9 de junho de 2012

Itaú lidera lista das 25 marcas mais valiosas do Brasil

Ranking elaborado pela Interbrand mostra a instituição com uma marca avaliada em R$ 24,3 bilhões.

Itaú, Bradesco, Petrobras, Branco do Brasil e Skol. Estas são, respectivamente, as marcas mais valiosas do país segundo ranking elaborado pela Interbrand, consultoria líder mundial em estratégia e identidade de marca. Juntas, estas companhias respondem por 75% do valor total das 25 maiores marcas brasileiras, que é de R$ 92 bilhões.

Apesar de as primeiras colocadas terem um valor bem maior que as demais participantes, todas as companhias tiveram um aumento expressivo no valor de suas marcas (veja tabela abaixo). A nota de corte do levantamento subiu de R$ 87 milhões em 2009, para R$ 209 milhões em 2010. “Estamos vendo um reflexo claro do crescimento da economia e da maior preocupação dos gestores com suas marcas”, afirma Daniela Bianchi, diretora de estratégia da Interbrand.

A marca que teve maior aumento de valor em 2010 foi a Hering, com um aumento de 45% em relação a 2009. Depois de um trabalho bem-sucedido de reposicionamento, a marca fechou o ano passado valendo R$ 209 milhões.

A Vale foi outro destaque. Com a forte crise de 2008, a empresa sequer apareceu na lista de 2009. Mas para recuperar posição, a mineradora investiu em uma forte campanha institucional, que a colocou na 8ª posição em 2010, com um valor de R$ 2,6 bilhões.

Também se destacaram algumas empresas varejistas. Extra, Casas Bahia, Pão de Açúcar e Ponto Frio apareceram pela primeira vez no ranking, mostrando que a consolidação desse setor vem impulsionando o valor das marcas.

Outra estreia foi da Cielo, marca que surgiu da mudança de nome da Visanet. “A empresa quebrou um paradigma, pois estreou no ranking ainda novata e num mercado também novo”, afirma Daniela.

O ranking da Interbrand leva em conta duas dimensões, a Força da Marca e o Papel da Marca. Força é a capacidade da marca de assegurar lucros futuros. Já o Papel, representa a influência no processo de compra.

A seguir, confira o ranking completo.


As 25 marcas mais valiosas do Brasil em 2010
Marca
Valor (em milhões de reais)
crescimento em relação a 2009


Itaú
24.296
+18%


Bradesco
13.633
+10%


Petrobras
11.608
+7%


Banco do Brasil
11.309
+8%


Skol
7.277
+10%


Natura
5.666 
+22%


Brahma
4.351 
+21%


Vale
2.656
Não estava no ranking anterior


Antarctica
2.013
+15%


Vivo
1.700
+16%


Lojas Renner
835
+7%


Lojas Americanas
703
+17%


Embratel
619
-15%


Cielo
604
Estreia no ranking


Cyrela
587
+8%


Caixa Econômica Federal
563
Estreia no ranking


Oi
514
+9%


Banrisul
501
-22%


Extra
496
Estreia no ranking


Casas Bahia
447
Estreia no ranking


Braskem
422
-6%


Pão de Açúcar
389
Estreia no ranking


Net
323
+10%


Ponto Frio
232
Estreia no ranking


Hering
209
+45%


Fonte: Interbrand




Fonte: Época Negócios.

Kroton compra grupo Uniasselvi, em Santa Catarina, por R$ 510 milhões

Do valor da aquisição, R$ 335 milhões foram pagos à vista, utilizando a posição de caixa da companhia; os R$ 175 milhões restantes serão abatidos em seis parcelas anuais.

A Kroton Educacional anunciou no dia 29 de maio a compra da Uniasselvi, grupo de universidade e faculdades de Santa Catarina, por R$ 510 milhões, ampliando sua carteira de alunos no ensino superior para cerca de 417 mil.

Do valor da aquisição, R$ 335 milhões foram pagos à vista, utilizando a posição de caixa da companhia. Os R$ 175 milhões restantes serão abatidos em seis parcelas anuais, e a Kroton pagará ainda um bônus de até R$ 15 milhões se o faturamento líquido da Uniasselvi passar de R$ 230 milhões em 2012. Em 2011, a Uniasselvi teve receitas de R$ 196,3 milhões.




A aquisição é a mais importante da Kroton desde a compra em dezembro da Unopar, no Paraná, por R$ 1,3 bilhão. Em março, o presidente-executivo do grupo educacional, Rodrigo Galindo, afirmou que a empresa previa fazer aquisições pontuais em 2012.

Até março, a Uniasselvi tinha 86,2 mil alunos, sendo 73,7 mil em ensino a distância de graduação e pós-graduação e 12,5 mil de ensino superior presencial.

A compra do grupo catarinense inclui as mantenedoras das instituições Centro Universitário Leonardo da Vinci, Faculdade Metropolitana de Blumenau, Faculdade Regional de Timbó, Faculdade do Vale do Itajaí Mirim, Faculdade Metropolitana de Rio do Sul e Faculdade Metropolitana de Guaramirim.

"A aquisição promove a entrada da Kroton em uma nova região de atuação no ensino superior presencial, por meio de sete unidades no estado de Santa Catarina, localizadas nos municípios de Blumenau (dois campi), Indaial, Brusque, Timbó, Rio do Sul e Guaramirim", informou a compradora.

O negócio ainda precisa da aprovação das autoridades competentes.

8 de junho de 2012

Tem dívidas? Veja o que pagar primeiro

Para evitar uma bola de neve, especialistas recomendam quitar as contas com juros maiores, como cartão de crédito, e de serviços essenciais, como água e luz.
   Na hora de pagar as contas, é preciso priorizar as dívidas com taxas de juros maiores.

Reorganizar as finanças não é tarefa fácil. Principalmente quando o endividamento já está tão descontrolado que fica complicado saber por onde começar a atacar o problema. Em vez de pagar as contas menores, os especialistas recomendam quitar aquelas sobre as quais incidem juros maiores, como cartão de crédito e cheque especial. Mas também é preciso colocar em dia as dívidas de serviços essenciais, como água e luz. 

“É preciso mesclar as dívidas que penalizam mais financeiramente com aquelas que geram sanções”, explica Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor de estudos econômicos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Na prática, isso significa que é preciso sentar e fazer contas, mas sem deixar de lado aquelas dívidas que penalizam o consumidor no dia a dia. “Se eu deixo de pagar a energia elétrica de casa, cortam a luz. Se não pago a escola, as crianças ficam sem a matrícula no próximo ano letivo”, diz. 


Essa dica vale ainda para condomínio em atraso e licenciamento do veículo, que pode dar uma dor de cabeças daquelas, caso o carro seja multado ou apreendido por não estar regularizado. Deixar de pagar o financiamento do veículo também não é uma boa ideia, pois a financeira pode reaver o carro em alguns meses. 

Ao priorizar as contas, não se esqueça daquelas com juros mais altos. “Em primeiro lugar, é preciso pagar o que custa mais caro, de acordo com a taxa de juros. Os juros mais elevados do mercado são os do cartão de crédito. Portanto, não atrase a fatura”, afirma Keyler Carvalho Rocha, presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP). No caso do cheque especial, as taxas médias de juros podem chegar a 159,76% ao ano, enquanto as de cartões de crédito podem passar de 238% anuais, de acordo com dados da Anefac. 

Dívida mais barata 

Rocha adverte ainda para a armadilha do pagamento mínimo da fatura, o que pode dobrar o valor total. “Se preciso, negocie para fazer o pagamento em taxas menores. Ou então pode ser vantagem pegar um empréstimo para pagar o cartão ou para cobrir o cheque especial, porque depois você fica devendo a taxas menores a financeira”, diz o economista. E não caia na tentação de usar o dinheiro para pagar as dívidas com juros menores, como de eletrônicos e bens de consumo de baixo valor agregado, cuja taxa gira em torno de 74% ao ano, segundo a Anefac. “Se conseguir obter o crédito, pague as dívidas mais caras”, sugere Rocha. 


A maior oferta de crédito a juros menores pode até dar uma mãozinha nesse sentido. “Através da portabilidade do crédito, você pode negociar o endividamento junto a um banco. Você troca a dívida mais cara pela mais barata”, afirma o professor José Nicolau Pompeo, da PUC-SP. Em média, os juros dos empréstimos pessoais de bancos são de 54% ao ano, enquanto os de financeiras podem chegar a 155,76%. 

Fique de olho também nas multas que incidem sobre o atraso de determinadas contas. “É bom lembrar que no mês seguinte será necessário pagar o valor e mais um percentual que pode chegar a 20% ou mais. Ele vai acabar pagando muito”, afirma o presidente do Conselho de Administração do Ibef-SP. 


Por outro lado, há algumas contas cujo atraso penaliza menos o consumidor do ponto de vista do bolso. É o caso de dívidas em lojas de varejo com eletrônicos, eletrodomésticos e móveis, cuja taxa varia de acordo com a rede varejista. A pior sanção, neste caso, é a inclusão do nome no SPC. “Sempre que puder parcelar sem juros, aproveite. É uma forma de esticar a dívida”, afirma Rocha.

Dicas

Pague primeiro as contas de serviços essenciais (água, luz) e as contas que têm juros mais altos (cartão de crédito).

Em seguida, quite as dívidas que podem trazer dor de cabeça, como condomínio em atraso e licenciamento do veículo.

Preste atenção às contas que têm altas multas. Em alguns casos, a penalidade para o atraso é de 20% da dívida.

Evite ao máximo pagar apenas o mínimo do cartão de crédito.

Considere a possibilidade de renegociar dívidas e tomar empréstimo barato para quitar contas com altos juros. 

Reorganize-se 

A definição de endividamento envolve os gastos que superam a renda pessoal ou familiar. Portanto, reduza despesas em áreas como lazer e alimentação, afirma o professor Edno Oliveira dos Santos, diretor do Instituto de Estudos Financeiros (IEF). “A primeira recomendação é fazer um orçamento que considere todas as rendas e despesas previstas para doze meses à frente, incluindo as despesas financeiras já existentes”, indica. 


“É preciso considerar que toda vez que você faz uma dívida – com exceção do crédito imobiliário, na opinião de Santos –, estará ficando mais pobre por causa dos elevados juros que pagará”, ressalta. Uma boa forma de aumentar a renda é vender dez dias de férias e use o dinheiro para pagar as dívidas. 

7 de junho de 2012

Santander negocia venda de fatia no Brasil

Segundo fontes a par das negociações, a proposta envolve a venda de uma participação de 30% a 40% da operação brasileira.

O grupo espanhol Santander negocia a venda de uma fatia do banco no Brasil, segundo executivos de alto escalão a par das negociações. Conforme as fontes, a proposta envolve a venda de uma participação de 30% a 40% da operação brasileira. Os potenciais compradores seriam Banco do Brasil e Bradesco. Procurados pela Agência Estado, Bradesco e Santander não comentaram o assunto.

O BB negou que esteja negociando. As conversas entre os bancos já haviam sido noticiadas pela coluna de Sonia Racy. Segundo cálculos de três analistas, feitos a pedido da Agência Estado, o Santander Brasil pode valer hoje entre R$ 100 bilhões e R$ 160 bilhões. O primeiro valor exclui o ágio pago na aquisição do ABN Amro/Banco Real pelo banco espanhol. Os analistas entendem ser mais provável que as negociações sejam feitas com base no preço com o ágio.


Levando em conta os R$ 160 bilhões, a operação movimentaria de R$ 48 bilhões a R$ 64 bilhões. Considerando a posição de caixa livre dos bancos brasileiros potenciais compradores, o Bradesco tem R$ 104 bilhões e o Banco do Brasil, R$ 56 bilhões. O Itaú, com R$ 105 bilhões, seria o menos provável, segundo especialistas, porque ainda digere a fusão com o Unibanco.

Uma fonte próxima ao banco espanhol diz que a intenção não é deixar o Brasil, mercado mais lucrativo para o grupo e responsável por 30% dos resultados mundiais. O objetivo da venda é levantar capital para fazer face às novas exigências do governo espanhol, que quer 30 bilhões a mais de provisão dos bancos, em meio ao agravamento da crise naquele país.


O Santander vem tentando levantar recursos em outras parte do mundo para fazer frente aos problemas enfrentados pela matriz na Espanha. O mais recente movimento é a abertura de capital de sua subsidiária no México, que pode render US$ 4 bilhões. Antes disso, o Santander se desfez de algumas unidades e áreas de negócio para se capitalizar.

No Brasil, começou no ano passado com a venda de ações que correspondem a 8% de seu capital. No Chile, vendeu uma fatia semelhante de sua unidade. Com as duas operações, o banco levantou U$ 3,6 bilhões em recursos.

6 de junho de 2012

Subsidiária da Sony no Brasil quase dobra de tamanho em dois anos

No biênio 2010 e 2011, a empresa saltou da 17ª para 4ª posição entre as maiores operação da Sony no mundo; resultados contrastam com prejuízos da matriz no ano passado.
                       Subsidiária da Sony no Brasil dobrou de tamanho em dois anos.

A subsidiária da Sony no Brasil informou no dia 25 de maio que teve faturamento 24% maior no ano fiscal 2011, que se encerrou em março. O resultado se soma aos 65% de expansão registrados em 2010, o que fez com que a operação no país quase dobrasse de tamanho em dois anos.


No período, o braço da empresa saltou da 17ª para a 4ª maior operação da Sony no mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão. Foi também o maior crescimento da empresa desde que se instalou no país, em 1972

"A Sony Brasil cresceu duas vezes mais que o mercado eletrônico no país”, afirmou o presidente da companhia, Osamu Miura. “Acredito que até a Copa do Mundo de 2014 eles conseguirão dobrar de tamanho novamente.” O executivo prevê ainda que a subsidiária da Sony crescerá 30% no ano fiscal 2012. Até a Copa, a Sony Brasil quer investir mais de R$ 500 milhões no país.


"Temos enfrentado dificuldades. Nem todos os mercados estão aquecidos como o brasileiro", disse Kaz Hirai, CEO da empresa desde abril. Esta foi a primeira coletiva em que esteve presente fora do Japão. A empresa tem 3.500 funcionários no Brasil e uma fábrica na zona franca de Manaus, que produz CDs, câmeras digitais, filmadoras, home theaters, notebooks, entre outros produtos.

5 de junho de 2012

Quem não pagar impostos pode deixar de ser considerado criminoso

Crime tributário passa a valer apenas para fraudes; valor considerado insignificante no recolhimento de tributos e impostos para ser processado pela ordem tributária é de R$ 20 mil.

A comissão de juristas do Senado que discute mudanças ao Código Penal aprovou nesta quinta-feira uma proposta que prevê a existência de crime tributário ou previdenciário apenas quando ocorrer fraude. Atualmente, o simples fato de um cidadão ou empresa deixar de recolher tributos ou contribuições é motivo para que eles respondam a processo penal.


Pelo texto aprovado, o crime só ocorrerá se a falta de recolhimento do tributo ou contribuição será mediante fraude ao Fisco ou à Previdência Social. A pena proposta para o crime continua a mesma de atualmente, de dois a cinco anos de prisão e multa.

Leia tudo sobre tributos em Finanças Pessoais

A comissão decidiu que fica livre de ser punido pelo crime quem pagar os valores devidos até a Justiça receber a denúncia do Ministério Público, após o suposto sonegador apresentar sua resposta preliminar. Pela legislação atual, até a qualquer momento do processo, até seu trânsito em julgado da ação (quando não cabe mais recurso), o sonegador pode ter extinta sua punição.


O texto aprovado prevê que não haverá crime se o recurso for inferior ao estipulado pela Fazenda Pública ou pela previdência como de natureza bagatelar. Em nível federal, o valor considerado insignificante, a título de processo penal por crime contra a ordem tributária, é de R$ 20 mil. A comissão manteve a previsão de suspender o processo para quem adere a programas de refinanciamento de dívidas, como o Refis.


Outra inovação é a suspensão do processo quando o devedor depositar em juízo uma caução referente ao valor. Na prática, quem não tiver dinheiro, corre o risco de ser processado. A medida foi duramente criticada pelo relator da comissão, o procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves.


Para o relator, hoje a comissão acabou, "de maneira indireta", com a punição para esses crimes. "É melhor praticar um crime contra a ordem tributária do que furtar. Porque parar o crime contra a ordem tributária há um acervo de benefícios, de benesses que, no meu modo de ver, é quase um pedido de desculpas ao criminoso, ao sonegador", disse, ressalvando que esta é uma posição pessoal.

4 de junho de 2012

'Se a gente fizesse aqui o que faz nos EUA, seria acusado de trabalho escravo'

Presidente da Odebrecht diz que regulação trabalhista brasileira é arcaica e afirma que excesso de encargos reduz as margens das empresas que atuam no país.
Marcelo Odebrecht: gestão descentralizada à frente da empresa desde que assumiu como presidente.

A legislação trabalhista brasileira precisa mudar e o País ganharia muito se adotasse um pouco da flexibilidade existente nos Estados Unidos. Essa é a opinião do diretor presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, que considera a regulação em vigor no Brasil “arcaica” e defende um novo tipo de parceria. “Se a gente fizesse no Brasil o que faz nos Estados Unidos, seria acusado de trabalho escravo.” 

Odebrecht participou de um dos encontros da série “Grandes Empresários: Estilos de Gestão”, realizado na Casa do Saber, em São Paulo, no dia 21 de maio. Segundo o executivo, há uma crise de produtividade no País, agravada pela legislação trabalhista e pelos custos “estratosféricos”.

“O problema da indústria é competitividade, é encargo trabalhista, é custo de capital”, critica o empresário, que destaca que metade dos investimentos que a Odebrecht tem hoje está fora do Brasil. 

“Você tem margens muito maiores hoje fora do Brasil do que no Brasil. A dificuldade no País não é de demanda. Do ponto de vista macroeconômico, o Brasil está fantástico”, destaca. O empresário diz que o País precisa aproveitar as oportunidades que surgirão com os eventos que receberá nos próximos anos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.


“Lamento apenas se a gente não aproveitar esses dez a vinte anos para cuidar dos problemas estruturais. Estou muito otimista com o Brasil nos próximos dez anos e estou preocupado com o Brasil nos próximos 20”, afirma. 

Marcelo é filho de Emilio Odebrecht, atual presidente do conselho de administração da companhia. Ele começou na empresa como estagiário em 1992, e já enfrentou uma grave crise, em 2000, quando aOdebrecht precisou se desmobilizar de vários ativos para sobreviver. No comando da companhia desde 2008, o empresário adotou um estilo de gestão que pode ser considerado, no mínimo, ousado. 

“Os líderes (responsáveis pelos vários braços da holding) não vão atrás de mim para tomar a decisão de entrar nisso ou naquilo. É um processo muito descentralizado. O pessoal que trabalha comigo tem que me entender por telepatia. Tenho uma confiança extrema que beira a irresponsabilidade.” 


A companhia tem hoje 175 mil funcionários e uma média de contratação de 3 mil pessoas por mês. O CEO tem sob seu comando direto 25 executivos. Cada um deles é responsável por gerar capital para reinvestir em seu negócio. E de tempos em tempos os executivos são remanejados para outras áreas. “Depois de cinco anos no mesmo programa a pessoa não é mais a mesma coisa. É preciso conhecer as forças e as fraquezas do liderado”, afirma Odebrecht. 

A expansão da empresa é planejada tendo como base o crescimento orgânico. “Eu não gosto de fusão. Em uma empresa que tem uma cultura forte, como a nossa, de confiança nas pessoas, a aquisição não é estratégia de crescimento. Quando ocorre, é em função de uma oportunidade. E ainda assim, a gente procura fazer em áreas muito específicas, onde não seja muita gente”, diz. 

Hoje, a Odebrecht tem braços em áreas como petróleo e gás, defesa e tecnologia, mercado imobiliário, etanol, engenharia industrial. A companhia também tem forte atuação internacional, com presença em países como Angola – onde possui 25 mil funcionários –, Venezuela – onde participou da construção do metrô de Caracas – e Estados Unidos. Nesse último, atuou nas obras dos terminais do aeroporto internacional de Miami. 

Gerenciando crises 

O empresário, que diz dormir de quatro a cinco horas por noite, conta ainda que não perde o sono com problemas da empresa. “Eu não preciso perder o sono com aquilo que não vou resolver. Quando eu tenho algum problema na organização, eu vou atrás da pessoa certa”, conta. Mas quando envolve funcionários da Odebrecht, a coisa muda de figura. 

Em 2005, por exemplo, a empresa precisou lidar com o sequestro e morte de um engenheiro no Iraque. “Ali, foram seis meses infernais para mim. Eu tive vários aprendizados que me marcaram naquele momento. Quando a gente soube que ele estava morto, demoramos dois anos, mas trouxemos o corpo”, diz.


A briga com o governo do Equador também é lembrada pelo executivo. Em 2008, a empresa foi expulsa do país acusada de descumprir contrato para as obras da usina hidrelétrica San Francisco. “Quando eu ia deixar o país, reparei que tinha um post-it nas telas dos computadores da imigração com os nomes de todos os nossos funcionários. O nosso pessoal estava ameaçado de prisão no Equador. Aí voltei e fiquei lá”, diz. A situação só foi resolvida em 2010, quando a Odebrecht retomou as operações no Equador. 

Vida pessoal 

Além de dormir pouco, o diretor presidente da Odebrecht não abre mão de suas duas horas de ginástica diárias ou de passar o tempo que tem livre com a família. “É mais importante qualidade do que quantidade. Algumas coisas que eu aprendi na vida foram: tenha só uma agenda, tenha só um e-mail e coloque na mesma agenda os seus compromissos pessoais e seus compromissos de trabalho”, diz. O empresário, que gosta de praticar natação, squash e corrida, explica ainda que evita fazer programas sociais que não envolvam a família. 

“Uma coisa que também aprendi muito é o seguinte: durante a semana, sua família aceita bem você estar fora. Um final de semana que você está fora, você está ferrado”, brinca o empresário.

3 de junho de 2012

Com caixa de US$ 8bi, Eike se prepara para mais uma abertura de capital

Segundo empresário, companhia de produção de ouro, a AUX, deve ficar "madura" entre setembro e outubro para fazer o IPO.

O grupo EBX, do empresário Eike Batista, tem em caixa de US$ 8 bilhões e prevê abertura de capital de mais uma de suas empresas neste ano.

O homem mais rico do Brasil, dono de empresas de mineração, petróleo, energia, entretenimento, disse nesta terça-feira que o relatório com os depósitos de ouro da sua companhia AUX deve ficar pronto em agosto, o que levará a companhia a ficar "madura" entre setembro e outubro "se quiser fazer IPO".


A holding está capitalizada para fazer frente à expansão de seus projetos, entre os quais a expansão da MMX, empresa de mineração que prevê mais que triplicar sua produção, com a conclusão do Porto do Sudeste, disse ele.

Mas a companhia segue negociando financiamento para o empreendimento, com possibilidade de crédito pelo BNDES e bancos asiáticos.

"Continuamos a negociação, mas o projeto vai ser realizado de qualquer forma", disse Eike, ao responder sobre o sinal verde de órgão ambiental para a expansão de Serra Azul, com licença obtida pela MMX recentemente.

Em palestra no Rio Investors Day, o empresário disse ainda que a demanda chinesa deve continuar firme e lembrou que os chineses acabam de bater mais um recorde em consumo de aço.

Eike ainda criticou investidores, dizendo que ações da Vale estão muito baratas.


Disse ainda que a Petrobras está se reorganizando e ainda vai demandar parcerias com empresas de seu grupo, e que os obstáculos para associações com as grandes empresas acabaram.

"Roger Agnelli me via como inimigo número um e (José Sergio) Gabrielli como inimigo pela OGX... ficavam buzinando no ouvido da Dilma (Rousseff)... agora tudo acabou", afirmou, comentando sobre os ex-presidente da Vale e Petrobras.

Eike descartou investimentos em siderúrgicas, dizendo que há usinas em excesso.

2 de junho de 2012

Mesmo com pressão do governo, tarifas de bancos têm alta de 1,66% em maio

No mês de abril, os serviços bancários já tinham subido 1,42%, contribuindo para a alta do grupo Despesas Pessoais da inflação do consumidor.

Embora o governo venha pressionando para que haja uma redução nos juros cobrados de consumidores, as tarifas de serviços bancários pagas pelos brasileiros continuam em alta. O aumento foi de 1,66% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de maio, um dos destaques dentro da inflação de 0,51% verificada no mês, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

No IPCA fechado de abril, os serviços bancários já tinham subido 1,42%, contribuindo para a alta de 2,23% no grupo Despesas Pessoais no período. Em maio, o grupo Despesas Pessoais teve alta de 1,32%, a maior dentre o grupo que compõem o índice.

Além dos serviços bancários, do cigarro, dos remédios e do feijão carioca, destacaram-se também na inflação medida em maio pelo IPCA-15 os artigos de vestuário (0,97%), seguro de veículos (1,66%), telefonia celular (1,58%), mão de obra para pequenos reparos (1,51%), táxi (1,29%), taxa de água e esgoto (1,16%), gás de botijão (1,01%) e artigos de limpeza (0,99%).

1 de junho de 2012

Autoridades devem investigar IPO do Facebook

Bancos que coordenaram lançamento de ações são acusados de manipular informações.
Zuckerberg, CEO do Facebook, no dia do IPO: ações "FB" despencaram nos primeiros pregões.

Autoridades do mercado financeiro americano deverão investigar o lançamento de ações (IPO, na sigla em inglês) do Facebook, realizado na última sexta-feira (18). Investidores reclamam que o JP Morgan, banco que coordenou a abertura de capital da empresa, informou apenas alguns clientes, às vesperas da oferta, que o lucro do Facebook seria menor que o esperado em 2012. 

A Finra, autoridade reguladora do mercado financeiro, divulgou que vai analisar os argumentos desses investidores, segundo o jornal inglês The Guardian. Os três bancos envolvidos no IPO – Morgan Stanley, JP Morgan e Goldman Sachs – serão investigados, disse à agência Reuters o presidente da Finra, Richard Ketchum.

A presidenta da SEC, órgão que controla as bolsas dos EUA (equivalente à CVM no Brasil), também mostrou preocupação com o assunto. "Acho que existem muitos motivos para termos confiança em nossos mercados e na forma como operam, mas existem tópicos relacionados ao Facebook que precisamos olhar mais especificamente", afirmou Mary Schapiro.

Nesta terça-feira, a imprensa dos EUA trouxe notícias sobre um eventual favorecimento a alguns clientes do JP Morgan. O banco teria compartilhado informações negativas – uma revisão para baixo na previsão de lucros para este ano – apenas com os grandes investidores, chamados institucionais, mas não com os menores, conforme mandam as regras de mercado.

A notícia de que o IPO seria investigado ajudou a derrubar as ações do Facebook nesta terça-feira. Os papéis, listados na Nasdaq como "FB", fecharam em baixa de 9%, acumulando perdas de 18,6% nos primeiros três dias de pregão. Mas o caso do JP Morgan não é o único a lançar dúvidas sobre o processo de IPO.

Um investidor que afirma ter comprado mais de US$ 100 milhões em papéis da empresa diz que irá processar a Nasdaq por um erro no sistema, ocorrido no momento do lançamento das ações. A falha causou atraso de 30 minutos no início das operações. Neste período, afirmou o investidor ao Business Insider, os operadores ficaram sem saber se tinham ou não conseguido executar ordens de venda, o que teria se transformado em prejuízo para os fundos.

Alguns gestores de ativos também reclamam da governaça corporativa da empresa. Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, que irritou investidores ao ir de moletom a reuniões em Wall Street, gerou rumores negativos após criar uma classe especial de ações (detidas por ele) que dão dez vezes mais direito a voto que aqueles negociados no mercado.