capacidade de conduzir caminhões cada vez mais modernos, com tecnologia avançada. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) afirmam que o número de veículos de carga registrados junto ao órgão é 2,5 vezes maior que o de profissionais inscritos.

O que fazer? No caso de caminhões mais modernos, fornecer mais treinamento.

5º Operadores de produção

O problema é semelhante ao caso dos profissionais de ofício manual, mas esses funcionários têm atuação mais técnica e trabalham na indústria. De acordo com especialistas, o crescimento da demanda não acompanhou o ritmo de formação e treinamento desses trabalhadores.

O que fazer? Segundo especialistas, são necessários cursos mais conectados com a necessidade das empresas. Outra sugestão citada é facilitar o modo como se recruta funcionários, divulgando a vaga em ambientes - reais ou online - frenquentados por jovens.

6º e 7º Profissionais de finanças e Representantes de vendas

Consultores da área de recursos humanos afirmam que empregadores têm sofrido uma dificuldade crescente para encontrar profissionais que atendam ao novo perfil da profissão.

De acordo com os especialistas, quem vende hoje precisa ter um conhecimento mais aprofundado, com mais habilidades na área de finanças e sistemas de comunicação em outros países, além de capacidade de pensar em soluções e gerir equipes.

O que fazer? Como a atividade está agora muito mais sofisticada, é preciso atualizar os cursos e focar nas áreas citadas acima.

Para reter talentos, Gilberto Cavicchioli, professor do Núcleo de Estudos e Negócios em Desenvolvimento de Pessoas da ESPM, afirma que são necessários benefícios diferentes do que se oferecia no passado.

8º Profissionais de TI

A escassez diz respeito a área de tecnologia em geral, seja dentro de empresas do setor ou em companhias que nada têm a ver com tecnologia especificamente.

A demanda em TI explodiu tanto em empresas de desenvolvimento de software como em bancos e companhias de telefonia celular, por exemplo, onde se cuida de gestão dos computadores e áreas de sistemas internos.

O que fazer? "As faculdades, como as de TI, precisam de mudanças mais radicais", afirma Barberis. "O programa Ciência sem Fronteiras é positivo porque têm uma visão mais global, olhando de forma mais ampla. Mas as iniciativas ainda são restritas."

9º Operários

Os especialistas avaliam que faltam profissionais em diversos setores da indústria brasileira e dizem que a escassez foi gerada pelo aumento da demanda, que tem sido enorme nos últimos anos.

São inúmeras obras por todas grandes capitais e, como os prazos são escassos, não há tempo hábil para se dar oportunidade a quem não tem experiência, de acordo com a ManpowerGroup.

Há também carreiras mais atraentes, e a possibilidade de cursos técnicos acaba afetando a quantidade necessária de trabalhadores no setor.

O que fazer? Novamente, a chave é sintonizar melhor as necessidades das indústrias e trabalhadores que buscam emprego.

10º Mecânico

A profissão vive um cenário que mescla a situação do setor de ofícios manuais e a de motoristas, com profissionais com uma habilidade específica, mas que precisa se atualizar.

O que fazer? Novamente, a resolução desse problema passa por mais treinamentos específicos e cursos de atualização, especialmente os ligados à novas tecnologias. Também é preciso atrair jovens sem experiência para essa área.

17 de dezembro de 2012

Eike Batista cai para 3º lugar no ranking de mais ricos do Brasil

 Eike Batista, presidente do grupo EBX: terceiro mais rico do Brasil, segundo Bloomberg.

Depois de ocupar o primeiro lugar entre os mais ricos do Brasil, o bilionário Eike Batista caiu para a terceira colocação após virem à tona novos detalhes sobre o contrato de venda de fatia do grupo EBX para a Mubadala , empresa de desenvolvimento e investimento estratégico de Abu-Dhabi, segundo ranking da Bloomberg. O negócio, fechado por US$ 2 bilhões, inclui uma cláusula segundo a qual o grupo árabe poderia receber uma participação adicional na holding em 2019 caso Eike não conseguisse entregar os 5% de retorno anual sobre o investimento acertados com o fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos.


De acordo com a Bloomberg, a cláusula fez com que a fortuna do empresário sofresse redução de US$ 6,8 bilhões, para US$ 12,7 bilhões. Com isso, Eike ficaria atrás de Jorge Paulo Lemann, da AB InBev, e de Dirce Camargo, do conglomerado Camargo Corrêa. No ranking global elaborado pela agência, o presidente do grupo EBX despencou para a 73ª colocação, contra a 36ª posição da lista no último dia 12, com fortuna estimada em US$ 19 bilhões.

Em 30 de novembro, o bilionário já havia perdido o posto de mais rico para Lemann , mas voltou a recuperá-lo no começo de dezembro graças à valorização das ações do grupo EBX. Logo após o anúncio do negócio com a Mubadala, no final de março, a fortuna de Eike foi estimada em US$ 35,5 bilhões.

16 de dezembro de 2012

Como falar bem no trabalho

Não importa qual é a sua profissão – todos os dias, você faz apresentações, ao tentar convencer de algo seu chefe, seu cliente ou sua equipe. O problema começa quando, ao lidar com uma ideia nova, um rosto estranho ou uma situação mais decisiva, o coração dispara, as mãos suam e a voz treme. São sintomas típicos de quem tem dificuldade de falar em público. Para ajudar você a lidar com a situação, fizemos um kit de orientações. Ele começa com um vídeo do palestrante e formador de palestrantes Roberto Shinyashiki e sete dicas para falar bem no ambiente profissional. Ele lançou em outubro o livro “Os segredos das apresentações poderosas” (Editora Gente). Entre as dicas de Shinyashiki, estão: 1) leve a sério qualquer oportunidade. Três minutos de exposição das suas ideias podem ser muito úteis; 2) use o tempo disponível para a apresentação. Respeite o limite definido pelo interlocutor; 3) defina um objetivo para a apresentação. Que resultado você quer a partir da sua fala?

- Dicas da equipe do TED (ONG americana dedicada à difusão de boas ideias por meio de ótimas apresentações)

- Sugestões de Nancy Duarte, especialista em apresentações, autora de“Slide:ology: The Art and Science of Creating Great Presentations” e “Resonate: Present Visual Stories that Transform Audiences”

- Apresentação de Nancy Duarte no TED sobre grandes apresentações

- Orientações de Nancy Darling, PhD em Psicologia, para que mesmo os tímidos se apresentem bem

- Software e aplicativos para organizar as ideias e fazer apresentações:

15 de dezembro de 2012

Como as disputas universitárias podem ajudar a formar profissionais melhores

EFICIÊNCIA Alunos do professor Demetrio Zachariadis, na Escola Politécnica da USP. Eles construíram um carro que rodou 160 quilômetros com 1 litro de gasolina (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA ).

Marcus Verrius Flaccus foi um ótimo professor na antiga Roma. Ele se tornou conhecido, no século I antes de Cristo, por introduzir a competição intelectual entre os alunos. Os melhores ganhavam livros antigos, belos ou raros. Impressionado com o método de Flaccus, o imperador Augusto confiou a ele a educação de seus netos, Caio César e Lúcio César. Graças à experiência romana, educação e competição têm uma relação íntima que dura até hoje. Flaccus reconheceria facilmente ecos de seu trabalho nas atuais olimpíadas de matemática.

Nos últimos anos, outro tipo de disputa educativa ganhou enorme espaço. São competições universitárias de cursos de engenharia, ciências e tecnologia. Elas exigem que os alunos construam equipamentos em equipe, a fim de vencer algum desafio. Nos Estados Unidos e naEuropa, o modelo de competições é muito comum e há um calendário anual recheado delas. NoBrasil, aos poucos, as competições se multiplicam e chamam a atenção dos estudantes. Atualmente, passam de 30.

Algumas delas já são tradicionais. É o caso do arremesso de ovo na Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG). Em abril, a prova chegará à décima edição (desafio: arremessar um ovo cru o mais longe possível, sem que ele se quebre na aterrissagem). Ou a construção de pontes de espaguete, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. Em novembro, ela chegou ao oitavo ano (desafio: construir uma estrutura de espaguete cru que resista ao maior peso possível). A elas, unem-se novidades, como a competição de pontes de palitos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU-MG), nascida no ano passado (desafio: s construir uma estrutura de palito, epóxi e cola branca que resista ao maior peso possível), e a corrida de carrinhos elétricos da Fundação Parque Tecnológico Itaipu (desafio: construir modelos de carros elétricos velozes, dirigidos por controle remoto, que enviem dados de desempenho ao controlador). Parece tudo muito divertido. Mas o que, exatamente, um concurso de arremesso de ovo propicia aos alunos e à sociedade que, paga pelo funcionamento de universidades públicas?

“Essas competições tornam o ensino interessante, desafiador, divertido e mostram os cantos mais escondidos do campo estudado, aonde os alunos normalmente não iriam”, diz Tom Verhoeff, professor de ciência da computação na Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda. Verhoeff é um entusiasta desse recurso de ensino e lançou em 2011 o artigo científico Beyond the competitive aspect of the IOI: it is all about caring for talent (em tradução livre, Além da competição na Olimpíada Internacional de Informática: o que importa é nutrir o talento). No Brasil, o professor Ricardo Capúcio, do Departamento de Engenharia de Produção e Mecânica da UFV, é um fã e adepto desse tipo de experiência desde 2003. Capúcio usa as competições de arremesso de ovo para mostrar o lado prático de uma disciplina de projeto de máquinas. Passaram por ela cerca de 400 estudantes. Em suas aulas, ovos já foram arremessados com estilingues, catapultas, foguetes de ar comprimido e bombinhas (proibidas recentemente, por questão de segurança). Como proteções para a aterrissagem, foram usadas combinações variadas de plásticos, colas, isopor e camadas de ar. O atual recorde de arremesso de ovo de seu curso é 102 metros.
BEM ESTRUTURADO
O professor Luis Segovia, do Departamento de Engenharia Civil da UFRGS, com uma ponte de macarrão. Uma dessas estruturas aguentou 234 quilos (Foto: Ricardo Jaeger/ÉPOCA).

“Fui motivo de chacota de outros professores. Diziam que isso não era engenharia”, diz Capúcio. “Mas as competições servem para que meus alunos constatem a existência de várias soluções para o mesmo problema.” Os estudantes também logo percebem o valor da brincadeira. “Começamos a disciplina com uma folha de papel em branco e terminamos construindo uma máquina completa”, diz Gustavo Veloso, mestrando em engenharia agrícola e vencedor da competição em 2010. Ele alcançou a glória ao lançar um ovo cru a 74 metros de distância. A carga chegou intacta ao solo. Capúcio se inspirou numa competição semelhante, com alunos que largavam ovos do alto de uma torre, observada em 2002 durante seu doutorado na Inglaterra. Esse tem sido o roteiro mais comum das competições – professores fazem pós-graduação no exterior e voltam com uma ideia na bagagem. O holandês Verhoeff diz que isso se repete mundo afora. Um organizador entusiasmado é o mais importante ingrediente para o sucesso desse tipo de projeto. Esse personagem costuma ser um professor. Mas outros tipos de patrono das competições começam a aparecer.


Quando era aluno, Felipe Quevedo, engenheiro civil formado pela UFRGS, participou da disputa de pontes de macarrão organizada pelo professor Luis Segovia (o docente se inspirara numa disputa semelhante, da Universidade de Okanagan, no Canadá). Depois de se formar, Quevedo continuou a tratar o assunto a sério. Conseguiu que a empresa onde trabalha como projetista estrutural, a Estádio 3 Engenharia, patrocinasse a competição de pontes de macarrão em sua antiga escola. Já passaram pela disciplina mais de 1.800 alunos, entre estudantes de arquitetura, engenharia civil, elétrica, química e de alimentos. As pontes de espaguete cru são submetidas a testes de peso. O recorde da competição, estabelecido em 2011, é de 234 quilos. Segundo Quevedo, a empresa tem interesse na formação dos alunos e acredita que a disputa ajudará a torná-los profissionais melhores. “Durante as competições, os alunos exercitam a capacidade de trabalho em grupo, comunicação, justificativa dos projetos e administração de prazos e recursos – tudo igual a um trabalho real de um engenheiro que lida com cliente e chefes”, diz o professor Segovia.

Para os alunos, esses são todos benefícios palpáveis. Essas experiências tendem também a melhorar quem ensina, desde que o professor que orienta a disputa se disponha a lidar com variáveis mais selvagens que aquelas bem domadas na lousa e nas páginas dos livros. Fora da sala de aula, os imprevistos dominam. Nem sempre é simples transformar a teoria em prática ou conciliar o que ocorre na prática com os ensinamentos teóricos. O professor Demetrio Zachariadis orienta os alunos da equipe Poli Milhagem, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Eles disputam a Maratona Universitária de Eficiência Energética, cuja edição mais recente ocorreu em julho (desafio: construir carrinhos capazes de carregar uma pessoa e percorrer a maior distância possível, à velocidade média de 25 quilômetros por hora, com o menor consumo de combustível). Entre os grandes ensinamentos desse tipo de competição, Zachariadis destaca a capacidade de lidar com os imprevistos. “Isso só se aprende na prática”, diz. “Tenho orgulho de oferecer uma estrutura teórica muito forte. Os projetos permitem ao aluno exercitar de formas novas o que eles aprendem.” Em 2012, o carrinho da Poli percorreu 160 quilômetros com 1 litro de gasolina. Um resultado impressionante, mas ainda distante do vencedor, do Colégio Técnico de Santa Maria, Rio Grande do Sul, que percorreu 280 quilômetros. A Poli Milhagem trabalha para surpreender em 2013. Eles pretendem reduzir o atrito dos pneus com o solo e melhorar a lubrificação do motor.


Nada disso significa que as competições possam ser adotadas de forma apressada. Elas são úteis, mas, em excesso, podem atrapalhar a educação, diz Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da USP. Segundo ele, o desafio é incluir as competições no aprendizado, sem deixar arestas. “Se a disputa for o elemento central, pode deixar um clima ruim e desanimar os estudantes”, afirma. Vencer é sempre bom. Mas, para os professores, os alunos e a sociedade, que paga a conta, o que importa mesmo é formar profissionais melhores e com ideias mais arejadas.
                           (Fotos: UNESP Bauru, Instituto Federal do Maranhão e UFV).



14 de dezembro de 2012

Crédito para imóveis já supera o de carros

O crédito destinado para o setor habitacional e imobiliário superou o do setor automotivo pela primeira vez no Brasil. A virada ocorreu em agosto e a diferença tem aumentado, revelam dados do Banco Central que foram elaborados pelo Estadão Dados.

Em setembro, as operações de crédito para compra de imóveis por pessoas físicas e jurídicas chegaram a R$ 334,6 bilhões, enquanto o setor automotivo ficou com R$ 319 bilhões. "O Brasil vem tirando um atraso no crédito imobiliário. Antigamente era muito difícil conseguir um financiamento", afirmou Luis Eduardo Assis, economista e ex-diretor do Banco Central.


O aumento do crédito imobiliário tem sido impulsionado pela pessoa física. Por esse recorte, o saldo já é maior do que o do setor automotivo desde janeiro. Este ano, até outubro, as operações de crédito imobiliário aumentaram R$ 57,3 bilhões, enquanto as do automotivo cresceram R$ 533 milhões.

O setor imobiliário foi beneficiado pela redução das taxas de juros, crescimento do emprego e aumento da massa de rendimento real. Por outro lado, o setor automotivo sofre uma ressaca da enxurrada de crédito que houve em 2009 e 2010, quando o governo reduziu impostos - como IPI - para ajudar na recuperação da economia e prazos para financiamento também foram alongados. Como reflexo dessas medidas, houve um aumento da inadimplência, o que fez com que as concessões fossem travadas este ano. Em outubro, segundo dados do BC, a inadimplência no setor foi de 5,9%, abaixo dos 6% em setembro, mas 1,2 ponto porcentual maior que o verificado em outubro do ano passado.


"Alguns bancos ficaram bem expostos nos seus processos de concessão de veículos. É natural que haja essa retração para limpar um pouco essa carteira e diminuir a inadimplência", diz Dorival Dourado, presidente da Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

13 de dezembro de 2012

Eike Batista volta a ser o mais rico do Brasil

Eike Batista ocupa a 36ª posição no ranking da Bloomblerg com os 200 mais ricos do mundo.

O presidente do grupo EBX, Eike Batista, voltou a ser o homem mais rico do Brasil, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, que divulga o ranking dos 200 mais ricos do mundo diariamente. Eike ocupa agora a 36ª posição, com uma fortuna estimada em US$ 19 bilhões, recuperando o posto que havia perdido para o maior acionista da Ambev, Jorge Paulo Lemman.

No último dia 30, com o mau desempenho da ações da OSX, Eike Batista teve sua fortuna liquída estimada em US$ 18,6 bilhões e caiu duas posições no ranking dos mais ricos, sendo ultrapassado por Lemman, que possuía US$ 18,7 bilhões.


A recuperação no ranking se deve à valorização das ações do grupo de Eike Batista, EBX, nesta última semana.

Segundo a Bloomberg, quando Eike Batista perdeu o posto de homem mais rico do Brasil, o empresário afirmou por e-mail que o País “merece ter mais brasileiros na lista [de biolionários]”, porém não quis comentar a perda de posição no ranking.

Atualmente, a lista dos 200 mais ricos do mundo é liderada pelo mexicano Carlos Slim Helú, dono de diversas holdings de telecomunicação, com uma fortuna estimada em US$ 73,3 bilhões, seguido por Bill Gates, fundador da Microsoft, com US$ 62,5 bilhões.

12 de dezembro de 2012

Donos da Avianca fazem oferta pela TAP

O grupo Synergy, controlador da companhia aérea Avianca, fez, no dia 07 de dezembro uma proposta para a aquisição de 100% da portuguesa TAP. O Synergy é único grupo que participa da fase final do processo de privatização da companhia aérea portuguesa. O fechamento do negócio depende da aprovação de autoridades locais.


O empresário José Efromovich, presidente da Avianca Brasil e controlador do grupo Synergy ao lado do irmão German, confirmou que a empresa segue no processo de aquisição da TAP, mas não revelou o valor oferecido pela aérea portuguesa.

Os irmãos Efromovich vão utilizar sua cidadania polonesa para comprar a totalidade da TAP. O artifício visa atender a legislação europeia, que proíbe que grupos de fora da região sejam controladores de companhias aéreas sediadas na Europa. "Meu pai e meus avós são nascidos na Polônia. Já tínhamos a naturalização. Essa questão do capital estrangeiro está superada", disse José Efromovich.

O empresário diz que a aquisição da TAP "tem todas as sinergias do mundo" com as outras duas companhias aéreas do grupo - a Avianca Brasil e a colombiana. A TAP é a companhia aérea estrangeira que voa para a maior quantidade de destinos no Brasil - são dez cidades no total. A empresa é líder na rota entre Brasil e Europa e leva cerca de 30% dos passageiros que viajam entre os dois continentes.

"Quando o negócio fechar, a primeira coisa que vamos fazer é integrar as malhas da TAP e da Avianca para levar mais passageiros da Europa para toda América Latina", disse Efromovich. O primeiro passo nesse sentido será um pedido de code share (compartilhamento de voos), que permitirá que uma empresa venda passagens da outra.

Apesar da atual crise na Europa, Efromovich entende que a aquisição de uma empresa portuguesa ainda é um negócio atrativo. "Existe uma demanda de turismo e de negócios entre Europa e América Latina que sempre fará as pessoas viajarem de lá para cá."

Cronograma

O governo português terá de decidir agora se aceita ou não a oferta dos irmãos Efromovich. A expectativa dos portugueses é que a decisão seja tomada até o fim do ano.

A análise do documento entregue pelo grupo será feita pelo Conselho de Ministros, que se reunirá nos dias 20 e 27 de dezembro. Procurados, o Ministério das Finanças e a Parpública, empresa pública que gerencia as participações do governo português em empresas, não deram detalhes sobre a proposta apresentada pelo grupo Synergy.

Disputa

Ao longo do processo de privatização, a TAP atraiu o interesse de gigantes do setor. A IAG, controladora da British Airways e da Iberia, chegou a manifestar disposição em disputar a aérea, que acumula dívidas de 1,2 bilhão de euros. No mercado, circularam rumores de que a asiática Qatar Airways e a alemã Lufthansa também estariam de olho no negócio.

O governo português nunca escondeu que gostaria que um grupo brasileiro entrasse na disputa pela sua companhia aérea estatal. Autoridades do país estiveram no Brasil no fim do ano passado e neste ano para tratar do tema com representantes do governo brasileiro e com companhias aéreas nacionais.

Além dos controladores da Avianca, executivos da TAM, Gol e Azul foram procurados pelos portugueses. A crise no setor aéreo e a alta do dólar neste ano, que vem afetando a rentabilidade das companhias brasileiras, levaram as empresas a adotar uma postura mais conservadora e ficar de fora da disputa. A única brasileira que se interessou pelo negócio foi a Avianca, por meio do seu grupo controlador.

11 de dezembro de 2012

Governo estuda manter IPI menor para linha branca

Mesmo contando com os efeitos das medidas já adotadas para fazer a economia voltar a crescer num ritmo de 4% em 2013, o governo estuda a possibilidade de manter alguns dos estímulos provisórios que deveriam ser retirados a partir de janeiro. Está em avaliação a prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de produtos da linha branca e do Reintegra, regime que devolve às empresas 3% do faturamento com exportações.


Os benefícios podem, no entanto, sofrer algumas adaptações. No caso do IPI para produtos da linha branca, o governo estuda a possibilidade de tornar permanente parte da redução do imposto para alguns itens, como os chamados tanquinhos. Não está descartada a renovação do IPI para carros, segundo uma fonte da área econômica.

Uma das preocupações do governo é com o impacto no crescimento econômico e na inflação decorrente da retirada total dos incentivos no primeiro trimestre do ano que vem. Há uma avaliação de que a volta do IPI cheio pode arrefecer o ímpeto da retomada da atividade industrial.


Os dados mostram que as empresas estão desovando os estoques nesta primeira fase de recuperação da economia e manter a expectativa de demanda é importante para que a produção cresça com mais força. Mas ainda não há decisão por causa do impacto fiscal da renovação, mesmo que parcial. Isso só deverá ocorrer no fim do mês. Ainda pesa contra a renovação o efeito colateral negativo no comportamento do consumidor de sucessivas renovações do benefício.

Reintegra

Segundo fontes, o Reintegra pode ter mudanças na lista de produtos que geram direito ao crédito. A ideia original era que a relação de produtos fosse apenas de manufaturados, mas alguns semimanufaturados foram incluídos. Por isso, o governo pode tornar a lista mais enxuta.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior defende a extensão do programa no modelo em vigor por mais um ano, mas a Fazenda entende que o programa é caro e questiona a efetividade dos resultados gerados. A equipe do ministro Guido Mantega não gostaria de prorrogar o Reintegra, que tem uma renúncia fiscal estimada em R$ 5,3 bilhões ao ano. Mas o governo enfrenta uma pressão do setor empresarial, que pede a sua extensão.


"Neste momento tão delicado da economia mundial e de redução do saldo da balança comercial brasileira fica difícil não ter a prorrogação do Reintegra", diz um técnico do governo. Essa fonte lembra que somente agora o programa está "azeitado".

O governo tem sido pressionado pelos empresários a tomar uma decisão rápida sobre o Reintegra. Eles argumentam que as empresas estão inseguras para fechar os contratos de exportação sem uma definição se poderão contar com o benefício em 2013.

Brasil Maior

O Reintegra foi um mecanismo estabelecido no Plano Brasil Maior - a política industrial do governo Dilma Rousseff - para devolver até 3% dos impostos pagos na cadeia produtiva aos exportadores de bens manufaturados.

Embora tenha sido anunciado em agosto do ano passado, a sua regulamentação saiu apenas no fim de 2011, quando efetivamente entrou em vigor. Na ocasião na edição da MP do Brasil Maior, o câmbio era ainda de R$ 1,56 por dólar. 

A lei prevê que a devolução dos impostos pelo Reintegra pode variar de 0,5% a 3% das exportações e ser definida conforme o produto.