13 de novembro de 2012

Mineiros criam a primeira cerveja de cana do mundo

                            José Felipe e o irmão Tiago Carneiro, proprietários da Wäls.

Terceira bebida mais popular do mundo - atrás apenas da água e do chá -, a cerveja vai ganhar uma cara tradicionalmente brasileira. Neste sábado, a cervejaria mineira Wäls, comandada pelos irmãos José Felipe Carneiro, 25, e Tiago Carneiro, 29, vai dar um toque tupiniquim à popular fórmula de água, malte de cevada, lúpulo e levedura, e acrescentar cana-de-açúcar na produção da “gelada”. É a primeira tentativa no mundo de inserir a matéria-prima da cachaça no processo de fermentação da cerveja.



O primeiro lote da produção da cerveja de cana, que chegará ao mercado com o nome de Saison de Caipira, estará sob a responsabilidade de uma das maiores autoridades na bebida do mundo. Garrett Oliver, da norte-americana Brooklyn Brewery, desembarca em Belo Horizonte no sábado para dar o pontapé inicial na produção da "cerveja mais brasileira de todas".

Mas o lote inicial será apreciado por poucos. Segundo José Felipe Carneiro, responsável pelo departamento de produção da Wäls, serão fabricados apenas 2 mil litros da fina cerveja de cana. “Aqui, nós não fazemos cerveja. Fazemos obra de arte”, diz José Felipe.

A projeção é de que a garrafa de 375 ml chegue ao consumidor final em dezembro, com o preço de R$ 18. A Saison de Caipira estará à venda nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal e na cidade de Goiânia.

Mas, para quem perder não der nem um gole nos 2 mil litros iniciais, a Wäls tem um alento. Passado o primeiro lote, a cervejaria mineira pretende manter a Saison de Caipira no portfólio, com uma produção de até 20 mil litros por ano. A Wäls estuda, inclusive, a possibilidade de exportar a cerveja de cana.

No gosto "gringo"

Para o sommelier de cervejas André Cancegliero, organizador do Beer Experience, a Saison de Caipira tende a cair no gosto, principalmente, dos norte-americanos. "Eles gostam dessas adições bem diferentes."

No mercado brasileiro, o especialista enxerga uma oportunidade para a cerveja de cana, mas diz que é "muito difícil acertar a mão" no primeiro lote de produção. "Será uma cerveja bem forte, bem doce", acredita. 

"É uma cerveja de experimentação. Ninguém vai sentar no bar para tomar uma caixa dela", completa. 

Produção à mineira

Para dar à cerveja o toque mais brasileiro da cachaça, a Wäls fechou uma parceria com o grupo mineiro Vale Verde, responsável pela produção de uma das cachaças mais tradicionais do país. Eles fornecerão à cervejaria um lote de cana-de-açúcar especial, com um dos melhores “brix” do mercado. O “brix” é um índice que mede o teor de sacarose da cana, que, no caso da Vale Verde, chega a 23%.

É este açúcar da cana da Vale Verde que será utilizado no processo de fermentação do caldo da Saison de Caipira. Para completar o caráter nobre da cerveja, Garrett Oliver promete trazer dos Estados Unidos um fermento especial utilizado nas bebidas da Brooklyn para dar o seu toque especial à cerveja de cana.

Segundo José Felipe, a Wäls investiu R$ 80 mil na produção do primeiro lote da bebida. Até o processo de moagem da cana será diferenciado. A cervejaria comprou um moedor de cana especial que será utilizado somente para a fabricação da cerveja. No primeiro lote, a Vale Verde vai fornecer 1 tonelada de cana para a Wäls. “A ideia é que essa cana se transforme em aproximadamente 400 litros de caldo.”

Esse caldo nobre será utilizado no processo de fermentação da cerveja. José Felipe explica que a bebida será no estilo Saison, típico do interior da Bélgica, que dá uma “certa liberdade” na manipulação dos ingredientes. As cervejas do tipo Saison tem aromas frutados, leve acidez e alta carbonatação.

O resultado da primeira cerveja de cana, claro, ainda é uma incógnita. Mas a expectativa é grande. “Esperamos um aroma muito frutado”, diz José Felipe. Mas, apesar do toque doce do caldo-de-cana, o teor alcoólico da Saison de Caipira deverá ficar entre 6% e 8%, acima dos 4% da cerveja tradicional.

Como, nas palavras de José Felipe, os lotes de cervejas finas da Wäls “evaporam em uma semana”, vale a recomendação: aprecie com moderação.

12 de novembro de 2012

Comissão aprova adicional noturno, hora extra e FGTS para doméstica

Comissão Especial da Câmara aprovou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabelece igualdade de direitos trabalhistas para os empregados domésticos e os demais trabalhadores urbanos e rurais. A proposta prevê, entre outros direitos, jornada de trabalho de 44 horas semanais, remuneração do trabalho noturno, salário família, horas extras, FGTS, garantia de salário mínimo, entre outros.

A proposta foi aprovada simbolicamente depois de uma longa espera, de cerca de uma hora, para que fosse obtido o quórum mínimo de 14 integrantes da comissão. O projeto do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) foi relatado pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ). "Esse é um momento histórico. Um país que se diz civilizado não pode permitir que esses empregados não tenham os mesmos direitos dos outros", afirmou o presidente da Comissão, deputado Marçal Filho (PMDB-MS). Ele considera que esses trabalhadores são os mais discriminados do País.

Aprovado na comissão especial, o projeto precisa agora ser votado em dois turnos pelo plenário da Câmara por se tratar de uma emenda constitucional e depois seguirá para apreciação no Senado.

11 de novembro de 2012

Mantega propõe unificação do ICMS para acabar com guerra fiscal

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, propôs no dia 07 de novembro a unificação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) interestadual para acabar com a guerra fiscal entre os estados. A alíquota seria unificada em 4% para todas as mercadorias que passam de uma unidade da Federação para outra. Atualmente, o imposto é 7% ou 12%, dependendo do estado de origem da mercadoria.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reúne com governadores para tratar da unificação do ICMS.

Em contrapartida, o governo federal criaria dois fundos para compensar os estados perdedores, que são justamente os que mais produzem mercadorias. Um fundo de desenvolvimento regional, que funcionaria por 16 anos, destinaria R$ 12 bilhões ao ano para os estados perdedores – R$ 9 bilhões em financiamentos de bancos oficiais e R$ 3 bilhões do Orçamento Geral da União. Haveria ainda um segundo fundo, que compensaria as perdas a cada ano, mas os recursos ainda não estão previstos.


O ministro também propôs a revisão do indexador da dívida dos estados com a União. Atualmente, essa dívida é corrigida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) mais 6% ou 7,5% ao ano. A equipe econômica acenou com a substituição deste índice pela taxa Selic, que mede os juros básicos da economia.

A proposta dividiu os governadores. Alguns elogiaram o fim da guerra fiscal, mas pediram que os repasses da União para os estados perdedores sejam automáticos e definidos em lei. Outros governadores, principalmente de estados do Norte e do Nordeste, pediram a fixação de duas alíquotas: 2% para os estados mais ricos e 7% para os menos desenvolvidos, que teriam espaço para a concessão de incentivos fiscais a indústrias.

“A proposta provoca perdas, principalmente para grandes estados produtores, como São Paulo. Não se pode ter duas alíquotas diferentes porque a guerra fiscal nasce justamente da diferença de alíquotas do ICMS”, disse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

O governador do Ceará, Cid Gomes, insistiu na proposta de duas alíquotas diferenciadas. “Não é razoável um país, com as desigualdades regionais que tem, ter uma unificação de alíquota. A diferença de alíquotas é importante para gerar os empregos necessários nas regiões mais deprimidas”, declarou.

Para o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, o mais importante é que as compensações sejam automáticas, sem serem negociadas a cada ano, como ocorre com a Lei Kandir, que desonerou as exportações de bens agrícolas e minerais no fim dos anos 1990 e provocou perdas para estados com economias baseadas na agricultura.

O governador de Goiás, Marconi Perillo, também disse que seu estado terá perdas com a reforma do ICMS interestadual. Ele apoia a proposta do governo federal, mas diz que a mudança no indexador das dívidas é insuficiente para compensar as perdas do estado. “Vários estados, inclusive o nosso, estão com dificuldades de recursos por causa da Emenda 29 [que estabeleceu piso de investimentos em saúde], do Piso Nacional do Magistério e da redução dos repasses do Fundo de Participação dos Estados”, reclamou.

Perillo e Casagrande reivindicaram que, além da troca do indexador, o governo federal reduza o percentual da receita corrente líquida (RCL) que os estados são obrigados a pagar todos os meses para a União. Atualmente, os estados destinam 13% da RCL para a alíquota.

Para o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, pela primeira vez, o governo federal está trabalhando para eliminar a guerra fiscal. “Há uma proposta viável, concreta. Quem tem perda será compensado generosamente. Nas regiões com poucas indústrias, vai ser criado um programa de desenvolvimento regional para manter estímulos e atrair empresas. A alíquota de 4% é extraordinária. Vai haver perdas pontuais, mas a arrecadação crescerá em nível nacional e o custo operacional diminuirá.”

Em abril, o Senado aprovou a unificação do ICMS interestadual em 4% para mercadorias importadas. A medida entra em vigor em janeiro. O governo federal agora quer estender a unificação para as mercadorias nacionais que passam de um estado para outro.

10 de novembro de 2012

ANP garante regularidade em abastecimento

A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) divulgou nota, no dia 05 de novembro, afirmando que o abastecimento de combustíveis no Brasil, tanto de diesel quanto de gasolina, está ocorrendo de forma regular.

"Casos pontuais envolvendo o abastecimento de gasolina, ocorridos recentemente em alguns locais, já foram sanados".

Segundo a ANP, o abastecimento é garantido por 16 refinarias e três centrais petroquímicas que realizam entregas a partir de 38 pontos de fornecimento para 236 distribuidoras.

9 de novembro de 2012

Petrobras sofre revés na Justiça e pode perder R$4,7 bilhões

Segundo a estatal, a Justiça julgou improcedente recurso para anular débito cobrado pela Receita relativo a Imposto de Renda de remessas de pagamento de afretamento de plataformas.

A Petrobras anunciou no dia 05 de novembro que a 29ª vara federal da Justiça do Rio de Janeiro proferiu decisão desfavorável contra a empresa que pode implicar em perda de 4,78 bilhões de reais.

Segundo comunicado da estatal, a instância judicial julgou improcedente recurso da empresa para anular débito cobrado pela Receita Federal relativo a Imposto de Renda de remessas de pagamento de afretamento de plataformas de empresas situadas em "países com tributação favorecida".

A empresa disse que os valores não estão provisionados, mas que avalia medidas para tentar impugnar a decisão.

"A companhia... informa que recorrerá no momento oportuno, acreditando estar amparada na legislação tributária que lhe assegurava a desoneração do Imposto de Renda à época dos fatos", disse em comunicado ao mercado.

Em demonstração contábil da companhia o caso tem sido classificado como perda "possível".

A Petrobras lembrou que em março deste ano obteve decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 2ª Região que lhe assegurou a suspensão da exigibilidade do débito até o julgamento da ação judicial proposta.

"No dia 05 de novembro, a Companhia tomou ciência da decisão desfavorável proferida pelo referido Juízo, através da qual foram julgados improcedentes os pedidos formulados na ação."

Às 10h47, a ação preferencial da empresa caía 1,87 por cento, enquanto o Ibovespa recuava 1,41 por cento.

8 de novembro de 2012

Brasil ganha, este mês, um shopping a cada dois dias

Maquete do VillageMall, na Barra da Tijuca: um dos 16 novos empreendimentos que serão aberto este mês (Foto: Reprodução).

Só este mês, o Brasil vai ganhar um shopping a cada dois dias. Serão 16 inaugurações em novembro, segundo a Abrasce, associação do setor.

Para se ter uma ideia, o país ganhará uma área bruta locável (ABL), a referência de espaço, quase igual a de todo o ano – foram 495.377 metros quadrados de janeiro a outubro e 491.975 até o dia 30.

O estado de São Paulo é o recordista, serão oito novos empreendimentos, fora as expansões, como a que acaba de ocorrer no Shopping CentrerVale, em São José dos Campos.

Na capital, será aberto o Shopping Metrô Tucuruvi.

Apesar de a Abrasce prever crescimento nas vendas de 12% este ano, o shoppings enfrentam ainda o grande desafio de garantir estacionamento para todos os clientes – um problemão que estourou em 2012 em vários estabelecimentos em São Paulo e está cada vez mais difícil de ser solucionado com o boom imobiliário nas cidades grandes e médias.

Uma vaga de garagem na capital paulista, segundo cálculo da Multiplan, custa em média R$ 30 mil.

7 de novembro de 2012

Pais de quase metade dos universitários brasileiros não têm ensino superior

Quase metade dos estudantes universitários do País alcançaram um nível de escolaridade maior que dos seus pais. É o que mostra pesquisa divulgada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) no dia 06 de novembro. De acordo com os dados, 15,8% dos pais dos estudantes possuem até o ensino fundamental completo e aqueles com ensino médio incompleto ou completo representam 32,9%. Já no caso das mães, esse número é de 13,8% e 33,6%, respectivamente.

O relatório diz que, recentemente, as ações do governo federal voltadas para o aumento de vagas nas instituições públicas e os incentivos para ingresso em universidades particulares têm provocado o crescimento de jovens no ensino superior.

Ao mesmo tempo, diz, a adoção de ações afirmativas no campo da educação teriam aumentado o nível de escolaridade dos pais dos estudantes universitários. E assim, provavelmente, trouxe também maior diversidade em relação ao nível socioeconômico das respectivas famílias.

Apesar dos dados positivos sobre a ascensão, os números mostram que ainda existe desigualdade de oportunidades de acesso ao ensino superior e que há uma relação diretamente proporcional entre o nível de escolaridade do pai e da mãe e o acesso do jovem ao ensino superior.

Segundo a pesquisa, aproximadamente dois terços dos entrevistados concentram-se entre aqueles que tem pais e mães que concluíram o ensino médio ou o ensino superior. Na contramão, não alcançam 10% daqueles com escolaridade até o ensino fundamental incompleto. Nesse sentido, o Ipea cruzou os dados com o Censo Demográfico de 2010 e mostra que a maior faixa de concentração de pessoas da população brasileira com mais de 25 anos situa-se entre aquelas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto (49,3%), seguida das pessoas com ensino médio completo ou superior incompleto (24,6%) e com superior completo (11,3%).

Fonte: R7.com

Desemprego sobe para 7,9% em outubro nos EUA

Segundo dados do Departamento de Trabalho, taxa de desemprego teve leve alta de 0,1% no mês, apesar da criação de 171 mil novas vagas no país.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos subiu a 7,9% em outubro, apesar do aumento na criação de postos de trabalho, com 171 mil novas vagas, anunciou o Departamento de Trabalho.

A alta de 0,1% na taxa de desemprego em outubro na comparação com setembro está dentro da previsão dos analistas. O número de novos postos de trabalho, no entanto, representa um aumento de 16% em relação ao mês anterior e é superior às projeções dos analistas, que esperavam 125 mil postos líquidos.

Por outro lado, o ministério revisou em alta em 33% sua estimativa para a criação de emprego para agosto e setembro, o que explica a forte queda da taxa de desemprego em setembro (-0,3 pontos).

A criação líquida de emprego no setor privado no mês de outubro foi de 184 mil postos, uma alta de 44% em um mês, atingindo um máximo desde fevereiro, acima das previsões dos analistas de 130 mil novos empregos.

6 de novembro de 2012

Indenizações no setor de energia somam R$ 20 bilhões

Governo federal vai indenizar 15 usinas hidrelétricas e 9 companhias de transmissão de energia elétrica para permitir a renovação antecipada das concessões do setor.

O governo federal vai indenizar 15 usinas hidrelétricas e 9 companhias de transmissão de energia elétrica em cerca de R$ 20 bilhões para permitir a renovação antecipada das concessões do setor. Juntas, as empresas de geração vão receber R$ 7,07 bilhões, e as de transmissão, R$ 12,96 bilhões.


A medida vai reduzir a conta de luz a partir do início do ano que vem para consumidores residenciais e para a indústria em cerca de 20%, conforme anunciado há dois meses pela presidente Dilma Rousseff. Com esse montante, o governo descarta a necessidade de sacar recursos de outras fontes do Orçamento para implementar a medida, pois os valores são inferiores ao saldo acumulado da Reserva Global de Reversão (RGR), encargo setorial pago mensalmente pelos consumidores na conta de luz desde 1957.


O encargo serve justamente para indenizar as empresas, caso o governo decidisse retomar as concessões. A RGR acumula cerca de R$ 21 bilhões e será extinta a partir de 2013. Divulgadas no dia 1º de outubro, após o fechamento do mercado, as indenizações devem frustrar os planos das companhias.

5 de novembro de 2012

Gerdau desiste de buscar sócio para minério de ferro

Empresa decidiu investir sozinha no plano que tem como objetivo desenvolver capacidade de produção de 24 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em 2020.

A Gerdau desistiu de buscar um parceiro para desenvolver seus ativos de minério de ferro, e optou por seguir sozinha no plano de investimento de R$ 1,8 bilhão que deve garantir à maior produtora de aços longos das Américas autossuficência no insumo no Brasil e sobra de material para ser vendido no país e no exterior.

Depois de um processo que já durava cerca de um ano, a empresa decidiu investir sozinha no plano que tem como objetivo desenvolver capacidade de produção de 24 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em 2020, mais do que o triplo das necessidades atuais da usina da empresa em Minas Gerais, de cerca de 7 milhões de toneladas.

A empresa, que trabalhava com avaliação de que possuía reserva de 2,9 bilhões de toneladas de recursos minerais em Minas Gerais, descobriu após estudos que o volume é de 6,3 bilhões de toneladas, com teor de ferro acima de 40%.

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Apesar disso, a Gerdau não conseguiu atrair propostas dentro de suas expectativas de vários investidores americanos, europeus e asiáticos que foram procurados pelo Goldman Sachs, banco contratado pela empresa para ajudar na busca de um sócio.

A opção de fazer uma abertura de capital de parte dos ativos por meio de uma oferta inicial de ações também está descartada, disse o vice-presidente financeiro, Osvaldo Schirmer, em sua última teleconferência de resultados do grupo antes de se aposentar no final deste ano. Ele não revelou qual era a expectativa que a Gerdau tinha para o recebimento das propostas.

Com isso, a empresa, que já está investindo R$ 838 milhões para ampliar a capacidade de produção de minério de ferro para 11,5 milhões de toneladas em 2013, vai aplicar mais R$ 500 milhões para elevar esse volume para 18 milhões de toneladas até 2016.

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Além disso, outros R$ 500 milhões serão aportados para a construção de um terminal ferroviário em Miguel Burnier (MG)para escoamento da produção mineral. A Gerdau ainda avalia plano para construir um terminal portuário em Itaguaí (RJ) para exportações.

Às 14h01, as ações da Gerdau exibiam queda de 0,51%, enquanto o Ibovespa mostrava alta de 1,24%.

Resultado dentro do esperado

Mais cedo, a Gerdau divulgou queda anual de 43% no lucro líquido do terceiro trimestre, para R$ 408 milhões, dentro do esperado pelo mercado e pressionada por um cenário "mais difícil" que o inicialmente esperado, marcado por queda no desempenho operacional das unidades da empresa nas Americas Latina e do Norte, segundo Schirmer.

O balanço saiu no mesmo dia em que a Usiminas divulgou prejuízo maior que o esperado pela média do mercado, de R$ 125 milhões e depois que a CSN anunciou na véspera queda de 85% no lucro do terceiro trimestre, pressionada por aumento de custo nos produtos vendidos.

Com a queda no resultado positivo e na geração de caixa, a relação dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Gerdau passou a 2,8 vezes ao final de setembro ante patamar de 2,1 vezes registrado um ano antes.


Segundo Schirmer, o endividamento da Gerdau em relação à capitalização do grupo não passa de 30%. "O nível endividamento é baixo, o que está sendo difícil de conviver no momento é com o estreitamento das margens que ampliou a alavancagem pela menor geração de caixa".

Apesar disso, o executivo comentou que a Gerdau tem cerca de US$ 1,5 bilhão em disponibilidades financeiras, "e para os próximos trimestres nós talvez baixemos um pouco a liquidez para diminuir a alavancagem. Se os negócios melhorarem e as margens se ampliarem, faremos mais, inclusive".

Investimento

Junto com o resultado, a Gerdau divulgou que vai investir R$ 460 milhões para construir uma nova aciaria na usina Riograndense, em Sapucaia do Sul (RS). A nova unidade, com capacidade para 650 mil toneladas por ano, deverá entrar em operação no segundo semestre de 2015, substituindo instalação atual com capacidade de 450 mil toneladas.

O anúncio seguiu-se ao plano da Gerdau de retomar projeto de R$ 1,1 bilhão para construção de uma nova usina no México, por meio da joint-venture Gerdau Corsa, divulgado em agosto.

A Gerdau divulgou no balanço que diante das "incertezas do mercado econômico mundial" decidiu revisar seu plano de investimento de R$ 10,3 bilhões até 2016 e que vai divulgar um novo orçamento em fevereiro.


Segundo o presidente-executivo da companhia, Andre Gerdau Johannpeter, o montante de R$ 1 bilhão em mineração não estava previsto no plano de investimento atual.

"Nós estavamos desde o trimestre anterior fazendo uma avaliação mais criteriosa de todos os investimentos (...) estamos revisando o plano também frente à nova estratégia de mineração", disse Gerdau.

Ele classificou a revisão como um "processo natural" e que é cedo para dizer se o volume total de recursos poderá ser ampliado ou reduzido, diante das incertezas da economia global nos próximos anos com a crise da Europa e desaceleração da China.

Por ora, a Gerdau trabalha com cenário de crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil de 4% em 2013, após expansão esperada de apenas 1,5% neste ano.

Enquanto isso, o consumo de aço pelo país deve passar de estimadas 25,9 milhões de toneladas para 2012 (alta de 3,3% sobre 2011) para 27 milhões de toneladas.