23 de janeiro de 2014

Brasileiro é o mais impaciente com SAC

                    Quando contato é por telefone, 68% querem solução em 30 minutos.

Os consumidores brasileiros são os mais impacientes com os sistemas de atendimento ao consumidor, segundo uma pesquisa da consultoria Loudhouse, de Londres.

Quando o contato é feito por e-mail, 90% deles querem que o problema seja resolvido em até um dia. Nas redes sociais, 79% querem respostas em até duas horas. Esses são os maiores índices medidos entre os sete países em que a pesquisa foi realizada (Estados Unidos, Austrália, Brasil, França, Alemanha, Japão e Reino Unido). Foram entrevistados mil consumidores em cada país.

Quando o contato é feito por telefone, o país só perde para os franceses: 68% dos brasileiros querem uma solução em até 30 minutos, ante 73% dos europeus. “O brasileiro é muito exigente e impaciente. Se ele tem um problema com uma empresa, tenta resolvê-lo por todos os meios possíveis: telefone, e-mail, redes sociais etc.”, afirma Marcio Arnecke, diretor da companhia de tecnologia Zendesk, que encomendou o estudo. Para solucionar um problema, são 62% os brasileiros que dizem tentar todos os canais disponíveis – a média global é de 45%.

Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste, diz que um dos motivos dessa impaciência é a existência de diversos órgãos de defesa do consumidor, como os Procons, e uma legislação forte sobre o tema, algo que não existe nos Estados Unidos e na Europa, de acordo ela. Outro fator é a deficiência das empresas no pós-venda.

22 de janeiro de 2014

Harrods inglesa ganha direito exclusivo sobre a marca no Brasil

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a rede inglesa Harrods Limited tem o direito exclusivo de explorar a marca no Brasil. Os juízes entenderam que duas marcas semelhantes não podem coexistir no mercado e confundem o consumidor. Pela decisão, o nome comercial da empresa, que remonta a 1849, está protegido pelo artigo 8º da Convenção de Paris.
                                         Loja de departamentos Harrods, de Londres.

O processo envolve a exploração pelas marcas mistas Harrods, de titularidade da Harrods Limited, fundada em Londres, e Harrods Buenos Aires Ltd., constituída em 1913. A empresa inglesa pediu o cancelamento dos registros da concorrente no mercado brasileiro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), alegando imitação fraudulenta de suas marcas.


A Harrods Buenos Aires ingressou com recurso no STJ contra a Harrods Limited e o INPI, que cancelou seus registros no país, com o argumento de que o acordo assinado em 1913 garantia a exploração da marca em toda a América Latina e que empresa foi constituída pela Harrods Limited, mas adquiriu personalidade própria por decisão unilateral dos sócios. A titularidade da marca argentina no país foi registrada na década de 1920.

Em primeira instância, a 37ª Vara Federal do Rio de Janeiro havia anulado a decisão do INPI que impedia a Harrods Buenos Aires de explorar a marca no Brasil. Em segunda instância, o Tribunal Regional da 2ª Região (TRF2) concluiu que a anterioridade da marca pertencia a Harrods Limited, mas possibilitou a Harrods de Buenos Aires reivindicar, em ação própria, eventuais direitos pela exploração da marca.

Marca preexistente

Segundo o relator no STJ, ministro Luís Felipe Salomão, a Lei de Propriedade Industrial veda o registro de marca que imite outra preexistente, ainda que, em parte e com acréscimo, cause confusão ou associação com marca alheia. O ministro concluiu que, depois da cisão de pessoas jurídicas e constituição de patrimônios distintos, não há como permitir a coexistência das marcas, sem atentar contra a legislação e induzir os consumidores à confusão.

O ministro afirmou ainda que houve descuido da Harrods Limited ao não exigir a alteração do nome da recorrente. Salomão ressaltou que a legislação, além de criar um sistema que observa o direito das marcas, cria um sistema de contrapesos, baseado na repressão à concorrência desleal e ao aproveitamento parasitário.

"Independentemente do negócio firmado no passado", destacou, "não houve expressa autorização da sociedade anterior para manter os direitos de marca, de modo que se deve respeitar os princípios e a finalidade do sistema protetivo de marcas".

21 de janeiro de 2014

Petrobras nega decisão sobre reajuste de gasolina e diesel

O MME disse que pedirá à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que investigue o episódio.

A Petrobras divulgou nota no dia 15 de janeiro na qual "reafirma que não existe decisão para o aumento dos preços de gasolina e diesel".

Nesta tarde, notícia publicada na imprensa nacional sobre um suposto acordo entre o governo federal e a estatal para um aumento dos combustíveis em junho impulsionou as ações da Petrobras, que fecharam em alta de 3,21% nas ações ON e de 2,17% nas PN.


O Ministério de Minas e Energia (MME) também negou a informação, publicada no site do jornal "Folha de S.Paulo".

O MME disse que pedirá à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que investigue o episódio, por causa do efeito provocado nas ações da estatal. "Esse tema não foi tratado pelo governo federal e é privativo da Petrobras", disse o ministério, na nota.

20 de janeiro de 2014

Como a Azul, Avianca cria teto de tarifas em R$ 999 para a Copa

                                              José Efromovich, presidente da Avianca.

Seguindo o exemplo da Azul, a Avianca anunciou no dia 14 de janeiro que também vai adotar um teto tarifário de R$ 999 o trecho para as passagens aéreas durante o período da Copa do Mundo. Mas para ampliar a oferta da concorrente, que na semana passada divulgou a estratégia somente para o período correspondente ao evento, de 12 de junho a 13 de julho, a companhia já começa a operar com o limite de preços em 1º de fevereiro, com encerramento do prazo em 31 de julho.


Segundo o presidente da Avianca Brasil, José Efromovich, a iniciativa é uma maneira de garantir que os preços não serão abusivos em função do aumento da demanda previsto para a época. O executivo ainda ressaltou que a política tarifária da companhia, cujo tíquete médio é de R$ 315, não sofrerá alteração em virtude da implementação do preço máximo.

“Nossa proposta é oferecer a melhor experiência de voo com o preço mais justo possível. Em função disso, olhamos para o mercado e decidimos pelo teto. Se o cliente for surpreendido pelo preço de R$ 1,6 mil, ele não vai pagar mais de R$ 999. O nosso sistema vai automaticamente cortar os valores dos trechos que hoje estão acima do teto”, explica. “Não quer dizer que o trecho vai custar R$ 999. Estamos falando que o cliente vai pagar, no máximo, esse valor”.

Para suprir a demanda, a aérea prevê um aumento de 6,4% no número de voos diários internos, passando de 176 para 187 durante o período da Copa, totalizando 430 voos extras no período considerado para o evento. Extra-oficialmente, a empresa já teria recebido a confirmação do governo para intensificar suas atividades nos hubs das cidades do Rio, Brasília e São Paulo, que estão conectados com os demais destinos da Copa, como Fortaleza, Recife, Salvador, Natal e Cuiabá. Hoje, o setor espera receber a confirmação do governo através da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para o incremento de voos durante o evento.

Se o receio dos consumidores em relação aos exageros tarifários para junho e julho deste ano já é página virada na avaliação da Avianca, os gargalos logísticos em algumas das cidades-sede ainda geram preocupação para a companhia. “Se a gente considerar que Fortaleza deve receber cem voos por causa de um jogo do Brasil, sabemos que o aeroporto não comporta nem a metade dessas aeronaves estacionadas. Esperamos que a Anac consiga fazer um bom plano de contingenciamento”.

Os aeroportos cheios, com voos extras, também aumentam o receio de Efromovich em relação aos atrasos. O executivo, no entanto, admite que a companhia pouco pode fazer em relação a isso. E acredita que a privatização dos aeroportos já será suficiente para amenizar eventuais problemas dessa ordem. “O caminho é esse mesmo. É o modelo correto. A gente só lamenta que muito do que deve ser feito só ficará pronto depois da Copa”.

A Avianca ocupa o quarto posto do mercado, com 7,71% de participação. Em terceiro está a Azul, com 12,94%. Na disputa pela liderança, TAM (38,81%) e Gol (36,4%) também estudam medidas relacionadas à Copa do Mundo. No dia 13 de janeiro, a TAM confirmou a solicitação de mil novos voos para junho e julho, sendo 850 para o mercado doméstico. Se aprovada, a operação deve demandar R$ 50 milhões de investimentos. Já a Gol disse que só vai se pronunciar após a confirmação da Anac.

19 de janeiro de 2014

Coca-Cola relança minigarrafinhas em comemoração à Copa no Brasil

                                           Coleção de minigarrafinhas da Coca-Cola.

A Coca-Cola relançou no dia 15 de janeiro as clássicas garrafinhas em miniatura da década de 1980, em comemoração à Copa do Mundo no Brasil. A promoção faz parte da campanha “Minigarrafinhas de Todo Mundo”.


As miniaturas serão oferecidas em 18 modelos de alumínio decorados com as bandeiras dos países que já sediaram o torneio (Argentina, Chile, Uruguai, México, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Espanha, França, Itália, Suécia, Suíça, África do Sul, Japão, Coréia do Sul) e dos três próximos países-sede (Brasil, Rússia e Catar).

Haverá também garrafinhas especiais da marca e miniengradados para armazenar as miniaturas.

Promoção

Para participar, é preciso juntar tampinhas ou anéis de latinhas – que terão cores com pontuações diferentes. As verdes valerão de dois a quatro pontos, enquanto as cinzas valerão um ponto. Para cada garrafinha ou miniengradado, é necessário acumular quatro pontos mais R$ 3,80.

Entre o dia 15 de janeiro e 28 de fevereiro, os copos de refrigerante do Mc Donald’s também participarão da promoção. Cada copo valerá dois pontos.

18 de janeiro de 2014

Empresa cria aplicativo de celular para pedir demissão via mensagem

O Quit Your Job foi inspirado em outro aplicativo, chamado BreakupText, de relacionamento.

Está pensando em pedir demissão? Um novo aplicativo pretende aliviar o estresse e a ansiedade de confrontar o chefe com a notícia, enviando apenas uma mensagem de texto por celular.

Apesar de o novo aplicativo para iPhone ter sido criado para ser engraçado, seus criadores esperam que as pessoas recorram a ele no momento de deixar seus empregos.


O aplicativo "Quit Your Job" ("peça demissão") faz o usuário tomar uma série de passos para determinar por que está deixando o emprego e depois elabora uma mensagem de texto que é enviada diretamente ao chefe.

"Apesar de todos os avanços da tecnologia, nós ainda pedimos demissão da mesma forma que fazíamos cem anos atrás", disse Alex Douzet, presidente-executivo da TheLadders, empresa de recursos humanos sediada em Nova York que produz o aplicativo.

O Quit Your Job foi inspirado em outro aplicativo, chamado BreakupText, que permite ao usuário terminar relacionamentos via mensagem de texto.

17 de janeiro de 2014

Empresários transformam prato típico inglês em comida de rua em São Paulo

Servido nas ruas de Londres, tradicionalmente em jornais, o petisco de peixe e batatas agora é vendido nas ruas de São Paulo.

Prato típico da Inglaterra e tradicionalmente servido em papel de jornal, o fish and chips (porção de batata e peixe, ambos fritos) agora chegou às ruas de São Paulo. No dia 02 de dezembro, Hermes Ricardo Bernardo Junior e Victor Schimitz Rosse iniciaram as operações da Fichips, empresa que funciona em uma van e que ainda não tem local fixo, mas aposta inicialmente na região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini (zona sul de São Paulo).

A ideia de criar o empreendimento surgiu quando Hermes foi para Londres e experimentou o prato. Ao voltar para o Brasil começou, juntamente com Victor, a fazer um planejamento de negócios, financeiro, de marketing e de retorno do investimento, que durou cerca de oito meses.

Com um tapete vermelho, decoração com mimos que trazem uma pequena parte da Inglaterra a terras brasileiras e um guarda real chamado Aquiles, o empreendimento traz, além do fish and chips por R$ 12, porções de anéis de cebola fritos – os famosos onion rings – e porções de batata frita por R$ 8. “A minha ideia foi justamente trazer o sofisticado para as ruas. Nós tratamos os clientes como reis e rainhas, servidos com um tapete vermelho”, conta Hermes.


Na Inglaterra, no entanto, o peixe utilizado é o hadoque ou o bacalhau; mas por ser inviável utilizar a mesma matéria-prima, por conta dos altos preços, os sócios preferiram usar o filé de Saint Peter, que é mais acessível. Para conservar os produtos, Hermes e Victor têm um freezer dentro da van.

Além das porções já oferecidas, os sócios pretendem adicionar mais pratos ao cardápio, como o chicken and chips e a batata doce frita. Para os que gostam de um doce depois das refeições, a Fichips firmou uma parceria com a Sorvetes Londres, que fornece picolés, sorvetes de massa e sundae.

Hermes Bernardo e Victor Rosse têm um projeto de colocar em circulação mais vans do Fichips. Como a empresa é nova e ainda tem muito chão pela frente, não é possível abrir franquias, mas podem surgir outros foodtrucks abertos e administrados pelos próprios sócios. “Nos primeiros dias nós ficamos meio desanimados, mas foi só um começo. Futuramente, nosso objetivo é abrir franquias”, conta Hermes.

Por enquanto, além da venda de petiscos na hora do almoço, os empresários investem na participação em eventos de universidades e na venda de porções durante a noite, com iluminação de led, inicialmente na Parada Inglesa (zona norte da capital paulista).

Regulamentação e os grandes restaurantes

Os empreendedores apoiam a nova lei que regulamenta o comércio de alimento das ruas da capital paulista, sancionada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) no fim do ano. “A fiscalização e a regulamentação são válidas, tem que ver como vai ser esse procedimento pra operar na rua”, diz Hermes. “Nós temos um curso de manipulação de alimentos pela prefeitura, temos uma empresa aberta, nós pagamos os impostos direitinho. Eu já venho com a nota fiscal de todos os produtos dentro da van. Nós procuramos agir certo”, completa.

Sobre a guerra travada pelas grandes redes de restaurantes contra a comida de rua, Hermes Junior diz que esse embate sempre existiu, mas que só que agora teve uma maior repercussão por conta da regulamentação. “Os grandes não têm razão para se preocupar. Os lugares que eles ficam são dentro de shoppings, não acredito que haja uma concorrência”, diz.

Mesmo com restaurantes e lanchonetes por perto, nenhuma ameaça foi feita a eles. A não ser a de uma senhora, incomodada com o movimento da van, parada em frente ao prédio em que reside. “Ela pediu que parássemos em outro local porque ia atrapalhar a visão do prédio dela”, conta Hermes.

16 de janeiro de 2014

Seguro popular de veículo reduz proteção para atrair cliente de baixa renda

Seguro barato, proteção menor. Essa é a mais nova proposta das seguradoras para atrair proprietários da frota de 72% de veículos ainda não segurados no Brasil. Com um custo até seis vezes menor e uma cobertura compacta, o produto batizado de "seguro popular" mira consumidores dispostos a correr mais riscos e pagar menos pela apólice.
             Seguro que não cobre colisão de automóvel pode ficar até 50% mais barato.

É o caso do engenheiro paulistano Vagner Vasconcelos, de 41 anos, que aceita desembolsar em torno de R$ 50 por mês (ou R$ 600 por ano) por um seguro que cubra apenas furto e roubo de seu automóvel, dispensando outras coberturas. “Em 15 anos como segurado, nunca sofri uma batida e só tive duas solicitações de socorro. Uma delas foi na porta de casa e outra dava para me virar sozinho”, conta ele.


Um seguro com as coberturas tradicionais (colisão, incêndio, dano a terceiros, roubo e furto) pode variar entre R$ 1 mil e R$ 10 mil por ano, a depender de perfil do segurado (idade, sexo), localização do veículo e tipo de carro (como marca e ano). Mas o preço pode não ser apenas uma questão de perfil.

Uma simulação da corretora online de seguros minutoseguros.com.br, feita este mês, mostrou que um seguro para uma mulher que mora em Salvador, proprietária de um Fiat Strada 1.4 (ano 2013), pode ter uma diferença de preço de até 73% entre as seguradoras, com o mais barato a R$ 2.514,26 e o mais caro R$ 9.499,23.

Apenas furto e roubo

A BNP Paribas Cardif do Brasil foi uma das primeiras a lançar um seguro com proteção simplificada para veículos no Brasil, o Autofácil, em 2008. A partir de R$ 79,90 por mês – o valor pode aumentar conforme o perfil do carro e do segurado –, é possível contratar uma apólice que cubra apenas roubo e furto – e por mais R$ 10 mensais, assistência 24 horas.

“Restringimos algumas coberturas para criar um produto entre 30% e 50% mais barato que os seguros tradicionais”, explica Adriano Comparoni, diretor comercial de automóveis da seguradora.

O público-alvo deste tipo de seguro são clientes de baixa renda, sem recursos para arcar com uma proteção mais abrangente. A maior parte é de proprietários do primeiro veículo, quase sempre financiado, e jovens que acabaram de tirar carteira de habilitação, classificados com de perfil de alto risco pelas seguradoras – o que encarece demais o produto.

Em 2013, a Cardif do Brasil comercializou em torno de 3,5 mil apólices deste tipo de seguro por mês, segundo Camparoni, para quem o Brasil ainda engatinha neste conceito de cobertura para veículos.

Os seguros massificados representam hoje 11% do total do mercado segurador no Brasil. “Ainda há muito espaço para crescer”, acredita o executivo.

De olho na nova classe média

A Caixa Seguros também lançou, em novembro, o seu seguro simplificado de veículos a R$ 220 por ano, com opção de parcelar em até dez vezes. O produto inclui assistência 24 horas, danos corporais a terceiros (responsabilidade civil) e acidentes pessoais para os ocupantes do veículo. Em contrapartida, não cobre danos ao veículo, como colisão ou incêndio, nem furto e roubo.

Segundo o diretor de riscos diversos da Caixa Seguros, Luis Alberto Charry, o objetivo é alcançar proprietários de veículos que contratam seu primeiro seguro. “Pretendemos atingir o mercado que a nova classe média vem ocupando nos últimos anos”.

O Brasil tem hoje 15 milhões de veículos segurados, o equivalente a 28% da frota em circulação. Com a atual incidência de roubos de automóveis e motocicletas no País – em torno de 450 mil unidades todos os anos, segundo a Fenseg (Federação Nacional de Seguros Gerais) – é alto o potencial para reduzir a frote desprotegida.

Mas de acordo com o advogado e especialista em mercado segurador, Antonio Penteado Mendonça, o verdadeiro seguro popular de veículos ainda não está no mercado por falta de regulamentação ou de uma lei.

O que se oferece hoje pelas seguradoras, afirma Mendonça, é apenas um seguro barateado por oferecer menos coberturas. “O consumidor que adquirir o produto precisa saber que correrá mais riscos com essa proteção reduzida”, alerta.

Seguro popular x cobertura reduzida

O projeto de se criar um seguro popular, segundo Mendonça, permitirá a substituição de peças pelas usadas, o que deve baratear o produto. Enquanto um paralama e capô novos de um automóvel popular chegam a custar R$ 900, essas peças recicladas custariam R$ 350, de acordo com a Fenseg.

A reposição de peças usadas será destinada a carros com mais de cinco anos de uso, reduzindo o valor da apólice em até 30%. Por enquanto, contudo, este tipo de seguro ainda carece de regulamentação ou de uma lei que permita a reutilização das peças, hoje proibida.

Tramitam no Congresso Nacional dois projetos de lei (PL 617/2011 e PL 23/2011) que podem permitir a introdução do seguro popular no mercado brasileiro ainda em 2014, acredita o advogado Penteado Mendonça.

“O seguro entendido como popular deve ter quase as mesmas coberturas que o tradicional, e ficará mais barato não em função de coberturas menores, mas do custo reduzido das peças de reposição”, explica.

15 de janeiro de 2014

Desafio: americana come por um ano apenas na Starbucks

Com um projeto de alimentação saudável na Starbucks, Beautiful Existence não deixou o clássico café de lado.

Durante todo o ano de 2013, uma americana de 40 anos residente em Seattle cumpriu um desafio: alimentar-se por 365 dias na rede Starbucks de maneira saudável.

Para compartilhar a experiência com outras pessoas, Beautiful Existence – nome escolhido por ela há dez anos e que consta na carteira de identidade – criou o blog For 1 Year of My Life (por um ano da minha vida, em português).

A ideia não é nova. Passar um ano se alimentando apenas de uma rede de fast food já foi tema até de documentário, como o "Super Size Me". O protagonista teve como meta alimentar-se por 30 dias apenas com o cardápio do McDonald's. Ele foi acompanhado por um médico.

Ao final, os resultados constataram que sua saúde foi afetada. A produção repercutiu negativamente para a rede americana de fast food.

Mas o mesmo não aconteceu no caso recente da Starbucks, que teve apoio nas redes sociais e em seu blog.

Segundo Beautiful Existence, a escolha da tarefa foi espontânea. Ela garante não ter recebido nenhum tipo de patrocínio ou incentivo financeiro para cumprir a missão. “Minhas irmãs foram baristas por quase oito anos e a companhia tem cuidado dela e dos meus sobrinhos. Investiguei mais a empresa e percebi que o desafio seria possível, graças à variedade de opções na área de Seattle”, conta Beautiful.

A americana não passou o ano apenas tomando café e comendo muffins, como alguns podem imaginar. A variedade de produtos se deve a lojas-conceito e a outras marcas da empresa, como Evolution Fresh, que oferece smoothies, saladas, ovos mexidos e outras opções; Starbucks Evenings, com um menu de aperitivos quentes e pequenos lanches; Teavana, que serve sanduíches, pães e saladas ; além de Seattle’s Best Coffee, Tazo, La Boulange e Sodo Kitchen.

Nas lojas da companhia de fast food, Beautiful Existence escolheu produtos mais leves e naturais, que a ajudaram a ter um estilo de vida saudável, com uma dieta balanceada. Durante 2013, ela gastou cerca de US$ 7 mil no total, sem nenhuma ajuda de custo.

A moradora de Seattle reciclou as embalagens descartáveis guardadas em casa e utilizou-nas para fazer outros objetos, como um mosaico colorido.

Sem patrocínio

A Starbucks, apesar de não ter desembolsado um centavo para pegar carona na proposta, como afirma Beautiful Existence, aproveitou para ganhar visibilidade.

Segundo a desafiante, a empresa colocou o link do post "Top 5 Ways to Be Healthy at Starbucks" (em português, 5 maneiras de ser saudável na Starbucks) nos canais de mídia da companhia.

“Eu não poderia dizer que eles me encorajaram ou endossaram o que eu fiz, mas eles postaram meu link sobre lições de saúde. Então, eu acredito que eles sentiram que o que eu escrevi naquele post foi ao menos apropriado para ser transmitido em seus canais de mídia”, afirma.

Procurada, a Starbucks diz ter aprovado a iniciativa. “Nós nos empenhamos para deixá-la a par de novas ofertas de alimentos da Starbucks ao longo do ano e tivemos um ótimo relacionamento com ela”, informou por meio de nota. 

Reflexo na marca

De acordo com Alexander Sugai, CEO e especialista em gestão de marcas da Dragon Rouge, empresa de design e inovação, há duas consequências de um movimento como o que foi feito pela desafiante da Starbucks.

Como o resultado da experiência da Beautiful Existence foi positivo, teve um impacto favorável à empresa. Mas poderia ter sido diferente se a americana tivesse, por exemplo, engordado ou enfrentado problemas de saúde.

"O experimento dela não teve um acompanhamento, não é científico, ninguém pode garantir que ela não comeu em outros lugares", pondera Sugai. "E se o resultado fosse negativo, qual seria a reação da Starbucks?", lembra.

A segunda consequência é que o futuro da marca não é ditado pela própria corporação, mas pelos consumidores. "Com pessoas em redes sociais, YouTube e uma câmera nas mãos, como é que a empresa pode ser dona do próprio futuro?", questiona.

O que cabe às companhias, segundo Sugai, é fazer tudo certo, ser transparente, vender produtos de qualidade e ter um bom relacionamento com o cliente.

Próximo desafio

Para este ano, Beautiful Existence já tem outro desafio – desta vez com patrocínio. Ela fechou uma parceria com a REI, rede americana de artigos esportivos, e a proposta é aprender pelo menos 80 esportes ao longo do ano, além de correr seis maratonas.

“Eu treino seis dias por semana, então minhas escolhas de alimentos e bebidas estão voltadas para manter o meu regime de treinos vigorosos, mas com algumas guloseimas aqui e ali”, conta.

14 de janeiro de 2014

Quatro empresas de ônibus cobram preço idêntico no trecho Rio-São Paulo

                                          Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo.

Quem quiser ir de São Paulo para o Rio de Janeiro em ônibus convencional no dia 09 de janeiro pode escolher entre quatro viações. Apesar da quantidade de opções, o valor cobrado pelas empresas é o mesmo: R$ 74,50 para ir e R$ 80,90 para voltar em qualquer uma delas.

A maior ligação rodoviária entre dois Estados brasileiros é a única, entre as dez maiores do País, em que todas as empresas concorrentes praticam exatamente o mesmo preço no serviço convencional, o mais em conta.

Em média, a diferença entre o maior e o menor preço nos dez trechos com maior número de passageiros (veja a lista abaixo) é de 12%, mas há variações importantes. De Curitiba (PR) para Florianópolis (SC), a maior tarifa é 38% mais cara do que a menor. Do Rio de Janeiro (RJ) para Juiz de Fora (MG), conexão operada por duas viações associadas, a diferença é de 1%.

O levantamento foi feito nesta semana nos dados da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTT) e junto às viações. O órgão regulador tenta, sem sucesso, realizar um leilão das linhas interestaduais. Na análise da superintendente de Serviços de Transporte de Passageiros da ANTT, Sônia Rodrigues Haddad, o processo licitatório ampliará a concorrência em 41% das atuais linhas – inclusive entre Rio e São Paulo. Mas só poderão participar as empresas que já atuam nesse mercado.

Concorrência rodoviária
TrechoPassageiros/AnoViações autorizadas a operar serviço convencional e localizadasDiferença da maior para a menor tarifa (em%)
Rio de Janeiro - São Paulo 
1.471.974
40
São Paulo - Curitiba
658.405
316
Belo Horizonte - São Paulo
605.786
26
Recife - João Pessoa
583.050
26
Rio de Janeiro - Belho Horizonte
511.430
216
Rio de Janeiro - Juiz de Fora (MG)
467.244
21
Brasília - Goiânia
452.116
12
Brasília - Formosa (GO) 
446.810
1-
Curitiba - Florianópolis
317.543
338
Curitiba - Joinville (SC)
317.543
213

Pelo teto

Cinco viações são autorizadas a atuar na ponte rodoviária Rio-São Paulo, por onde trafegam cerca de 1,4 milhão de pessoas por ano, segundo uma pesquisa da ANTT: Expresso Brasileiro, Viação Itapemirim, Expresso Kaiowa, Expresso do Sul e Auto Viação 1001 – essas últimas, do mesmo grupo JCA. Uma sexta, a Transportes Coletivos Brasil (TBC) possui aval judicial, mas não informou os preços que cobra.

O passageiro que pretende viajar em serviço leito – o mais caro de todos – também não encontrará grandes diferença de preço entre as quatro opções: 3% (de R$ 159,50 a R$ 163,50) para o Rio e 6% (de R$ 159,50 a R$ 163,50) para São Paulo. Não foram considerados os serviços leito diferenciados, como aqueles identificados pelas empresas como 1ª classe ou double deck. 


Os intervalos estão maiores, por outro lado, no serviço executivo – considerado um intermediário entre o convencional e o leito. Nele, há cinco opções e as diferenças chegam a 27% (R$ 84,24 a R$ 107,50) para o Rio e de 18% (de R$ 85 a R$ 100) para São Paulo.

A ANTT estabelece tarifas máximas para cada trecho e tipo de serviço (convencional, executivo e leito). As empresas são livres para praticá-lo ou conceder descontos se assim desejarem. Ricardo Vilaronga, gerente comercial da Expresso Brasileiro, avalia que no caso da ponte rodoviária Rio-São Paulo, há pouca margem para ofertas.

“Pelo cliente, com certeza seria melhor se fosse mais baixo. Mas o entendimento é que [o valor praticado] é um preço justo”, afirma, lembrando ainda que as promoções têm de ter duração limitada.

A 1001 informou, em nota, que as tarifas praticadas estão de acordo com os valores autorizados pela ANTT. Um representante da Kaiowa ressaltou que a viagem entre Rio e São Paulo é parte de uma linha maior, que liga Foz do Iguaçu à capital fluminense. As demais empresas não comentaram.
                                      Fila no Terminal Novo Rio, na capital fluminense.

Prato feito

Para o presidente da Comissão Técnica de Ônibus da Associação de Transportes Públicos, Claudio Frederico, o sistema de transporte rodoviário interestadual está preso numa lógica de prato feito: um sucesso, mas com preços e composições semelhantes em todo o lugar.

Frederico argumenta que as empresas têm pouca flexibilidade para mexer nas tarifas e na oferta de serviços – não é possível, por exemplo, propor novas linhas – que, ainda assim, têm feito sucesso entre a população.

“Essa tutela [do governo] tem gerado pequenas variações de preços. Se ninguém pode mudar muito, não vai haver mesmo muita diferença de preço”, diz. “É provável que o teto [para Rio-São Paulo] seja baixo e que a linha, embora nesse preço, tenha uma boa demanda.”

A sugestão do consultor é aplicar ao sistema rodoviário o mesmo modelo usado no setor aéreo, em que as empresas são livres para dar descontos individualizados, e não a todos os passageiros de uma mesma viagem, por exemplo. Isso é impedido pelas atuais regras.

“Foi adotado [na aviação brsaileira] o sistema utilizado em todo o mundo de 'yield management',em que os preços dependem de diversos fatores como antecedência da compra, época do ano e da semana, tempo de permanência e cotas de assentos por viagem. Isso acarreta, é óbvio, preços muito baixos, sempre elogiados, e outros muito altos, sempre criticados”, afirma o pesquisador.

Esse não é o modelo previsto no leilão do sistema rodoviário que a ANTT pretende realizar – e que está suspenso por tempo indeterminado por decisão judicial. A agência, entretanto, acredita que o certame pode levar a uma redução mínima de, em média, 4% nos preços atualmente praticados.

Em entrevista em dezembro, a superintendente de Serviços de Transporte de Passageiros da ANTT, Sônia Rodrigues Haddad, disse que "com certeza" o leilão levaria a uma situação em que pelo menos parte das empresas de um determinado trecho deixassem de praticar o teto tarifário.