19 de março de 2014

Teens empreendedores vivem dilema: ganhar dinheiro ou estudar?

Ryan Orbuch, de 16 anos, levou a mala até a porta da frente da casa da família em Boulder, estado norte-americano do Colorado, em uma manhã de sexta-feira um ano atrás. Ele ia para o ponto de ônibus, depois para o aeroporto e, enfim, Texas. "Estou indo", ele falou para a mãe. "Você não pode me impedir." 

Stacey Stern, a mãe, ficou se perguntando se ele estava certo. "Eu pensei rapidamente: será que mando prendê-lo no portão?"

Na verdade, Stacey estava em conflito. Será que ela deveria impedir o filho de partir em sua primeira viagem de negócios?
Michael Hansen (esq) and Ryan Orbuch, criadores do aplicativo Finish, e um amigo no TEDxTeen em Nova York.

Ryan ia para o Sul por causa da Southwest Interactive, conferência de tecnologia em Austin, onde planejava falar sobre um aplicativo que ele e um amigo criaram. Chamado Finish, a intenção era ajudar as pessoas a deixar de adiar coisas, e ocupava o primeiro lugar na categoria produtividade na loja de aplicativos da Apple. Ryan também estava cheio de motivação para ir porque "havia gente muito boba, e eu gosto da profundidade das pessoas inteligentes".

Stacey adorava a paixão do filho, mas disse que somente poderia ir a Austin se terminasse a lição de casa que deixara de lado enquanto construía o aplicativo. Porém, Ryan não obedeceu e, como pais cansados de guerra em todo lugar, ela o deixou ir mesmo assim.

Ryan agora tem 17 anos e está no último ano do ensino médio. Ele é um entre os muitos adolescentes com capacidade tecnológica e visão empreendedora interessados em fazer negócios a sério. Seu trabalho é possibilitado pelas ferramentas de baixo custo ou gratuitas para produzir aplicativos ou programar jogos, e são encorajados pelas empresas de tecnologia e adultos do setor que os incentivam, às vezes com apoio financeiro, a acelerar a transição para o mundo real. A onda de inovação e empreendedorismo juvenil parece não ter precedentes, diz Gary Becker, economista da Universidade de Chicago e premiado com o Nobel.

Becker avalia este tema a partir de uma posição favorável particularmente íntima. Seu neto, Louis Harboe, de 18 anos, é amigo de Ryan, um adolescente apaixonado por tecnologia que faz o segundo parecer um florescimento tardio. Louis conseguiu o primeiro trabalho freelance aos 12 anos, desenhando a interface de um jogo para iPhone. Aos 16 anos, Louis, que mora com os pais em Chicago, foi estagiário durante as férias de verão na Square, empresa de pagamentos online e móveis de São Francisco, recebendo US$ 1 mil por semana, mais US$ 1 mil de auxílio moradia.

Dilema sobre os estudos

Ryan e Louis, que se conheceram na internet na rede informal de jovens desenvolvedores, se encontraram em março, em Austin, na South by Southwest. Eles também estavam esperando notícias das faculdades nas quais se inscreveram no final do ano passado – parte do universo paralelo em que também vivem, aquele tradicional com notas, provas e responsabilidades juvenis. No entanto, ao contrário dos colegas para quem a universidade é o único objetivo, eles questionam se devem continuar estudando.

Becker, que estuda Microeconomia e Educação, tem repetido para o neto fazer faculdade. Segundo ele, a universidade é um passo claro para o sucesso econômico. "As provas são irrefutáveis."

Contudo, a ideia de "faça agora", pregada no púlpito digital, pode parecer mais imediata do que o empirismo acadêmico. "Faculdade não é pré-requisito", afirma Jess Teutonico, diretora da TEDxTeen, versão das palestras e conferências da TED para a juventude, onde Ryan falou há algumas semanas. "Essa molecada está motivada para conquistar o mundo. Eles precisam de velocidade. Eles precisam fazer agora."

Estilos que se complementam

Ryan e seu parceiro comercial, Michael Hansen, de 17 anos, se conheceram no sétimo ano. Ambos tinham um iguana de estimação e gostavam de computadores. Eles tinham jeito de muito estudiosos sem ser, sendo que um completava o outro: Michael é preciso e, como seu cabelo curto, pouco chamativo. Na parceria, ele é o programador. Ryan é o cheio de energia; ele fala em tuítes verdadeiros, com frases espirituosas muito informais e inteligentes recobertas com "tecnologiquês". (South by Southwest é "South By". Em relação ao autor John Green, ele diz: "Todo mundo da minha idade o adora, o que é muito interessante da perspectiva da sociologia adolescente de desenvolvimento de produto".)

Porém, Michael e Ryan tinham um objetivo: "Desde a época do ginásio, nós queríamos fazer um aplicativo", relata o primeiro.

Ryan estudava para as provas finais do segundo ano do ensino médio em dezembro de 2011 quando pensou: Eu queria ter alguma coisa que me ajudasse a parar de ficar adiando as coisas. Assim, ele procrastinou esboçando a imagem de um aplicativo com uma lista de afazeres que permitia agrupá-los em três períodos de tempo: curto, médio e longo prazos. A ideia era ajudar as pessoas a priorizar e não se sentirem sobrecarregadas.

Ele enviou via SMS o esboço para Michael. No mês de março seguinte, quando ambos tinham 15 anos, "completamos o primeiro protótipo", lembra Ryan. Em junho, eles passavam horas em cima dele todo dia, refinando o projeto, enquanto Michael escrevia milhares de linhas de código usando Objective-C, linguagem de programação que aprendeu com tutoriais na internet. Ryan ajustou o projeto e o promoveu.

Em 15 de janeiro de 2013, véspera do lançamento do aplicativo, Ryan passou a primeira noite em claro trabalhando, enviando comunicados ao TechCrunch, revista "Forbes" e outros veículos da imprensa. Em questão de dias, o aplicativo, vendido a 99 centavos de dólar, chegava ao primeiro lugar, rumo a 50 mil downloads pagos. Depois que a Apple ficou com seus 30 por cento, os garotos dividiram US$ 30 mil.

A dedicação de Ryan afetou suas notas. No começo do ano anterior, ele era um estudante que praticamente só tirava dez; pouco antes do lançamento, ocupado com o negócio, ele tirou dois oitos e dois seis.
                      Louis Harboe e seus pais: o primeiro free lance veio aos 12 anos.

Primeiro emprego aos 12 anos

Quando criança, Louis adorava desenhar e, aos dez anos de idade, virou fã do Photoshop. Ele fez um portfólio dos desenhos, tais como ícones para usar no lugar dos ícones dos programas de computador da área de trabalho; ele os compartilhou no site e no Twitter, procurando críticas de designers e desenvolvedores.

Ele não contou a idade; a imagem do perfil online era um rosto sorridente. "Você não quer contar a ninguém que tem 11 anos porque ninguém vai contratá-lo."

O primeiro trabalho foi criar o visual de um quebra-cabeça. Demorou uma semana. O fabricante perguntou quanto Louis cobraria, mas ele tinha 12 anos e não fazia ideia. Louis lembra-se de hesitar. "Que tal US$ 150?"

"O cara respondeu: 'Que tal um pouquinho mais porque gostei muito de você?'" Louis recebeu US$ 350.


Louis fez um monte de serviços do gênero e ofertas de empregos em tempo integral via e-mail, incluindo o Mozilla e Spotify quando ele estava com 14 anos. No ano seguinte, chegou um e-mail de um caçador de talentos da Apple. Dessa vez, Louis contou a idade e recebeu a seguinte resposta: "Você é o segundo adolescente para quem envio e-mail. O que estão ensinando no ensino médio hoje em dia?"

Na metade do segundo ano no ensino médio, ele foi contratado pela Square, a empresa de pagamentos; ele disse ter ouvido as previsíveis "piadas sobre as leis de trabalho infantil". Lindsay Wiese, porta-voz da empresa, explica que o programa de estágio está voltado para o "talento, não a idade" e que procura líderes como Louis, que oferecem diversidade de perspectivas.

Em São Francisco, Louis via fanáticos por tecnologia que não fizeram faculdade ou a largaram no meio e estavam se dando bem na vida real. De volta a Chicago, o pai sugeriu a Louis que se inscrevesse na Universidade Carnegie Mellon e o filho respondeu: "Você quer que eu vá para onde, Pittsburgh?"

Esperando o futuro

"Fico assustado de os meus pais estarem certos quando queriam que eu me concentrasse completamente na escola, mas acredito piamente que fiz a coisa certa."

Ryan escreveu isso como parte da inscrição para a bolsa Thiel Fellowship, em resposta a uma pergunta sobre verdades importantes na vida. Ele também se candidatou a 11 faculdades, incluindo Stanford, escola dos seus sonhos. As notas, no entanto, caíram ainda mais; no final do ano passado ele tirou duas notas quatro.

A inscrição na Thiel, que anualmente distribui US$ 100 mil a 20 jovens para correrem atrás de suas inovações ou negócios, era para algo que ele chama de "fixschool.org", conceito para inspirar e motivar alunos "de um jeito que nunca antes foi possível" com tarefas no mundo real em vez de lição de casa.

Não está claro o que ele fará a seguir. Segundo Thiel, depende de onde quiser chegar. Enquanto isso, ele e Michael continuam promovendo o "Finish". Nas últimas semanas, eles o relançaram como aplicativo gratuito, mas com funções suplementares pagas, e conseguiram mais de 50 mil novos downloads em apenas 48 horas.

Louis está comprometido com a faculdade, visão que consolidou no segundo semestre do ano passado, após testemunhar a experiência de amigos no mundo do trabalho. "Suas postagens do Facebook só falam em trabalho. As vidas deles não parecem interessantes."

Houve outro choque de realidade. Na metade do ano passado, depois que ele passou a maior parte do ano projetando um belo aplicativo para mostrar a mudança das marés, a Apple mudou as especificações de projeto, e Louis teve de jogar tudo fora.

Assim, no segundo semestre ele tirou uma folga do trabalho pesado do design, embora ainda queira que isso seja uma parte grande da vida e pretende desenvolver aplicativos na faculdade, pegou o violão do pai e aprendeu a tocar sozinho. Ele se inscreveu na Carnegie Mellon. E também no Instituto Tecnológico da Geórgia, sem que os pais pedissem.

"Eu quero me divertir. Ainda me sinto uma criança – mais ou menos", disse Louis.

18 de março de 2014

Empregados domésticos passarão a declarar o Imposto de Renda 2014

Mais empregados domésticos passarão à condição de contribuintes em 2014, graças à lei que regulamentou o registro em carteira de trabalho, a partir de março do ano passado.

Com direito ao pagamento horas extras e adicional noturno – além de todos os benefícios concedidos aos assalariados –, estes trabalhadores podem ser obrigados, pela primeira, a declarar o Imposto de Renda à Receita Federal.
Limite de isenção para trabalhadores domésticos é igual ao de outros contribuintes: R$ 25.661,70.

“O primeiro passo para saber se o doméstico não se encontra na condição de isento é verificar se a soma de seus rendimentos durante o ano-calendário de 2013 ultrapassou R$ 25.661.70, limite de isenção de renda para todas as pessoas físicas”, explica a coordenadora de Imposto de Renda da H&R Block, Eliana Lopes.


Para obter este cálculo, o empregado deve pedir que o patrão lhe forneça seu informe de rendimentos – documento que todas as fontes pagadoras (inclusive pessoas físicas) são obrigadas a disponibilizar antes do período de entrega da declaração. Este ano, o prazo acontece entre 6 de março e 30 de abril.

Neste documento, devem estar incluídas as horas extras e o adicional noturno, no caso de o doméstico ter o hábito de dormir na residência. A regra vale para todas as funções de trabalho no lar: governantas, babás, mordomos, jardineiros, motoristas, faxineiras ou copeiras.

“O empregador pessoa física é equiparado à pessoa jurídica nesta relação de trabalho”, esclarece o diretor executivo da Confirp Consultoria Contábil, Richard Domingos.

Se o rendimento do funcionário foi tributável – acima do limite de isenção –, ainda que em um único mês do ano, o patrão pessoa física deve ter apresentado a DIRF 2014 (Declaração de Imposto Retido na Fonte) à Receita Federal para gerar o informe do empregado doméstico.

Cuidados são iguais aos de qualquer contribuinte

De acordo com Eliana, da H&R Block, as regras para os domésticos declararem são iguais às de qualquer trabalhador assalariado. “Eles devem atentar para todos os cuidados recomendáveis aos demais contribuintes”, explica a consultora.

Os recebimentos de horas extras e adicional noturno, assim como outros valores tributáveis, devem ser informados como rendimento tributável recebido de pessoa jurídica, observa Domingos, da Confirp.

17 de março de 2014

Coca-Cola terá de indenizar mulher que diz ter encontrado lagartixa em bebida

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão que condenou a Coca-Cola ao pagamento de indenização no valor de 20 salários mínimos (R$ 14.480) a uma consumidora que diz ter encontrado lagartixa dentro da bebida.


O STJ conclui que, mesmo que a consumidora não tenha aberto a embalagem e bebido o líquido, a existência de um corpo estranho no refrigerante “colocou em risco a saúde e a integridade física ou psíquica da consumidora”.
Laudo da perícia diz que material encontrado na Coca-Cola não era lagartixa, mas sim fungos.

O caso

Em novembro de 2005, a consumidora comprou uma garrafa de Coca-Cola e antes de beber o produto reparou que em seu interior havia fragmentos estranhos.

Segundo nota publicada no site do STJ, o exame mais apurado, com ajuda de uma lupa, revelou tratar-se de algo semelhante a uma lagartixa ou pedaços de pelo humana.


“A consumidora procurou a empresa, que prometeu a troca do produto. Entretanto, isso não ocorreu, o que a levou a ajuizar a ação de indenização por dano material e moral no valor equivalente a 300 salários mínimos”, informa a nota.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), no entanto, fixou o valor em 20 salários mínimos, alegando que se trata de um produto alimentício contaminado que trouxe risco para a consumidora.

Em nota, a Coca-Cola afirma que não se trata de uma lagartixa, mas sim de fungos. "Esclarecemos que perícias solicitadas pela Justiça e realizadas durante o processo concluíram que os resíduos encontrados na embalagem eram bolores, normalmente causados por armazenamento incorreto, exposição ao sol ou impactos", informa a empresa.

16 de março de 2014

Os gestores têm uma enorme responsabilidade para formar um bom time

Em entrevista ao Mundo Corporativo da Rádio CBN, João Cordeiro, autor do livro 'Accountability – A evolução da responsabilidade pessoal nas empresas', que diz ainda que os gestores devem desenvolver não só habilidades, mas também comportamentos e atitudes.

Ouça abaixo:

Produtividade baixa impede que o Brasil cresça mais

                      Maior entrave à produtividade brasileira é a infraestrutura precária.

A produtividade teve efeito negativo no crescimento brasileiro nas últimas duas décadas, segundo um estudo da consultoria McKinsey & Company. A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1990 e 2010 poderia ter sido 45% maior não fosse o efeito negativo da produtividade, que puxou o resultado para baixo em 1,4 ponto porcentual, de acordo com o levantamento.

O crescimento conjunto da força de trabalho, do nível de educação da população, do fornecimento de energia e do investimento em capital fixo foi de 4,5% ao ano no período. "Se a produtividade tivesse avançado o suficiente para, pelo menos, ter efeito nulo, a expansão média do PIB teria ficado em 4,5%, e não em 3,1%", afirma Camilo Martins, sócio da McKinsey.


Ao longo dos últimos 25 anos, a produtividade do trabalhador brasileiro cresceu, em média, 1% ao ano, nos cálculos da McKinsey. É um resultado muito inferior ao registrado por outros países em desenvolvimento, incluindo nações latino-americanas como Peru e Chile, e abaixo do avanço dos Estados Unidos, que opera historicamente em níveis muito mais elevados do que os brasileiros.

Segundo estudo da consultoria, o valor gerado pelo trabalhador americano por hora de trabalho está próximo de 35 dólares, enquanto a contribuição do brasileiro é de cerca de 5 dólares. Com a forte evolução da produtividade peruana - que foi mais três vezes superior à brasileira, entre 1988 e 2012 -, a produção do trabalhador do país em dólar encostou no resultado nacional.

"A preocupação com a produtividade passará a ser vital para o Brasil nas próximas décadas", segundo Henrique Teixeira, sócio da McKinsey. Com a redução da expansão demográfica, o país deverá passar pelo mesmo processo de nações desenvolvidas: uma parcela cada vez maior da expansão do PIB dependerá dos ganhos de produtividade.

Hoje, de acordo com a McKinsey, quase 70% do crescimento do PIB americano já depende de ganhos de escala. Na Europa, a totalidade do crescimento está ligada ao fator produtividade. Isso ajuda a explicar porque países mais produtivos, como a Alemanha, crescem mais do que outros menos eficientes, como Itália e Espanha.


Dificuldades - Entre os entraves à produtividade brasileira, Teixeira destaca a infraestrutura, em especial a logística. "O investimento necessário nessa área é de 600 bilhões de dólares. E isso para que tenhamos uma estrutura comparável à do Chile e de outros países latino-americanos", afirma. Para o sócio da McKinsey, quanto mais rápido andar o processo de privatização já em curso de portos, aeroportos e ferrovias, mais rapidamente o Brasil conseguirá reduzir essa desvantagem.

Teixeira lembra que a estratégia de repasse de investimentos à iniciativa privada deu certo no passado. Ele diz que, apesar dos problemas que persistem, o setor de telecomunicações é um exemplo positivo. "Houve um crescimento de 3.600% desde 1998. É um resultado forte."

A dificuldade em tirar projetos de infraestrutura do papel evidencia, na opinião do consultor econômico Raul Velloso, ex-secretário de assuntos econômicos do Ministério do Planejamento, que o governo brasileiro "desaprendeu" a investir. É por isso que ele considera as recentes concessões de projetos à iniciativa privada como um passo na direção certa.

"O governo teve muitos problemas na área de gestão e, como usa 75% do orçamento para pagar salários e benefícios sociais, também não tem dinheiro para investir", diz o consultor. "O setor privado tem dinheiro, porque investidores do mundo inteiro têm interesse em bons projetos de infraestrutura."

Segundo os cálculos de Renato Pavan, presidente da consultoria Macrologística, o custo logístico do Brasil - que inclui os gastos com transporte, estoque e armazenagem - é de 12,5% do PIB. "O custo da logística no Brasil é 40% mais caro do que o americano, que está em 8% do PIB", diz o especialista.

Para o curto prazo, porém, não há solução à vista. E a safra recorde prevista para este ano só deve agravar a situação. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o valor do frete praticamente dobrou desde 2009. No início de fevereiro, o custo de transporte por tonelada entre a cidade de Sorriso (MT) e o Porto de Santos chegou a 300 reais - um recorde para o mês.

15 de março de 2014

Malharia Sulfabril vai a leilão em maio

A malharia Sulfabril, sediada em Blumenau e conhecida nas décadas de 70 e 80, vai à leilão no dia 27 de maio, de acordo com decisão judicial anunciada no dia 25 de fevereiro. A empresa, que foi à falência em 1999, é avaliada em R$ 160 milhões e tem uma dívida estimada em R$ 119 milhões.

          Empresa têxtil já teve Regina Duarte e Sandra Bréa como garotas-propaganda.

Na ocasião, serão vendidas as marcas do grupo, cujo valor estimado é de R$ 40 milhões, e quatro unidades industriais, duas delas ainda em operação e que empregam 700 funcionários, que valem cerca de R$ 120 milhões. Todas estão localizadas em Santa Catarina.

Fundada em 1947, a Sulfabril já chegou a empregar mais de 5 mil funcionários e suas coleções eram anunciadas no horário nobre da televisão e nas principais revistas do País, com garotas-propaganda como Regina Duarte e Sandra Bréa.

A crise da grife teve início na década de 90, com a abertura do Brasil ao mercado internacional. O processo de falência tramita há mais de 14 anos, mas a empresa continua em funcionamento. Atualmente, a empresa está sob a administração de um síndico nomeado pela Justiça.

Ativos serão inicialmente oferecidos em conjunto

O leilão será realizado na modalidade de pregão, por carta fechada. Os interessados devem entregar as propostas até o dia 26 de maio, às 19h, no cartório da 1ª vara cível de Blumenau. 

A marca e as unidades serão oferecidas de forma conjunta. Para ofertas à vista, o lance inicial é de 75% do valor de avaliação. Para propostas a prazo, o mínimo é o valor integral da avaliação, com pagamento de 30% à vista e saldo parcelado em até 36 vezes.

Não havendo interessados para a compra em lote único, serão abertas as propostas em lotes.

O primeiro, das marcas e das duas unidades operacionais (R$ 149,3 milhões), aceitará propostas a prazo. O segundo lote, da unidade desativada em Gaspar (R$ 7,1 milhões), e o terceiro, da unidade desativada Rio do Sul (R$ 3,7 milhões), contemplam apenas ofertas à vista, com pagamento de 30% em 72 horas e saldo em 15 dias.

14 de março de 2014

Nova tecnologia pode acabar com a guerra por água nos Estados Unidos

O receptor solar gigante instalado em um campo de trigo aqui no centro da agricultura da Califórnia gira lentamente para rastrear o sol e captar a sua energia. A estrutura de 115 metros não gera eletricidade, mas produz calor, que é usado para dessalinizar a água.
                          Um receptor solar, parte do projeto desenvolvido pela WaterFX.

Ele é parte de um projeto desenvolvido por uma iniciante da região de São Francisco chamada de WaterFX, que está canalizando um recurso abundante, ainda que contaminado, nessa região árida: os bilhões de litros de água localizados logo abaixo da superfície.

Financiado pelo Distrito Hidrográfico de Panoche com fundos estatais, a fábrica de dessalinização térmica solar de US$ 1 milhão está removendo as impurezas da água de escoamento pela metade do custo da dessalinização tradicional, segundo Aaron Mandell, um dos fundadores da WaterFX.

A WaterFX enfrenta uma tarefa enorme e urgente. A água é contaminada com níveis tóxicos de sal, selênio e outros metais pesados que escoam das montanhas no entorno de Panoche, é tão poluída que ela precisa ser constantemente drenada para impedir o envenenamento das plantações. Se a tecnologia for comercialmente viável – prevê-se a criação de uma fábrica maior este ano – isso poderia oferecer algum alívio para as guerras da água corrente de longa data do Ocidente.

E com a Califórnia enfrentando secas recordes, a torneira secou para os agricultores que dependem dos contratos de longo prazo do Projeto Central Valley do governo dos EUA para o abastecimento de água barata oriunda do norte. A expectativa é a de que os custos de irrigação dupliquem ou tripliquem na medida em que os produtores são forçados a comprar água no mercado à vista.

"Os preços dos alimentos subirão com certeza", diz Dennis Falaschi, gestor do Distrito Hidrográfico de Panoche, enquanto dirige sua picape por campos totalmente secos de amendoeiras e de videiras em um dia atipicamente quente.

O projeto da WaterFX explora duas coisas que o Central Valley têm de sobra – terras devolutas e luz do sol – para reduzir os custos da dessalinização.

O receptor em formato de parabólica é uma unidade padrão feita por uma empresa do Colorado chamada SkyFuel para fábricas de energia solar térmica. Ele utiliza um filme refletivo em vez dos espelhos caros para concentrar o sol em tubos contendo óleo mineral que são suspensos na estrutura solar.

O óleo é aquecido a 248 graus, o calor é canalizado em evaporadores recondicionados dos anos 60 para gerar vapor. O vapor então condensa a água doce e separa os sais e metais pesados. O ciclo é repetido para concentrar ainda mais a salmoura.

A WaterFX conta com equipamentos do mercado com exceção de uma bomba de calor de sua própria criação. A bomba recicla o excesso do vapor para reuso através de um processo químico em vez de depender de um compressor movido à eletricidade.

"Ela reduz o número de coletores solares que precisamos pela metade", afirma Mandell. Essa economia significa que a WaterFX pode purificar a água usando a metade da energia utilizada na dessalinização convencional.

Para distritos hidrográficos da agricultura como Panoche, a dessalinização solar térmica promete resolver dois problemas persistentes. Um é a escassez crônica de água, mesmo em anos de chuvas, quando as autoridades reguladoras desviam água para cidades e com propósitos ambientais, como a proteção de peixes ameaçados de extinção.

O outro é a crescente contaminação das terras de cultivo por sal que levou os produtores a abandonar mais de 40.469 hectares no Central Valley nos últimos anos.

Há décadas, distritos hidrográficos como Panoche drenam as águas subterrâneas salgadas e as descartam em locais como o Rio São Joaquim. Porém, as novas restrições ambientais proíbem tal prática.

A WaterFX poderia reduzir o volume da água de escoamento que precisa ser desviado e ao mesmo tempo poderia fornecer um novo abastecimento de água doce para a irrigação que não depende dos caprichos da neve e do volume pluviais nas regiões remotas do estado.

"Essa água subterrânea na superfície é uma provável mina de ouro", avalia Falaschi. "Pegamos uma fonte de água que é inutilizável agora e convertemos em uma fonte utilizável". A água dessalinizada tem a qualidade da água mineral, mais pura do que exige a irrigação.
                                              Unidade de dessalinização da WaterFX.

"Estamos criando mais água do que pode ser transferida para outros mercados", acredita Mandell, de 38 anos, empresário de tecnologia, que cofundou as empresas de energia renovável AltaRock Energy e a Coskata. "Em alguns casos, essa pode ser água que entra no mercado municipal e industrial, que é um mercado que paga mais".

Michael Hanemann, professor de Economia da Agricultura e de Recursos da Universidade da Califórnia, em Berkeley, chama a dessalinização de uma proteção contra futuros déficits e contra o preço crescente da água. "É uma forma de seguro. A questão não é entregar todo o abastecimento da água à dessalinização, e sim acrescentar a dessalinização ao abastecimento".

Novas fábricas são mais baratas que as tradicionais, mas custo ainda é alto

Segundo Hanemann, a viabilidade econômica da tecnologia da WaterFX dependia da quantidade de água que os produtores teriam de comprar no mercado a vista devido à seca e às mudanças climáticas. Quanto mais água eles comprarem, e quanto maior for a incerteza cercando os futuros abastecimentos, mais atraente a dessalinização se torna.

Ele ressalta que as fábricas de dessalinização tradicionais tinham altos custos de investimentos já que elas eram frequentemente construídas como fontes de reservas de água e operavam sem muita frequência. Uma fábrica de dessalinização solar térmica que funciona continuamente e depende da luz gratuita do sol como combustível poderia tornar a tecnologia mais competitiva, segundo Hanemann.

As fábricas de dessalinização padrão dependem de membranas para filtrarem o sal e outras impurezas da água do mar. O processo, chamado de osmose reversa, é caro. As membranas precisam ser substituídas periodicamente, e forçar a água do mar através delas consume bastante energia, com a eletricidade tipicamente sendo responsável por um terço dos custos operacionais.

Dado o alto preço da dessalinização, a maioria dos projetos foram construídos em regiões carentes de água, como o Oriente Médio. Porém, na medida em que a falta d'água persiste na Califórnia, cidades como San Diego estão construindo fábricas de dessalinização. Um projeto em construção ao norte da cidade, por exemplo, está na casa dos US$ 700 milhões.

Uma fábrica de osmose reversa, com o custo de US$ 30 milhões, financiada pelo governo federal, que também irá tratar água de drenagem, está sendo construída perto do projeto piloto da WaterFX.

Brent Giles, analista sênior da Lux Research, explica que a competitividade entre a dessalinização solar térmica e a osmose ainda era uma incógnita. Ele observou que a água contaminada como a encontrada no Central Valley continha bem menos sal do que a água do mar, e exigia menos energia para a purificação.

"Contudo, para aplicações especializadas como a agricultura, posso ver a existência de certo valor da dessalinização solar térmica", pondera Giles.

A WaterFX está entre um pequeno número dos esforços de usar o sol para dessalinização. Uma empresa chamada Sundrop Farms está usando a tecnologia solar térmica semelhante a da WaterFX para dessalinizar a água do mar nos crescentes cultivos em estufas na Austrália setentrional.

13 de março de 2014

Mulheres chegam a esperar remuneração 35% menor que a de homens

Desde a entrada da mulher no mercado de trabalho, o mundo ainda não assistiu a verdadeira equidade de gênero. Pouco importa o cargo ou o país onde moram, as mulheres ainda ganham menos – e também esperam menos – que os homens.
Sheryl Sandberg: em Davos, lutando pela causa das mulheres, enquanto o mundo todo falava da abertura de capital do Facebook.

Essa é um dos diagnósticos apontados pelo site de vagas Trampos.co na aspiração salarial de seus 46 mil cadastrados. Com 51% dos registros de mulheres, a equipe de pesquisa do site identificou que mulheres mostram pretensões salariais menores que as dos homens.

As variações são grandes. Na área de comunicação, enquanto as jornalistas pensam num salário de R$ 2,9 mil, os homens querem apenas 2% a mais. Na outra ponta, no entanto, entre os profissionais de Rádio e Televisão, a diferença de aspiração salarial entre homens e mulheres chega a 25% – a mais, para eles.

No departamento de tecnologia, a diferença pode ser até maior entre os programadores – mulheres esperam ganhar 35% menos que os rapazes, embora elas sejam apenas 10% do total de candidatos às vagas.

Mesmo assim, entre os cadastrados, mais mulheres possuem pós-graduação. Delas, 15% já buscaram algo mais além da faculdade, enquanto apenas 13% dos homens foram além do curso superior.

Essa certa timidez no que tange o reconhecimento das próprias habilidades não é nova e foi tema central de um dos livros mais vendidos de 2013, “Faça acontecer”, da diretora operacional do Facebook, Sheryl Sandberg.

A executiva pontua que a revolução feminista está estagnada, como também sinaliza a preocupação da mulher com a maternidade e com a fuga dos estereótipos de mandona e autoritária quando está na liderança. “Mulheres não estão chegando ao topo em qualquer profissão em nenhum lugar do mundo”, afirma.

O fato é que o assunto é polêmico. Recentemente, foi a diretora-presidente da GM, Mary Barra, quem virou alvo no debate. A remuneração base dela seria US$ 100 mil menor que a de seu antecessor Dan Akerson que, por sinal, segue como consultor da montadora.

12 de março de 2014

Justiça proíbe planos de saúde de cobrar taxa de rescisão e exigir fidelidade

  A decisão sobre os planos de saúde é do juiz Flávio Oliveira Lucas, da 18ª Vara Federal.

As operadoras de saúde não podem mais cobrar taxa de rescisão de contrato — geralmente duas mensalidades — e exigir fidelidade contratual mínima de um ano.


A decisão é do juiz Flávio Oliveira Lucas, da 18ª Vara Federal, que julgou procedente em primeira instância a ação civil pública do Procon-RJ contra a Agência Nacional de Saúde (ANS). A agência ainda pode recorrer. 

De acordo com a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro (Procon-RJ), as cláusulas contratuais praticadas pelas operadoras de planos de saúde são abusivas e contrariam o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a Constituição Brasileira.

“É uma coisa absurda que alguém seja obrigado a utilizar um plano de saúde que não lhe satisfaz. Então vale mais o comércio do que a vida?”, questiona Cidinha Campos, secretária de Estado de Proteção e Defesa do Consumidor.

Em nota, a ANS informa que as regras sobre rescisão de contrato de planos coletivos empresariais ou por adesão são válidas para as operadoras de planos de saúde e para as pessoas jurídicas contratantes.

"O beneficiário tem todo o direito de sair do plano de saúde a qualquer momento", acrescenta o comunicado.

A agência destaca também que não foi comunicada a respeito da sentença, mas que irá recorrer "em razão do entendimento equivocado da norma".

Já a Abramge, associação que representa as operadoras de planos de saúde, afirmou que o modelo de contrato aprovado pela ANS tem o objetivo de garantir um atendimento equilibrado a todos os usuários de planos de saúde.

11 de março de 2014

Óleo e Gás, ex-OGX, estende acordo com OSX pela segunda vez

                                Petroleira de Eike espera retomar produção no campo.

A Óleo e Gás Participações comunicou no dia 07 de março ao mercado, que o acordo entre sua subsidiária, a OGX Petróleo e Gás e a empresa de construção naval OSX, ambas em recuperação judicial, que prevê a realização de testes no campo de Tubarão Azul, será estendido pela segunda vez.

No dia 03 de fevereiro, o período de testes foi anunciado e, no dia 05, já havia sido adiado para o final desta semana. Agora, irá se encerrar no dia 14 de março.

Em fato relevante, a companhia afirma que permanece no processo de negociação e busca consentimentos que permitam a retomada da produção no campo, que ainda está sujeita a assinatura de um novo acordo prevendo as condições operacionais e financeiras das companhias.