14 de dezembro de 2012

Crédito para imóveis já supera o de carros

O crédito destinado para o setor habitacional e imobiliário superou o do setor automotivo pela primeira vez no Brasil. A virada ocorreu em agosto e a diferença tem aumentado, revelam dados do Banco Central que foram elaborados pelo Estadão Dados.

Em setembro, as operações de crédito para compra de imóveis por pessoas físicas e jurídicas chegaram a R$ 334,6 bilhões, enquanto o setor automotivo ficou com R$ 319 bilhões. "O Brasil vem tirando um atraso no crédito imobiliário. Antigamente era muito difícil conseguir um financiamento", afirmou Luis Eduardo Assis, economista e ex-diretor do Banco Central.


O aumento do crédito imobiliário tem sido impulsionado pela pessoa física. Por esse recorte, o saldo já é maior do que o do setor automotivo desde janeiro. Este ano, até outubro, as operações de crédito imobiliário aumentaram R$ 57,3 bilhões, enquanto as do automotivo cresceram R$ 533 milhões.

O setor imobiliário foi beneficiado pela redução das taxas de juros, crescimento do emprego e aumento da massa de rendimento real. Por outro lado, o setor automotivo sofre uma ressaca da enxurrada de crédito que houve em 2009 e 2010, quando o governo reduziu impostos - como IPI - para ajudar na recuperação da economia e prazos para financiamento também foram alongados. Como reflexo dessas medidas, houve um aumento da inadimplência, o que fez com que as concessões fossem travadas este ano. Em outubro, segundo dados do BC, a inadimplência no setor foi de 5,9%, abaixo dos 6% em setembro, mas 1,2 ponto porcentual maior que o verificado em outubro do ano passado.


"Alguns bancos ficaram bem expostos nos seus processos de concessão de veículos. É natural que haja essa retração para limpar um pouco essa carteira e diminuir a inadimplência", diz Dorival Dourado, presidente da Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

13 de dezembro de 2012

Eike Batista volta a ser o mais rico do Brasil

Eike Batista ocupa a 36ª posição no ranking da Bloomblerg com os 200 mais ricos do mundo.

O presidente do grupo EBX, Eike Batista, voltou a ser o homem mais rico do Brasil, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, que divulga o ranking dos 200 mais ricos do mundo diariamente. Eike ocupa agora a 36ª posição, com uma fortuna estimada em US$ 19 bilhões, recuperando o posto que havia perdido para o maior acionista da Ambev, Jorge Paulo Lemman.

No último dia 30, com o mau desempenho da ações da OSX, Eike Batista teve sua fortuna liquída estimada em US$ 18,6 bilhões e caiu duas posições no ranking dos mais ricos, sendo ultrapassado por Lemman, que possuía US$ 18,7 bilhões.


A recuperação no ranking se deve à valorização das ações do grupo de Eike Batista, EBX, nesta última semana.

Segundo a Bloomberg, quando Eike Batista perdeu o posto de homem mais rico do Brasil, o empresário afirmou por e-mail que o País “merece ter mais brasileiros na lista [de biolionários]”, porém não quis comentar a perda de posição no ranking.

Atualmente, a lista dos 200 mais ricos do mundo é liderada pelo mexicano Carlos Slim Helú, dono de diversas holdings de telecomunicação, com uma fortuna estimada em US$ 73,3 bilhões, seguido por Bill Gates, fundador da Microsoft, com US$ 62,5 bilhões.

12 de dezembro de 2012

Donos da Avianca fazem oferta pela TAP

O grupo Synergy, controlador da companhia aérea Avianca, fez, no dia 07 de dezembro uma proposta para a aquisição de 100% da portuguesa TAP. O Synergy é único grupo que participa da fase final do processo de privatização da companhia aérea portuguesa. O fechamento do negócio depende da aprovação de autoridades locais.


O empresário José Efromovich, presidente da Avianca Brasil e controlador do grupo Synergy ao lado do irmão German, confirmou que a empresa segue no processo de aquisição da TAP, mas não revelou o valor oferecido pela aérea portuguesa.

Os irmãos Efromovich vão utilizar sua cidadania polonesa para comprar a totalidade da TAP. O artifício visa atender a legislação europeia, que proíbe que grupos de fora da região sejam controladores de companhias aéreas sediadas na Europa. "Meu pai e meus avós são nascidos na Polônia. Já tínhamos a naturalização. Essa questão do capital estrangeiro está superada", disse José Efromovich.

O empresário diz que a aquisição da TAP "tem todas as sinergias do mundo" com as outras duas companhias aéreas do grupo - a Avianca Brasil e a colombiana. A TAP é a companhia aérea estrangeira que voa para a maior quantidade de destinos no Brasil - são dez cidades no total. A empresa é líder na rota entre Brasil e Europa e leva cerca de 30% dos passageiros que viajam entre os dois continentes.

"Quando o negócio fechar, a primeira coisa que vamos fazer é integrar as malhas da TAP e da Avianca para levar mais passageiros da Europa para toda América Latina", disse Efromovich. O primeiro passo nesse sentido será um pedido de code share (compartilhamento de voos), que permitirá que uma empresa venda passagens da outra.

Apesar da atual crise na Europa, Efromovich entende que a aquisição de uma empresa portuguesa ainda é um negócio atrativo. "Existe uma demanda de turismo e de negócios entre Europa e América Latina que sempre fará as pessoas viajarem de lá para cá."

Cronograma

O governo português terá de decidir agora se aceita ou não a oferta dos irmãos Efromovich. A expectativa dos portugueses é que a decisão seja tomada até o fim do ano.

A análise do documento entregue pelo grupo será feita pelo Conselho de Ministros, que se reunirá nos dias 20 e 27 de dezembro. Procurados, o Ministério das Finanças e a Parpública, empresa pública que gerencia as participações do governo português em empresas, não deram detalhes sobre a proposta apresentada pelo grupo Synergy.

Disputa

Ao longo do processo de privatização, a TAP atraiu o interesse de gigantes do setor. A IAG, controladora da British Airways e da Iberia, chegou a manifestar disposição em disputar a aérea, que acumula dívidas de 1,2 bilhão de euros. No mercado, circularam rumores de que a asiática Qatar Airways e a alemã Lufthansa também estariam de olho no negócio.

O governo português nunca escondeu que gostaria que um grupo brasileiro entrasse na disputa pela sua companhia aérea estatal. Autoridades do país estiveram no Brasil no fim do ano passado e neste ano para tratar do tema com representantes do governo brasileiro e com companhias aéreas nacionais.

Além dos controladores da Avianca, executivos da TAM, Gol e Azul foram procurados pelos portugueses. A crise no setor aéreo e a alta do dólar neste ano, que vem afetando a rentabilidade das companhias brasileiras, levaram as empresas a adotar uma postura mais conservadora e ficar de fora da disputa. A única brasileira que se interessou pelo negócio foi a Avianca, por meio do seu grupo controlador.

11 de dezembro de 2012

Governo estuda manter IPI menor para linha branca

Mesmo contando com os efeitos das medidas já adotadas para fazer a economia voltar a crescer num ritmo de 4% em 2013, o governo estuda a possibilidade de manter alguns dos estímulos provisórios que deveriam ser retirados a partir de janeiro. Está em avaliação a prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de produtos da linha branca e do Reintegra, regime que devolve às empresas 3% do faturamento com exportações.


Os benefícios podem, no entanto, sofrer algumas adaptações. No caso do IPI para produtos da linha branca, o governo estuda a possibilidade de tornar permanente parte da redução do imposto para alguns itens, como os chamados tanquinhos. Não está descartada a renovação do IPI para carros, segundo uma fonte da área econômica.

Uma das preocupações do governo é com o impacto no crescimento econômico e na inflação decorrente da retirada total dos incentivos no primeiro trimestre do ano que vem. Há uma avaliação de que a volta do IPI cheio pode arrefecer o ímpeto da retomada da atividade industrial.


Os dados mostram que as empresas estão desovando os estoques nesta primeira fase de recuperação da economia e manter a expectativa de demanda é importante para que a produção cresça com mais força. Mas ainda não há decisão por causa do impacto fiscal da renovação, mesmo que parcial. Isso só deverá ocorrer no fim do mês. Ainda pesa contra a renovação o efeito colateral negativo no comportamento do consumidor de sucessivas renovações do benefício.

Reintegra

Segundo fontes, o Reintegra pode ter mudanças na lista de produtos que geram direito ao crédito. A ideia original era que a relação de produtos fosse apenas de manufaturados, mas alguns semimanufaturados foram incluídos. Por isso, o governo pode tornar a lista mais enxuta.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior defende a extensão do programa no modelo em vigor por mais um ano, mas a Fazenda entende que o programa é caro e questiona a efetividade dos resultados gerados. A equipe do ministro Guido Mantega não gostaria de prorrogar o Reintegra, que tem uma renúncia fiscal estimada em R$ 5,3 bilhões ao ano. Mas o governo enfrenta uma pressão do setor empresarial, que pede a sua extensão.


"Neste momento tão delicado da economia mundial e de redução do saldo da balança comercial brasileira fica difícil não ter a prorrogação do Reintegra", diz um técnico do governo. Essa fonte lembra que somente agora o programa está "azeitado".

O governo tem sido pressionado pelos empresários a tomar uma decisão rápida sobre o Reintegra. Eles argumentam que as empresas estão inseguras para fechar os contratos de exportação sem uma definição se poderão contar com o benefício em 2013.

Brasil Maior

O Reintegra foi um mecanismo estabelecido no Plano Brasil Maior - a política industrial do governo Dilma Rousseff - para devolver até 3% dos impostos pagos na cadeia produtiva aos exportadores de bens manufaturados.

Embora tenha sido anunciado em agosto do ano passado, a sua regulamentação saiu apenas no fim de 2011, quando efetivamente entrou em vigor. Na ocasião na edição da MP do Brasil Maior, o câmbio era ainda de R$ 1,56 por dólar. 

A lei prevê que a devolução dos impostos pelo Reintegra pode variar de 0,5% a 3% das exportações e ser definida conforme o produto.

10 de dezembro de 2012

Governo anuncia investimentos de R$ 54,2 bilhões em portos até 2017

O governo anunciou no dia 06 de dezembro investimentos de R$ 54,2 bilhões até 2017 para o setor portuário. A medida contempla ainda novas concessões, a centralização do planejamento dos portos na Secretaria de Portos, a criação de uma Comissão Nacional de Praticagem e aportes em dragagem e nas estruturas portuárias. Segundo a presidenta Dilma Rousseff, o objetivo é conseguir a "maior eficiência possível, com maior movimentação de carga e menor tarifa possível".

"Esse programa de investimento em logística para o setor portuário é uma espécie de continuidade da abertura dos portos que, uma vez no passado, Dom João VI fez às nações amigas", afirmou a presidenta no anúncio. "É um passo para abrir os portos não mais às nações amigas, mas às forças produtivas do país e à iniciativa privada."


A presidenta afirmou que os R$ 54,2 bilhões serão obtidos a partir de investimentos públicos e também privados. O dinheiro será aplicado em arrendamentos e terminais de uso privativo (TUP), sendo R$ 31 bilhões em 2014 e 2015 e R$ 23,2 bilhões em 2016 e 2017. "Queremos uma explosão de investimentos no que se refere à expansão e melhoria dos portos quanto ao que se refere á parceria com setor privado", afirmou.

Os portos beneficiados são Espírito Santo, Rio de Janeiro, Itaguaí, Santos, Cabedelo, Itaqui, Pecém, Suape, Aratu e Porto Sul/Ilhéus. Também estão incluídos Porto Velho, Santana, Manaus/Itacoatiara, Santarém, Vila do Conde e Belém/Miramar/Outeiro, Porto Alegre Paranaguá/Antonina, São Francisco do Sul, Itajaí/Imbituba e Rio Grande.

Outros R$ 2,6 bilhões serão investidos em acessos hidroviários, ferroviários e rodoviários e em pátios de regularização de tráfego nos 18 principais portos públicos brasileiros. O Ministério dos Transportes entrará com R$ 1 bilhão e o restante será executado por Estados e iniciativa privada.


As medidas anunciadas hoje incluem investimentos em dragagem, com contratos de até 10 anos, e também a criação de uma Comissão Nacional de Praticagem para regular o serviço. O ministro-chefe da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, disse que o governo fará uma reorganização institucional, com aprimoramento do marco regulatório e eliminação de dificuldades para entrada e competição do setor. "Para isso, precisamos de investimento, novas concessões, todos os arrendamentos que estamos prevendo e investir recursos para melhorar acessos aquaviários e terrestres."

Histórico

O pacote portuário que foi anunciado no dia 06 de dezembro se soma a outras medidas já tomadas pelo governo desde o começo do ano para impulsionar a economia brasileira. Só neste mês houve anúncios de desoneração da folha de pagamento de empresas da construção civil e a redução do prazo de incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações de financiamento externo.

No final de outubro a presidenta Dilma Rousseff decidiu prorrogar as alíquotas menores do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A medida, anunciada em 21 de maio, com validade até o fim de agosto, foi estendida até 31 de outubro e, em seguida, até 31 de dezembro.


Em setembro, o governo decidiu adotar medidas para diminuir a conta de energia elétrica dos consumidores comuns. A decisão, porém, encontrou resistência por parte das estatais de São Paulo (Cesp), Minas Gerais (Cemig) e Paraná (Copel). Com isso, a redução prometida de 20,2% na conta de luz deve se tornar, na prática, um corte de 16,7%.

As rodovias e ferrovias também ganharam um pacote para tentar solucionar antigos gargalos de logística do País. O plano de concessões anunciado em agosto, de R$ 133 bilhões, teve como objetivo reduzir o Custo Brasil e tornar a economia brasileira mais competitiva.

9 de dezembro de 2012

“Pacote de portos é música para mim”, diz Eike

Empresário Eike Batista ao lado do pai, Eliezer, no anúncio dos investimentos no setor portuário.

O empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, gostou do pacote de concessão de portos anunciados no dia 06 de dezembro pela presidenta Dilma Rousseff, no valor de R$ 54,2 bilhões. “Esse pacote é música para mim. Estamos falando disso (facilitação da entrada do setor privado na área portuária) desde 2007, e encaixou direitinho no que estamos fazendo desde lá”, afirma.


O executivo, que no dia 30 de novembro perdeu o posto de mais rico do Brasil para João Paulo Lemman, classificou o pacote como “uma alavanca extraordinária para reduzir o Custo Brasil.”. Eike sinalizou que o novo modelo no qual a iniciativa privada poderá solicitar áreas para construção de portos pode facilitar a implantação de seu Superporto Brasil em Peruíbe, litoral Sul de São Paulo. “Se o governo achar que é importante licitar, nos interessa. Temos esse projeto pronto na gaveta.” O empresário não quis revelar números, mas disse que o projeto “é de bilhão reais.”


O terminal, segundo ele, deve ser menor que o Superporto do Açu,em São Joãoda Barra (RJ), que deve funcionar como uma plataforma de produção e exportação. Em Peruíbe, o porto de Eike servirá para escoamento de grãos e embarcação de gás natural. “O bom é que agora a gente pode provocar a licitação”.

O empresário afirmou que a construção de uma planta siderúrgica pela chinesa Wuhan não está descartada, embora a empresa tenha arquivado o projeto . “O projeto está licitado, pronto. Só falta a ferrovia e o gás natural chegarem para poder produzir”, afirmou.

8 de dezembro de 2012

Cesp nega manter concessões elétricas e Cteep deve prorrogar contrato

A geradora de energia Cesp decidiu nesta segunda-feira não renovar as concessões de suas hidrelétricas, no maior revés até o momento para o governo federal conseguir reduzir a conta de luz no ano que vem como prometido.

As quatro empresas mais afetadas pela renovação das concessões --Eletrobras, Cteep e Cemig, além da Cesp-- deixaram para decidir seus destinos na véspera do prazo limite para assinatura dos aditivos aos contratos, para aquelas que optarem pela prorrogação.

"A proposta do governo federal foi insuficiente para atender as necessidades da companhia", disse em entrevista coletiva o presidente da estatal paulista Cesp, Mauro Arce.

Num esforço para garantir adesão à renovação das concessões, o Ministério de Minas e Energia elevou no fim da semana passada as indenizações às transmissoras de energia e aceitou considerar custos adicionais nas hidrelétricas no cálculo do ressarcimento às concessionárias.

Com a proposta melhorada, a Cteep, maior companhia privada de transmissão de energia do país, informou que seu Conselho de Administração voltou atrás e recomendou que os acionistas decidam pela manutenção dos ativos.

ELETROBRAS

Outra que aderiu à prorrogação dos contratos foi a Eletrobras, sem surpresas para o mercado pelo fato de ter a União como controladora, em uma assembleia marcada por protestos de minoritários que alegaram conflito de interesse no voto do principal acionista.

Para lidar com a perda de receita anual estimada em perto de 9 bilhões de reais com a renovação das concessões, a Eletrobras cortará custos e terá que ser mais rigorosa no cálculo do retorno nos leilões de novos projetos de energia.

A companhia e suas subsidiárias foram responsáveis pela viabilização de grandes e polêmicos projetos do setor elétrico, como a hidrelétrica de Belo Monte (PA), num momento em que investidores privados estavam mais cautelosos em investir.

Segundo o diretor financeiro da Eletrobras, Armando Casado de Araújo, a indenização à Eletrobras por investimentos não depreciados mantém o grupo capitalizado. Além disso, o executivo afirmou que a União dará garantia para alavancagem financeira para novos projetos.

Casado disse ainda que espera aumento "significativo" do ressarcimento ao grupo, além dos 14 bilhões de reais definidos inicialmente.

Além de elevar a indenização a transmissoras, o governo reviu para cima o ressarcimento a algumas hidrelétricas, a principal Três Irmãos, da Cesp, cujo valor aumentou cerca de 75 por cento sobre o apresentado inicialmente, para 1,74 bilhão de reais. Porém, o montante ainda ficou aquém do pretendido pelo governo de São Paulo.

As ações da Cesp reagiram bem à negativa da empresa e avançaram quase 9 por cento, contra alta de 1,3 por cento do Ibovespa, segundo dados preliminares de fechamento.

Ao decidir não renovar as concessões, a Cesp garantirá o fluxo de caixa nos níveis atuais até o vencimento dos contratos vigentes para as hidrelétricas Ilha Solteira e Jupiá, em 2015. A usina Três Irmãos teve sua concessão expirada em 2011 e terá que ser devolvida à União.

No caso da Cteep, a decisão do Conselho de indicar a renovação das concessões é uma vitória para o governo federal, pois inicialmente a companhia não pretendia manter os empreendimentos. Na bolsa, a reação foi negativa: as ações da Cteep recuaram quase 3 por cento.

As ações preferenciais da Eletrobras tiveram ligeira queda de 0,21 por cento, com a percepção de que a renovação já estava precificada no valor de mercado da companhia.

CEMIG AINDA É DÚVIDA

A renovação antecipada das concessões elétricas que venceriam de 2015 a 2017 é parte fundamental do plano do governo para garantir redução média de 20 por cento na tarifa de luz paga pelo consumidor em 2013, num esforço da presidente Dilma Rousseff para elevar a competitividade da indústria e estimular a economia.

Pela proposta, as concessionárias de energia serão indenizadas por investimentos não depreciados em ativos e terão que praticar tarifas cerca de 70 por cento menores para manter os ativos por mais algumas décadas.

As que não aceitarem as regras, permanecem com os ativos nas mesmas condições vigentes até o fim do contrato, quando eles serão devolvidos ao governo para nova licitação.

A Cemig, controlada pelo governo mineiro, ainda está decidindo o destino de parte de seus ativos com vencimento até 2017, mas deixou fora do processo três hidrelétricas por entender que elas teriam direito a uma renovação automática da concessão pela regra antiga.

A assessoria de imprensa da Cemig informou que o Conselho da empresa seguia em reunião no dia 03 de dezembro, que irá se estendeu até o dia 04 de dezembro.

No fim da semana passada, a estatal paranaense Copel decidiu renovar as concessões em transmissão de energia, mas rejeitou prorrogar os contratos de quatro hidrelétricas afetadas pela medida provisória 579, que trata do assunto e está no Congresso.

A Celesc, estatal catarinense, negou renovar as concessões de suas usinas.

As concessionárias de energia teve até o dia 04 de dezembro para assinar os aditivos aos contratos. Autoridades do governo federal vinham afirmando esperar adesão total à renovação.

(Os repórteres participaram das assembleias de acionistas da Eletrobras e da Cesp na qualidade de ouvintes depois de terem comprado um lote de ações das respectivas empresas para ter direito a acesso à reunião. Eles se abstiveram de participar da votação).

7 de dezembro de 2012

Líder republicano diz que não há avanços sobre abismo fiscal

O presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, John Boehner, disse no dia 02 de dezembro que a Casa Branca e os negociadores republicanos não obtiveram progresso nas conversas para evitar o abismo fiscal, num plano que inclui aumento de impostos e profundos cortes de gastos.

"Não chegamos a lugar algum", disse o líder republicano na Câmara, ao Fox News Sunday.

"Nós colocamos uma oferta série na mesa determinando aumento de receitas... Mas a Casa Branca respondeu com virtualmente nada", disse ele.

Boehner afirmou ainda que o Congresso nunca vai concordar com a sugestão da Casa Branca de que o limite de dívida federal seja elevado sem passar pelos legisladores.

6 de dezembro de 2012

Total de municípios de classe média dobra em 10 anos

                          Vista aérea da avenida Paulista: São Paulo é a 32ª colocada.

Mais um indicador apontou que o Brasil caminha para se tornar um país de classe média. Segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), o número de municípios com desenvolvimento socioeconômico "moderado" dobrou de 2000 a 2010. Porém, os avanços ainda são concentrados: a Região Norte apresenta indicadores ruins e o Nordeste ainda precisa levar a prosperidade ao interior.

São Paulo se aproxima de um nível considerado alto - as 14 cidades com maior IFDM são paulistas, com Indaiatuba no primeiro lugar. Todas são do interior, onde está concentrada a riqueza do Estado. A capital fica em 29.º lugar no ranking estadual e em 32.º no nacional. Ainda assim, é a segunda melhor no IFDM 2010, atrás apenas de Curitiba (PR).

Calculado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o IFDM classifica o desenvolvimento socioeconômico dos municípios numa escala de 0 a 1. Na última década, o número de municípios com nível "moderado" (entre 0,6 e 0,8) passou de 1.655 (30,1% dos 5.565 municípios do País) para 3.391 (61%). A parcela de municípios com índice considerado "baixo" (abaixo de 0,4) passou de 18,2%, em 2000, para 0,3%, em 2010.

O crescimento do emprego e da renda puxou a evolução da média nacional na década, mas o avanço nos indicadores de educação e saúde foi o principal responsável por disseminar o desenvolvimento. "O mercado de trabalho formal é muito concentrado, mesmo em São Paulo", diz o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Guilherme Mercês.

Apesar da concentração do emprego formal em poucas cidades, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, chama a atenção para o ritmo de crescimento. Segundo ele, a geração de vagas segue maior fora dos grandes centros, embora eles ainda concentrem os empregos. Para a classe média continuar crescendo, são necessários "políticas públicas, ações privadas e tempo", diz Neri. Segundo ele, uma década é pouco para superar as desigualdades do País.

A média brasileira do IFDM foi de 0,7899 em 2010, avanço de 3,9% ante o IFDM de 2009, refletindo a recuperação econômica de 2010 - a economia cresceu 7,5% após a leve recessão de 2009. De 2000 a 2010, o avanço na média nacional foi de 32,7%.

5 de dezembro de 2012

Petróleo cria dilema para esquimós no Alasca


Depois de uma década de batalha nos tribunais e gastos que chegaram a US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 9,4 bilhões), a multinacional de petróleo Shell conseguiu em 2012 a permissão para iniciar perfurações exploratórias na costa do Estado americano do Alasca.

No entanto, para a comunidade esquimó local, os Inupiats, a decisão é motivo de preocupação. Eles temem o impacto devastador da exploração do petróleo em sua principal fonte de alimento, a baleia-da-groenlândia.
                           Pesca e caça são parte vital do modo de vida em Point Hope.

O grupo Inupiat vive no norte do Alasca e seus integrantes têm permissão para capturar dez baleias-da-groenlândia por ano.

O temor deste grupo é que a exploração na costa atrapalhe as rotas de imigração dos mamíferos marinhos, afastando as baleias da costa, onde elas podem ser capturada pelos caçadores.

A pesca e a caça são centrais no modo de vida deste grupo indígena. Arqueólogos encontraram provas datadas de 800 antes de Cristo que mostram que humanos já naquela época caçavam baleias na região.

"Somos os mais antigos habitantes contínuos da América do Norte", afirma o prefeito da cidade de Point Hope, Steve Oomituk. "Estamos aqui há milhares de anos."

Oomituk governa uma cidade com população de 800 pessoas e tem a mesma preocupação dos moradores de Point Hope: de que a perfuração da Shell possa destruir a cadeia alimentar que é central para a sobrevivência. Mais de 80% dos alimentos consumidos na cidade são capturados pelos moradores.

"A proposta de perfuração no Ártico (da Shell) está exatamente no caminho das rotas de imigração dos animais", disse o prefeito.

"Vivemos em um ciclo de vida que não mudou durante milhares de anos. Sabemos onde os animais estão chegando. Sabemos quando eles vão para o norte, quando vão para o sul, este é o nosso lar, nossa terra, nossa identidade como um povo."

Dependência do petróleo

No entanto, Oomituk, como qualquer outro cidadão americano, depende de combustíveis fósseis: a casa dele é aquecida com diesel, ele dirige um veículo que precisa de gasolina.

Além disso, em uma comunidade pobre como Point Hope, empregos são fonte de preocupação. Como prefeito, Oomituk reconhece que muitos serão beneficiados com uma nova empresa na região.
                            Marie Casados mostra o pé de urso polar em sua geladeira.

"Você quer empregos para as pessoas, você quer o crescimento da economia, mas você quer sacrificar seu modo de vida para que isto aconteça? Colocar em risco um modo de vida que está aqui desde tempos imemoriais?"

Marie Casados mostra o pé de urso polar em sua geladeira (Foto: May Abdalla)

Algumas pessoas na cidade simplesmente não têm o bastante para comer.

Marie Casados mostra o conteúdo de sua geladeira que é o seu suprimento de comida para o inverno: carne de baleia, pele de baleia congelada, vários tipos de peixe e um pé de urso polar que, segundo ela, é uma iguaria.

Mas, na cidade também há a distribuição de sopa para os moradores mais carentes, como Patrick Jobstone. Ele está desempregado desde que saiu da prisão e luta para sustentar a família.

Um emprego na Shell seria o ideal para Jobstone e ele já está sendo treinado em limpeza de lixo tóxico, se antecipando às oportunidades que a gigante do petróleo possa trazer para região.

"Se eles tiverem empregos, vou trabalhar para eles, sem problemas", afirmou. No entanto, Jobstone também teme a poluição.

"Se uma plataforma de petróleo vazar e fazer uma bagunça, como vou comer uma baleia que não esteja contaminada? Petróleo cru fica no fundo do oceano."

Possibilidade de vazamentos

"Eu imagino que vão ocorrer vazamentos e nenhum vazamento é bom. Mas vai ocorrer um vazamento grande o bastante para ter impacto na subsistência das pessoas? Na minha opinião, não, eu não acredito que isto vá acontecer."

Slaiby destaca que, por outro lado, o petróleo da costa de Point Hope pode fazer uma grande diferença.

"Pode ser um passo importante na jornada para a independência energética dos Estados Unidos", afirmou.

O vice-presidente afirma que há uma queda no uso do oleoduto Trans-Alasca, que há 40 anos leva o petróleo extraído no Alasca para o resto dos Estados Unidos.

"Estamos vendo o declínio, ano após ano, de 6%. Para nós, manter o oleoduto funcionando é um de nossos objetivos nacionais."
              Moradores e representantes da Shell se reuniram no centro de Point Hope.

Reunião

No último verão no Hemisfério Norte o conselho tribal de Point Hope se reuniu pela primeira vez com representantes da Shell, incluindo Pete Slaiby.

Depois da reunião, os moradores da cidade estavam emocionados, porém resignados com a perfuração.

"Precisamos conseguir toda a informação e ter certeza que será feito apropriadamente", disse Peggy Frankenson, diretora-executiva do conselho tribal.

"Somos os zeladores dos animais e da terra e precisamos ter certeza que nossa cultura possa continuar para os próximos 10-20 mil anos", afirmou.

A Shell ainda não conseguiu extrair nenhum petróleo da costa em 2012. Primeiro, a perfuração foi paralisada quando um pedaço de geleira gigantesco, com cerca de 48 quilômetros de comprimento por 19 de largura, apareceu no caminho do navio da companhia.

Depois, a perfuração começou em dois lugares, mas a Shell foi proibida pela Guarda Costeira americana de estender seus poços até as reservas de petróleo, depois que uma cúpula enorme, que conteria vazamentos, quebrou durante testes.

A área agora ficará coberta de gelo até 2013 e os moradores de Point Hope conseguiram uma suspensão da execução da sentença que permite as perfurações. Para outros, isto pode ser um atraso frustrante.

Mas, em 2013, a Shell voltará a perfurar a costa da região.