10 de fevereiro de 2013

Mantega anuncia mudança nas regras para concessão de rodovias

Ministro disse que o país traz condições favoráveis para investimentos em infraestrutura, já que tem principais gastos sob controle ou estacionados.

Num esforço para tentar atrair potenciais investidores, o governo brasileiro melhorou as condições das concessões de rodovias previstas para este ano, ampliando os prazos, reduzindo os custos dos financiamentos e permitindo que outros bancos estatais participem do processo.

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o período de financiamento desses projetos foi elevado a 25 anos, ante 20 anos, e a carência passou a cinco anos, dois a mais do que o previsto antes. O prazo da concessão também subiu, para 30 anos, ante 25 anos.

"É muito fácil fazer o investimento nessas condições", disse Mantega a jornalistas após participar do "Fórum Infraestrutura e Energia no Brasil: Projetos, Financiamento e Oportunidades", espécie de road-show preparado pelo governo na busca de investimentos, que seguirá para o exterior numa segunda etapa.

O governo também revisou a previsão de crescimento médio do tráfego, passando a 4% ao ano, dos 5% anteriormente.

Mantega ressaltou que, com essas mudanças, a taxa de retorno dos investidores ficará acima de 10% real, descontando a inflação medida pelo IPCA. "Depende de cada empreendedor", afirmou o ministro.

As mudanças acontecem depois de o governo adiar o leilão de concessão de trechos de duas rodovias marcado para a semana passada.

"NÃO PRECISA COLOCAR UM TOSTÃO"

O esforço do governo em atrair mais investidores vem após o processo de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília e que não foi tão bem-sucedido como gostaria o próprio governo, ao atrair investidores sem experiência na administração de grande aeroportos.

O programa de investimentos do governo em infraestrutura --somando aeroportos, ferrovias, rodovias, portos e energia elétrica-- chega a 370 bilhões de reais. Só para rodovias, a estimativa é de 42 bilhões de reais, cuja taxa de juros para os financiamentos também foi melhorada, para TJLP (hoje em 5% ao ano) mais até 1,5%, dependendo do rating do tomador. Antes, ela não variava dependendo da empresa, sendo TJLP mais 1,5%.

O governo também decidiu, segundo Mantega, que os futuros investidores poderão financiar até 80% dos projetos para os empreendimentos com agentes financeiros e financiar até 20% por meio de fundos de equities. "Ele (investidor) não precisa colocar um tostão", resumiu o ministro.

Outra condição de financiamento que mudou foi a exigência de patrimônio líquido, que passou de igual ou maior a 1,3 do total financiado para igual ou maior ao valor do total financiado. Já a necessidade de ativos totais passou de igual ou maior a 2,8 para 2.

O governo também reduziu a tributação aplicada para debêntures em infraestrutura e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (Fidc): a alíquota do Imposto de Renda para pessoas físicas e não residente passou a zero, com 15% quando feito por pessoas jurídicas. Também o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ficou em zero no câmbio para não residentes.

Mantega informou ainda que, além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as estatais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal também poderão fazer empréstimos para os projetos de concessão de rodovias.

"A alavancagem, que pode chegar a 80%, poderá ser fornecida por cada um desses bancos individualmente ou por consórcio... e poderão ser exercidas por bancos privados, fundos de investimento. Todos que se candidatarem a participar desses empreendimentos terão a possibilidade de fazê-lo", afirmou o ministro.

9 de fevereiro de 2013

Privatizado, Cumbica triplica o número de passageiros

Na próxima semana, a partir de 15 de fevereiro, o maior aeroporto brasileiro entrará em uma nova fase, com a conclusão do processo de saída da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) da administração do Aeroporto André Franco Montoro, mais conhecido como Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, São Paulo. Depois de ser privatizado e com uma nova marca — que o batizou de GRU Airport —, o aeroporto começa a se preparar para alcançar, até 2022, a capacidade de atender 60 milhões de passageiros por ano.

Atualmente, tem capacidade para 18 milhões, mas chegaram a transitar por ali só no ano passado cerca de 32 milhões de passageiros. É sabido pela própria concessionária que agora assume o controle total do aeroporto, porém, que até 2014 bem poucas das melhorias necessárias a Guarulhos serão feitas. Por ora, quem passa pelas instalações do aeroporto percebe apenas a mudança na sinalização visual — em razão da troca de mais de 900 placas — e a reforma dos banheiros.
Obras do Terminal 3, que ocupará uma área maior do que todo o aeroporto tem atualmente: melhorias concretas só a partir de 2014.

Esta ao menos foi a impressão da equipe do BRASIL ECONÔMICO ao visitar Guarulhos, neste início do processo da administração privada, para traçar um retrato da atual condição do aeroporto. As principais percepções captadas estão nesta que é a primeira reportagem da série que mostrará cada um dos aeroportos recém privatizados do Brasil — além de Cumbica, também Viracopos, em Campinas, e Juscelino Kubitschek, em Brasília — e das perspectivas que suas melhorias podem trazer ao sistema aeroportuário do país.

No GRU Airport, a expectativa é de que a grande mudança virá apenas quando terminarem as obras do Terminal 3 — com capacidade para atender mais 12 milhões de passageiros por ano, oferta de mais 22 pontes de embarque, ampliação do pátio para mais 36 posições de aeronaves e 10 mil vagas de estacionamento. “Temos o desafio de praticamente construir um novo aeroporto em 19 meses e a agilidade da iniciativa privada é fundamental em um processo assim”, diz Antonio Miguel Marques, presidente da Concessionária Aeroporto Internacional de Guarulhos S.A. “Nós temos certeza que, atualmente, o nível de conforto para os passageiros que podemos oferecer não é o que queremos. Mas é difícil fazer todas as mudanças com o aeroporto em operação.”

A concessionária é formada pelo Grupo Invepar e pela operadora sul-africana ACSA. Juntas, as empresas detêm 51% da administração do aeroporto, enquanto a Infraero ficou com os outros 49%. Dos 51% da iniciativa privada, a Invepar tem participação de 90% e a ACSA, de 10%. O plano total de investimento previsto pela concessionária até 2032 é de R$ 6 bilhões, sendo que cerca de R$ 3 bilhões serão investidos até a Copa de 2014. Além das tarefas previstas em contrato para serem cumpridas pela própria concessionária, Miguel Marques destaca também a importância de outras ações paralelas serem realizadas ao longo desse período para que o maior aeroporto brasileiro realmente tenha condições de atender sua demanda.

Entre essas mudanças, uma das principais está relacionada ao acesso ao local. Hoje, a única forma de chegar ao GRU Airport é pela rodovia Hélio Smidt. Por conta disso, a concessionária também vai investir em novas portas de entrada para o aeroporto. Com a construção da futura estação da Linha 13-Jade da CPTM, a empresa desenvolve o projeto para implantação de um monotrilho ligando a estação de trem aos principais pontos do aeroporto. “O custo estimado para o obra é de US$ 40 milhões, com previsão de entrega para 2016”, diz Marques.

Para o executivo, a construção da linha-13 da CPTM, somada ao projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro, deve fazer do GRU Airport um grande hub de conexão de transporte ferroviário. Além disso, com a finalização do trecho norte do Rodoanel em Guarulhos, será construída uma alça de ligação com o aeroporto, ampliando as vias de acesso de veículos. “Temos várias pesquisas que mostram que a percepção que os passageiros têm do aeroporto é completamente diferente quando eles enfrentam transtornos para chegar até aqui”, conta.

Enquanto esses grandes projetos não se concretizam, a nova administração também começa a estabelecer uma outra relação com as companhias aéreas. “Claro que as empresas têm demandas principalmente por mais espaço no aeroporto. Mas nós também temos demandas em relação a elas, especialmente para que sejam mais ágeis”, pondera o executivo.

Até que essas grandes mudanças se concretizem, a aposta da nova administração recai sobre pequenas melhorias para os passageiros como reforma e ampliação dos banheiros, reposicionamento de bancos (longe das áreas de check-in), entre outras. A partir de março de 2013 haverá reforma dos terminais 1 e 2, com aumento das áreas de liberação de bagagem, controle de passaporte, raio X e ampliação das áreas comerciais e de serviço.

8 de fevereiro de 2013

Mantega prevê que gasolina subirá 4,4% na bomba

                                              O ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O preço da gasolina na bomba deverá subir 4,4%, afirmou no dia 30 de janeiro o ministro da Fazenda, Guido Mantega, resultando em um impacto de 0,16 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).



O reajuste que chegará às bombas é menor devido à mistura de 20% de etanol na gasolina, entre outros fatores, como as margens das distribuidoras.

"O posto vai repassar 4,4% porque tem a mistura, e isso é menos que a inflação. Faz quatro anos que o preço da gasolina não sobe. De 2006 até agora o preço da gasolina subiu 6%. É uma pequena correção que não vai atrapalhar ninguém", afirmou.

Em outras oportunidades que a gasolina subiu nas refinarias, o governo reduziu a Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide) para evitar repasses ao consumidor. Mas no último aumento a Cide foi zerada, tanto para a gasolina como para o diesel.

"Dessa vez, (o reajuste) vai para o consumidor e vai ter um impacto pequeno de 0,16 ponto no IPCA", emendou.

Mantega disse que o governo está estudando elevar a mistura do etanol na gasolina, mas não se comprometeu com uma data para fazer o anúncio.

Um aumento da mistura para 25%, por exemplo, poderia atenuar mais a alta da gasolina.

O ministro esquivou-se de responder se o aumento dado agora será o único do ano.

Disse apenas que novos reajustes vão depender do preço internacional do petróleo.

"É o último aumento da gasolina nesta semana", afirmou em tom de brincadeira. "No ano passado demos mais de um aumento, não significa que este ano faremos o mesmo."

Ele afirmou que a Petrobras também interfere na decisão.

"O aumento é decidido pela diretoria da Petrobras, depende do preço internacional e de outros fatores."

7 de fevereiro de 2013

Bancos terão pagamento móvel por aproximação a terminal

                                               Demonstração de pagamento via NFC.

Operadoras de telefonia fecharam acordos com bancos para o início de pagamentos por meio do sistema de aproximação dos dispositivos móveis às máquinas de cartão de crédito e débito de estabelecimentos comerciais. Duas teles anunciaram no dia 30 de janeiro o início da parceria para o uso da tecnologia NFC (Near Field Communication): Telefônica/Vivo com o Bradesco e a TIM com o Itaú.

O NFC permite realizar a transação financeira por meio da troca de dados por radiofrequência. Assim, o cliente precisa apenas aproximar o celular, que precisa contar com um hardware instalado com a tecnologia NFC, a um terminal de pagamento (POS). A Telefônica/Vivo já começou o piloto com seus clientes, enquanto a TIM fará testes nos próximos meses em restaurantes no Rio de Janeiro e em São Paulo.

No ano passado, a Claro já havia firmado parceria com o Bradesco para o desenvolvimento dos pagamentos móveis com o uso da tecnologia NFC. Os envolvidos afirmam que a grande vantagem da nova tecnologia para o cliente é a agilidade para efetuar pagamentos em cafés, fast-foods ou transporte público.

6 de fevereiro de 2013

Saldo de empregos formais gerados em 2012 é o pior em três anos, indica Caged

O saldo líquido de 1.301.842 empregos formais gerados em 2012 foi o pior resultado anual do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) desde 2009, quando foram criadas 1.296.233 novas vagas com carteira assinada. Em relação aos 1.944.560 empregos criados em 2011, a queda foi de 33,05%, com ajuste.


Em dezembro do ano passado, o saldo do Caged foi negativo em 496.944 vagas, o pior resultado para o mês desde 2008. Em relação ao último mês de 2011, a piora foi de 17,86%, sem ajuste. Já na comparação com ajuste - que considera as declarações enviadas fora do prazo em dezembro de 2011 - a piora foi de 19%. O resultado de dezembro foi pior que o estimado por instituições do mercado financeiro consultadas pelo AE Projeções. As previsões iam de queda entre 320.000 e 450.00, com mediana negativa de 395.000.

5 de fevereiro de 2013

Ações do governo focam na competitividade, diz Tombini

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou no dia 25 de janeiro que várias iniciativas recentes tomadas pelo governo brasileiro têm como objetivo dar mais competitividade à economia brasileira. "Endereçamos vários assuntos, como a energia, preparando a economia para ter mais produtividade, mais competitividade", disse, ao comentar que a redução de imposta da folha de pagamento também tem o mesmo objetivo.


O presidente do BC participou no dia 25 de janeiro de debate sobre as economias emergentes no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Tombini avalia que o Brasil está preparado para um eventual recrudescimento da chamada guerra cambial. Segundo ele, o País já "aprendeu a operar nesse ambiente". "Em 2011 e 2012, trabalhamos com grande liquidez internacional", avaliou.


Durante o evento, Tombini afirmou que, apesar de o Brasil ter esse conhecimento sobre o tema, o País continua "aberto e amigável" ao capital estrangeiro. "Tanto que o Brasil foi, em 2012, o 3º maior destino de Investimento Estrangeiro Direto no mundo", disse, ao comentar que depois das medidas tomadas - como o IOF para algumas operações financeiras de estrangeiros - o fluxo de capitais para o Brasil "está mais estável".

4 de fevereiro de 2013

Veja quanto a conta de luz vai cair nas 63 concessionárias do País

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou no dia 24 de janeiro a lista de descontos para consumidores residenciais das 63 distribuidoras de eletricidade do País. Conforme o anunciado no dia 23 de janeiro pela presidenta Dilma Rousseff e referendado pelo órgão regulador, a redução das tarifas de baixa tensão - que vale a partir do dia 24 de janeiro - foi de pelo menos 18% para todas as contas de luz.

Os consumidores da Eletropaulo terão uma redução de 18,25%. Já as residências atendidas pela Cemig serão beneficiadas com um corte um pouco menor, de 18,14%. De acordo com a Aneel, a tarifa da Light cairá 18,10% e a da Copel 18,12%.

A maior redução será a obtida pela gaúcha Nova Palma Energia, cujo desconto foi definido em 25,94%. A diferença entre os descontos de cada distribuidora se deve à quantidade de encargos e subsídios que cada um embutia nas contas de luz. Esses custos, agora serão cobertos pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que será bancada em sua maior parte pelo Tesouro Nacional.

Veja como será a redução em cada uma das 63 empresas:
ConcessionáriaRedução
AES SUL23,62% 
AMAZONAS18,22% 
AMPLA18,00% 
BANDEIRANTE18,08%
BOA VISTA18,14% 
CAIUA18,08% 
CEA18,04% 
CEAL18,00%
CEB18,11% 
CEEE18,13% 
CELESC18,48%
CELG18,00% 
CELPA18,83% 
CELPE18,04% 
CELTINS18,20% 
CEMAR18,00% 
CEMAT19,29%
CEMIG18,14%
CEPISA18,00% 
CEON18,00% 
CERR18,04% 
CFLM20,92% 
CFLO18,00% 
CHESP18,01% 
CJE18,34% 
CLFSC19,66% 
CNEE19,69% 
COCEL18,41% 
COELBA18,96% 
COELCE18,05% 
COOPERALIANÇA18,01%
COPEL18,12% 
COSERN18,00% 
CPEE23,38% 
CPFL PAULISTA18,07% 
CPFL PIRATININGA18,39% 
CSPE18,01% 
DEMEI18,36% 
DMED18,08% 
EBO18,00%
EDEVP18,16% 
EEB18,65% 
EFLUL18,17% 
ELEKTRO18,47% 
ELETROACRE18,01% 
ELETROCAR18,07% 
ELETROPAULO18,25% 
ELFJC18,04% 
ELFSM18,97%
EMG18,14% 
ENERSUL18,24% 
ENF18,07% 
EPB18,01%
ECELSA18,01% 
ESE18,00% 
FORCEL18,01%
HIDROPAN18,50% 
IGUACU18,11% 
LIGHT 18,10% 
MUXFELDT 18,55% 
RGE 22,00% 
SULGIPE 18,33% 
UHENPAL 25,94%

3 de fevereiro de 2013

BC projeta reajuste de 5% no preço da gasolina em 2013

Depois de muito tempo sem mexer em suas projeções para o aumento de combustíveis no País, o Banco Central revelou no dia 24 de janeiro que os preços da gasolina deverão subir "em torno" de 5% em 2013. Além disso, a autoridade monetária conta com um recuo de "aproximadamente" 11% na tarifa residencial de eletricidade. Os prognósticos foram apresentados na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, que foi divulgada no dia 24 de janeiro pela autoridade monetária.


Sobre a menor tarifa de energia, os diretores do BC salientam que a estimativa leva em conta os impactos diretos das reduções de encargos setoriais já anunciados e as revisões tarifárias programadas para este ano. No caso de tarifa de telefonia fixa e do preço do gás, a autoridade monetária conta com uma estabilidade dos preços em 2013.

Levando-se em conta todas as novas expectativas para o comportamento dos preços, o BC revisou para cima a sua projeção da alta dos preços administrados e monitorados este ano, que passa a ser de 3%, no lugar de 2,4% previsto até a reunião do Copom de novembro. Para 2014, a previsão de elevação de preços para este grupo foi mantida em 4,5%.

2 de fevereiro de 2013

Dilma anuncia redução de 18% na conta de luz e descarta risco de racionamento

A presidenta Dilma Rousseff disse no dia 23 de janeiro, em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, que o Brasil tem energia suficiente para o presente e para o futuro, “sem nenhum risco de racionamento ou qualquer tipo de estrangulamento, no curto, médio ou no longo prazo”. Dilma anunciou que, a partir do dia 24 de janeiro, a conta de luz dos brasileiros terá uma redução de 18% para as residências e de até 32% para as indústrias, agricultura, comércio e serviços.

O corte é maior do que o anunciado em setembro do ano passado. “Com a redução de tarifas, o Brasil passa a viver uma situação especial no setor elétrico, ao mesmo tempo baixando o custo da energia e aumentando sua produção elétrica”, disse Dilma. Ela assinou no dia 23 de janeiro um decreto e uma medida provisória com os novos índices de redução das tarifas.

Segundo ela, os consumidores que são atendidos pelas concessionárias que não aderiram à prorrogação dos contratos (Companhia Energética de São Paulo - Cesp, Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig e Companhia Paranaense de Energia - Copel) também terão a conta de luz reduzida.

A presidenta criticou duramente as previsões sobre a possibilidade de racionamento de energia por causa do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Ela explicou que praticamente todos os anos as usinas térmicas, movidas a gás natural, óleo diesel, carvão ou biomassa, são acionadas com menor ou maior exigência para garantir o suprimento de energia do país. Segundo Dilma, isso é “usual, normal, seguro e correto”.

“Surpreende que algumas pessoas, por precipitação, desinformação ou outro motivo, tenham feito previsões sem fundamento quando os níveis dos reservatórios baixaram e as térmicas foram normalmente acionadas. Como era de se esperar, essas previsões fracassaram, o Brasil não deixou de produzir um único quilowatt que precisava. E agora, com a volta das chuvas, as térmicas voltarão a ser menos exigidas”, explicou.

A presidenta disse que o país irá dobrar em 15 anos a capacidade instalada de energia elétrica, que hoje é 121 mil megawatts. Segundo ela, no ano passado, o país colocou em operação 4 mil megawatts e 2,7 mil quilômetros de linhas de transmissão e, este ano, deve colocar mais 8,5 mil megawatts de energia e 7,5 mil quilômetros de novas linhas. “Temos contratada toda a energia que o Brasil precisa para crescer e, bem, neste e nos próximos anos”. Dilma também disse que o sistema elétrico brasileiro é um dos mais seguro do mundo porque trabalha com fontes diversas de produção de energia, o que não ocorre na maioria dos países.

Durante o pronunciamento, a presidenta também criticou os que, segundo ela, “são sempre do contra”, e não acreditavam que o governo conseguiria baixar os juros, aumentar o nível de emprego e reduzir a pobreza.

“Nesse novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás. Pois nosso país avança sem retrocesso em meio a um mundo cheio de dificuldades. Hoje podemos ver como erraram feio no passado os que não acreditavam que era possível crescer e distribuir renda, que pensavam ser impossível que dezenas de milhões de pessoas saíssem da miséria e não acreditavam que o Brasil virasse um país de classe média”.

Dilma disse que os que tentaram “amedrontar” os brasileiros com a queda do emprego ou a perda do poder de compra do salário também erraram e que “não faltou comida na mesa nem emprego”. Também citou a saída de 19,5 milhões de brasileiros da linha da extrema pobreza nos últimos dois anos.

“O Brasil está cada vez maior e imune a ser atingido por previsões alarmistas. Nos últimos anos, o time vencedor tem sido os do que tem fé e apostam no Brasil. Por termos vencido o pessimismo e os pessimistas, estamos vivendo um dos melhores momentos da nossa história”.

Além de baixar o custo da energia, o Brasil tem baixado juros, reduzido impostos e também ampliou investimentos em infraestrutura, saúde e educação, segundo a presidenta. Na avaliação de Dilma, o país vai alcançar uma situação ainda melhor quando todos os brasileiros trabalharem para “unir e construir” e não para “desunir ou destruir”. “Somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no Brasil acima dos nossos interesses políticos e pessoais”, concluiu.

1 de fevereiro de 2013

FMI prevê crescimento potencial menor para o Brasil

Obra no Porto de Suape, em Pernambuco: baixo crescimento do Brasil e da Índia preocupam Fundo.

Após o fraco desempenho econômico do Brasil em 2012 e a redução das projeções para 2013 e 2014, a discussão dos limites de crescimento do País voltam à tona, segundo o economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard.


O Brasil pode ter uma taxa de crescimento potencial menor do que o estimado, disse em entrevista coletiva, nesta quarta-feira, para comentar previsões econômicas para 2013. O fraco crescimento do Brasil e da Índia é uma preocupação do FMI, destacou Blanchard.

Para ele, a discussão do crescimento potencial desses países ganha importância, uma vez que medidas de estímulo do governo estão tendo dificuldade em fazer a economia deslanchar. A recomendação do Fundo é de que o Brasil evite que medidas para estimular o crescimento piorem a situação fiscal do País, segundo o diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, Jorg Decressin.


Outro ponto é investir em infraestrutura, para evitar que o lado da oferta limite ainda mais o crescimento do País. Sobre a economia mundial, Blanchard recomendou cautela. "Podemos ter evitado abismos, mas temos pela frente altas montanhas para colocar a economia mundial de volta aos trilhos", disse o economista.

Blanchard mostrou ainda preocupação com o pacote de estímulo lançado pelo Japão. Se por um lado a economia pode crescer mais, por outro pode comprometer o lado fiscal.