15 de novembro de 2013

Situação do EBX, de Eike Batista, com BNDES está equacionada, diz Coutinho

Coutinho disse que há empréstimo-ponte (de R$ 418 milhões para a OSX), coberto por garantia bancária.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse, no dia 30 de outubro, em Porto Alegre, que a situação das empresas do Grupo EBX com o banco está "inteiramente equacionada".


Questionado por repórteres que cobriam sua participação no seminário Construindo Startups de Classe Mundial, no TecnoPuc, o executivo reafirmou que, do ponto de vista do BNDES, não há preocupação com as dívidas do conglomerado do empresário Eike Batista.

"Já resolvemos toda a nossa exposição de crédito ao grupo e não teremos perda em relação aos nossos créditos", sustentou, garantindo que a exposição por crédito direto é "zero".

Coutinho confirmou que há um empréstimo-ponte (de R$ 418 milhões para a OSX), com a ressalva de que a operação está coberta por garantia bancária.

Além de participar do evento promovido pelo BNDES em conjunto com o Instituto Talento Brasil, Coutinho visitou com o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), a Ceitec, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que atua no segmento de semicondutores, e deve ir a São Leopoldo conhecer nesta tarde a sala limpa da HT Micron, uma fábrica de chips.

14 de novembro de 2013

Império de Eike Batista já demitiu ao menos 2,6 mil trabalhadores

O império do empresário Eike Batista vem provocando demissões à medida que revê seus planos de negócios e fica cada vez mais enxuto, seja por passar o controle de projetos e negócios para outras empresas, como também cancelar contratos e encomendas. 

            O empresário Eike Batista: irregularidades nas contratações no Porto de Açu.

Empresas, sindicatos e órgãos da Justiça confirmam até agora cerca de 2.590 demissões, diretas e indiretas.

os cortes referem-se a funcionários próprios da OGX e OSX; a empregados em um projeto de estaleiro em Pontal do Paraná (PR), que aconteceram depois de a OSX cancelar uma encomenda; e a 1,6 mil trabalhadores demitidos do Porto de Açu, no Rio de Janeiro.

O porto é um projeto da LLX, que foi recentemente adquirida pela americana EIG. No mesmo local, a OSX constrói um estaleiro.

A petroleira OGX e a empresa de construção naval OSX respondem pela maior parte dos cortes por registrarem uma condição financeira mais frágil.

Fontes do mercado financeiro acreditam que a OGX deve pedir recuperação judicial esta semana. A OSX é a empresa do grupo que está mais relacionada à condição financeira da petroleira. Isso porque a OSX depende de encomendas da OGX.

Problemas no Açu

A OSX confirma a demissão de 300 funcionários próprios, devido ao adiamento das obras de implantação do estaleiro do Porto de Açu, anunciado em maio. Na época, a empresa lamentava a mudança de conjuntura, devido a novas demandas de clientes e a investimentos de capital. 

Diante deste adiamento, foram realizadas adequações no quadro de funcionários próprios e de terceiros alocados na construção do empreendimento. Na época, foram desmobilizados cerca de 300 trabalhadores do quadro da OSX – pouco mais de um terço do total. Atualmente, a companhia conta com cerca de 700 funcionários próprios, e não diz quantos são terceirizados em projetos.

Em janeiro, o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Campos dos Goytacazes (RJ), ordenou a reintegração dos trabalhadores da OSX. A empresa revogou a decisão e, devido ao dano moral coletivo, o MPT obrigou a empresa a oferecer cursos profissionalizantes na região.

José Eulálio, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Construção do Rio de Janeiro (Sticoncimo-RJ), calcula que 1,6 mil trabalhadores já foram demitidos no Porto de Açu. "Eles trabalhavam para empresas como OSX, Acciona, Armatec e Mendes Júnior". 

Procurada, a Acciona respondeu que não comenta contratos com clientes. A Mendes Junior aponta que tem apenas participação na Integra Offshore, sociedade de propósito específico (SPE) em parceria com a OSX.

A empresa atua na Unidade de Construção Naval do porto e realiza projeto para atender à Petrobras. "Desde a fundação, não ocorreram demissões em massa na Integra. Ao contrário, a empresa está em processo de contratação", diz a empresa, em nota.

Em resposta, a LLX diz que, como qualquer obra dessa magnitude, é normal a mobilização e desmobilização de frentes de trabalho em virtude da evolução de cada etapa da obra.

"Com o encerramento de contratos e desmobilização de frentes de obra por término de atividades, no porto do Açu foram desmobilizados cerca de 50 profissionais entre próprios e terceiros. Atualmente, cerca de 7 mil pessoas atuam na construção de empresas no complexo", disse a empresa, em nota.

As demissões na OSX aconteceram após denúncias de irregularidades, constatadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Entre elas, falta ou atraso de pagamentos, condições insalubres de alojamentos e falta de mão de obra local. "A maior parte dos trabalhadores são estrangeiros, entre eles paraguaios e angolanos", diz José Eulálio.

Na opinião do sindicalista, a obra, principalmente a construção do estaleiro, não estava sendo bem administrada. "A OSX era contratante dos funcionários, mas existem de seis a oito subcontratadas. Tivemos de lutar na Justiça para representar estes funcionários", afirma.

No dia 06 de novembro, foi agendada uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado para verificar a possibilidade de reintegrar estes trabalhadores à obra, agora com a nova controladora, a EIG. 

Petroleira

A OGX confirma 90 demissões, mas não confirma quantos funcionários tem no total. Foram cortados 30 em janeiro e outros 60 no começo deste mês. Segundo a assessoria da empresa, cerca de 20% destes funcionários são terceirizados. No último balanço financeiro divulgado, a petroleira tinha 350 funcionários no total, mas a empresa adverte que parte deste número pode ter saído da empresa "por conta própria".

A empresa diz que não sabe se houve demissões entre funcionários terceirizados, e nem quantos funcionários estão nestas condições. A OGX anunciou recentemente a suspensão da produção em três campos petrolíferos na Bacia de Campos (litoral do Rio de Janeiro), mas o pedido foi negado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O Sindicato dos Trabalhadores Offshore do Brasil (Sinditob), que é o representante dos trabalhadores da OGX, não respondeu aos pedidos da reportagem sobre a situação dos funcionários diante do futuro incerto da empresa. 

Outros casos

Segundo fontes que não quiseram ser identificadas, a Techint, empresa construtora de plataformas para atividades petrolíferas, havia demitido, até setembro, 1,2 mil funcionários após a OSX cancelar encomendas que, por sua vez, haviam sido canceladas pela OGX. O número de trabalhadores desligados, já está desatualizado, pode ser maior.

13 de novembro de 2013

BMW é condenada pela morte do cantor João Paulo e pode pagar R$ 400 milhões

             BMW do cantor João Paulo, morto em acidente em 12 de setembro de 1997.

A BMW foi condenada pela morte do cantor João Paulo, que fazia dupla com Daniel. A Justiça entendeu que o acidente, ocorrido em 1997, pode ter sido causado pelo estouro de um pneu do veículo, que tinha poucos quilômetros de uso, e não por excesso de velocidade.

Segundo o advogado da família de João Paulo, Edilberto Acácio da Silva, a BMW pode ser obrigada a pagar um total de R$ 400 milhões. O valor é referente à indenização de R$ 300 mil e ao pagamento de pensão de dois terços dos rendimentos mensais de João Paulo, desde o dia da morte até 2030, quando ele completaria 70 anos. A decisão, em primeira instância (ainda permite recurso) foi dada pelo juiz Rodrigo Cesar Fernandes Marinho, da 4ª Vara Cível Central de São Paulo, e foi publicada em 21 de outubro.

"Vamos recorrer para aumentar o valor", diz o advogado. Um dos pedidos não aceitos foi de que a família fosse ressarcida pelos lucros gerados por músicas que João Paulo viesse a compor.

A BMW informou que também vai recorrer da decisão. "A empresa esclarece que essa é uma decisão de primeira instância e que apresentará recurso de apelação junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo, quando o caso será novamente julgado por um órgão colegiado formado por desembargadores", informou a montadora, em nota.

Falha no pneu

João Paulo morreu carbonizado após a sua BMW 328i/A capotar e explodir na Rodovia dos Bandeirantes (no quilômetro 40, no município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo), em 12 de setembro de 1997. A primeira perícia estabeleceu como causa do acidente o excesso de velocidade em conjunto com uma curva à esquerda causada por um "movimento brusco" sem motivos aparentes.

O juiz, entretanto, aceitou a tese de que o motivo foi provavelmente uma falha no pneu dianteiro direito do veículo, e que não houve tal movimento brusco.

Segundo a decisão, uma nova perícia, realizada a pedido pela Justiça, apontou que João Paulo conduzia em velocidade acima do permitido, mas "dentro dos limites de dirigibilidade." A velocidade crítica de capotamento para o local estabelecida pela perícia era de 260 km/h, e a BMW do cantor podia atingir no máximo 240 km/h.

A nova perícia também concluiu que o capotamento foi causado por uma perda de pressão do pneu dianteiro direito, "por causa indeterminada".

Como o juiz entendeu que há uma relação de consumo entre a BMW e João Paulo, caberia à montadora provar que não havia problemas com o pneu. Mas a companhia não informou sequer qual era a marca usada no carro.

"Não há como se descartar a possibilidade de defeito atribuído à fabricação da roda, do pneu ou do sistema de roda/pneu", concluiu o juiz.

12 de novembro de 2013

Eneva, de Eike e E-ON, vai comprar ações da OGX Maranhão em caso de calote

A Eneva, ex-MPX Energia, controlada pela alemã E-ON e por Eike Batista, assinou contrato com os bancos credores da OGX Maranhão (OGX-M), de modo que Itaú BBA, Morgan Stanley e Santander terão o direito de vender as ações OGX-M para a Eneva em caso de inadimplência da OGX Holding.

O acordo prevê a venda de 66,7% das ações emitidas pela OGX-M por R$ 200 milhões.
         Última semana de outubro decidirá o futuro da petroleira de Eike Batista, a OGX.

Essa opção de venda (put) poderá ser exercida a partir do dia 19 de fevereiro de 2014, segundo fato relevante divulgado pela empresa.

Em ata de reunião do conselho da Eneva, a empresa informou que o direito de put dos credores ocorrerá mediante a assinatura de alguns instrumentos de financiamento.

Entre eles, a celebração de um contrato de refinanciamento com uma ou mais instituições financeiras, a serem determinadas pela diretoria da Eneva, no valor aproximado de R$ 600 milhões, além de um termo de compromisso vinculante com "uma ou mais instituições financeiras a serem determinadas pela empresa" para a contratação de um financiamento para o pagamento do preço de aquisição da opção de venda e também "celebração de acordos finais para o financiamento do preço de aquisição da opção de venda".

A participação da Eneva na OGX Maranhão é atualmente de 33,3%, enquanto os outros 66,7% são da OGX. A E.ON tem 37,9% da Eneva, enquanto Eike tem 23,9% da companhia.

A Eneva informou que esse acordo está condicionado à aprovação da transação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Agência Nacional de Petróleo (ANP), além da disponibilidade das linhas de crédito detalhadas na ata.

11 de novembro de 2013

Dilma garante que modelo de partilha será mantido em leilões do pré-sal

A presidente Dilma Rousseff voltou a afirmar no dia 28 de outubro que o modelo de partilha será mantido nos próximos leilões de petróleo na camada do pré-sal, apesar de a primeira disputa sob o modelo, para a área de Libra, ter atraído apenas uma proposta.
Dilma Rousseff: "Nós acreditamos que esse modelo garante um equilíbrio justo entre os nossos interesses".

"Nós acreditamos que esse modelo garante um equilíbrio justo entre os nossos interesses, ou seja, os interesses do povo brasileiro, os interesses da Petrobras e os interesses das empresas estrangeiras, que também vão investir na exploração dos campos de petróleo", disse Dilma no programa semanal de rádio "Café com a Presidenta".

O leilão de Libra, a maior reserva de petróleo já descoberta no Brasil, ocorreu na semana passada e teve apenas um consórcio concorrente, liderado pela Petrobras, com 40% de participação, e composto pela anglo-holandesa Shell e a francesa Total, com 20% cada uma, e duas estatais chinesas, a CNPC e a CNOOC, cada uma com 10% no consórcio.

Apesar das críticas pela falta de concorrência, Dilma tem descartado qualquer mudança nas regras.

"Libra é a prova de que é perfeitamente possível preservar o interesse do povo brasileiro e atrair o interesse das empresas privadas", afirmou a presidente no programa de rádio.

"Esse consórcio (de Libra), formado por empresas fortes, com tecnologia e recursos, vai permitir que a gente consiga explorar com mais rapidez e eficiência essa fantástica riqueza que está lá no fundo do mar", acrescentou.

Os críticos do modelo de partilha argumentam que a exigência de conteúdo local para compra de máquinas e equipamentos usados na exploração, a participação obrigatória de 30 por cento da Petrobras nos consórcios e os amplos poderes da Pré-Sal Petróleo (PPSA), estatal criada para administrar o pré-sal, são entraves para atração de investidores.

10 de novembro de 2013

Itália anunciará plano de privatização até o final de 2013, diz ministro

MILÃO - A Itália planeja lançar até o final do ano os detalhes de um plano de privatização para reduzir dívidas e que provavelmente incluirá participações em empresas estatais, afirmou o ministro da Economia, Fabrizio Saccomanni, em entrevista à televisão italiana.

LEIA TAMBÉM: 
Fabrizio Saccomanni: Itália considera "todas as opções" em relação a plano de privatização.

Questionado se Roma estava planejando vender a lucrativa participação de 4,3% na empresa de petróleo e gás Eni, que pertence ao Tesouro, Saccomanni respondeu: "Nós já dissemos, e primeiro-ministro italiano Enrico Letta também disse, que pretendemos anunciar até o final do ano um plano de privatização que incluirá os ativos imobiliários e também participações em empresas, que ainda são numerosos, apesar privatizações passadas".

Saccomanni acrescentou: "Estamos considerando todas as opções. Eu não quero acrescentar mais detalhes". A Reuters informou no dia 25 de outubro que o governo estava planejando começar a vender ativos estatais até o final de 2013, com a venda de 4% da Eni que vale 2,8 bilhões de euros.

O governo está trabalhando em uma lista de participações que poderia dispor, sem perder o controle direto ou indireto sobre as empresas envolvidas, disseram fontes com conhecimento direto sobre o assunto.

Questionado sobre se o Estado poderia considerar a venda da televisão estatal RAI, Saccomanni disse : "RAI é uma das empresas em que o Estado investe. Nós estamos olhando todas as opções. Nosso objetivo é ajudar reduzir a dívida da Itália".

A Itália está procurando uma maneira rápida de começar a reduzir a sua dívida pública, que cresceu para cerca de 133 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

9 de novembro de 2013

Para reter hóspedes, hotéis dos EUA conhecem até alergia dos clientes

Quando Leslie Ciminello chega ao Hotel 1000 em Seattle, ela sabe que haverá leite e cereal a sua espera no frigobar. Melhor dizendo, leite sem lactose e cereal sem glúten.

Essa é uma das formas simples, mas muito significativas, para que o hotel continue a tê-la como cliente, já que Leslie, de 33 anos, viaja metade do tempo com a equipe de vendas de uma empresa de tecnologia com sede em Boston.


Até onde um hotel iria para manter uma viajante a negócios como Leslie? Bem longe, afirmam especialistas da área e viajantes de negócios que tiram proveito dos benefícios da competição.

À medida que a ocupação dos hotéis sai do fundo do poço da recessão e o preço das diárias volta a subir, hotéis de todo o país dão cada vez mais ênfase a serviços personalizados que incluem uma grande lista de vantagens.

O objetivo é vencer a batalha pelo cliente assíduo.

"O hóspede fiel e engajado traz muito dinheiro", afirma Casey Ueberroth, vice-presidente sênior de marketing do Preferred Hotel Group. "Se você tomar conta daquele cliente, ele continua voltando".
Lesli­e Cimin­ello no Hotel 1000, em Seattle (EUA), onde leite e cereais estão sempre a sua espera.

De 10% a 15% das empresas são responsáveis por 60% do faturamento, calcula. O cliente assíduo é aquele que fica no mesmo hotel de 15 a 20 vezes ao ano. "Isso é família", considera. Como resultado, os hotéis agora precisam "fazer mais e mais para engajar os viajantes".

Leslie, por exemplo, ficou no Hotel 1000 em Seattle, que faz parte do Preferred Hotel Group, 130 vezes em seis anos.

No entanto, demorou algum tempo até que ela se tornasse uma cliente assídua. Depois de 25 visitas, o hotel a presenteou — e não foi com pontos de fidelidade. "Você esteve aqui 25 vezes, aqui está sua massagem grátis", reconta que lhe disseram. "Você ficou aqui 60 vezes, aqui está um spa facial ou um pedicure. Às vezes eles até me deixam escolher o que quero. Ninguém mais me daria esse tipo de atenção".

Uma pesquisa da Deloitte publicada em janeiro mostra que apenas 8% dos entrevistados afirmaram que ficavam sempre na mesma rede de hotéis. "As pessoas querem coisas que são importantes para elas", reforça Adam F. Weissenberg, vice-diretor de práticas de hospitalidade e lazer da Deloitte.

Público alvo

Para os hotéis, o público alvo são viajantes a negócios que passam mais de 50% do tempo na estrada, uma vez que são capazes de manter quartos sempre cheios. Eles geralmente pagam mais caro, pois as datas não são flexíveis.

"O segredo é conquistar o hóspede que se tornará fiel ao hotel", destaca Scott D. Berman, diretor da consultoria PricewaterhouseCoopers. "Os hotéis estão expandindo seus programas de fidelidade, expandindo a oferta de produtos para satisfazer os desejos dos clientes mais fiéis".

Apesar do crescimento de mídias sociais como o Facebook e o Instagram, os hoteleiros percebem quem precisam utilizar a tecnologia sem perder de vista as interações sociais e as vantagens necessárias para atrair os viajantes.

"Esse é um cenário extremamente competitivo", alerta Paige Francis, vice-presidente de marketing global da Aloft Hotels, parte da Starwood Hotels and Resorts. "Há muitas opções para os viajantes escolherem".

Antes, os hotéis competiam "com coisas básicas — uma cama ótima, internet grátis, um chuveiro legal", pontua. Agora, eles concorrem com vantagens e serviços que vão muito além do básico — shows de artistas emergentes, design de interiores, serviços personalizados baseados nas necessidades de cada hóspede — essencialmente, diferenciando o produto e o serviço.

"Nos hotéis, você só é um bom hóspede enquanto for para lá", pondera Tawny Paperd, diretor de vendas e marketing do Hotel 1000, em Seattle. Hoteleiros afirmam que o dinheiro gasto com marketing costuma ser uma parcela pequena do faturamento total dos hotéis, ou algo em torno de 6% a 9%, e o tipo de marketing pode variar.

Portanto, são os fatores intangíveis — incluindo as interações humanas — que são uma parte importante do que torna um hotel diferente do outro.

Para conquistar clientes frequentes, os hotéis buscam criar ambientes que preencham o vazio deixado pela família ou pelo lar nos viajantes a negócios. "Criamos um engajamento social: cuidamos de pessoas cara a cara", garante Eric Jellson, diretor de área de vendas e marketing do Kimpton Hotels/Epic Hotel, na Flórida. "Acreditamos que ainda há espaço para o engajamento e o relacionamento pessoal".

Por exemplo, afirma: "Quando você não está se sentindo bem, alguém manda um sopa para o quarto. Eles podem estar com saudade da família, então o hotel se torna sua família".

Serviço personalizado

Além do serviço personalizado, os hotéis acrescentaram vantagens para ajudar os viajantes a negócios a manterem o máximo possível de suas rotinas regulares enquanto estiverem viajando. Eles tentam criar locais que atraiam viajantes e pessoas da região, para criar referências positivas no boca a boca.

"As pessoas querem sentir que fazem parte da comunidade e querem interagir umas com as outras", diz Paul Pebley, diretor de vendas e marketing da JW Marriott Marquis, em Miami. "Se você for um bom hoteleiro, você conversa o tempo todo com seus clientes".

O hotel, que abriu as portas no outono de 2010, possui um estúdio de ioga, uma escola de golfe indoor, mesas de bilhar, pistas de boliche e uma quadra de basquete. O objetivo é criar atividades "que nossos concorrentes não tenham", frisa Pebley. "Não é porque você está viajando que quer perder as aulas de ioga".

Quando Chad Mann, de 41 anos, analista de preços de campo sênior da Terremark, a subsidiária da Verizon, sai de Herndon, Virgínia, em uma viagem de negócios, ele afirma que prefere um ambiente que seja silencioso para trabalhar, mas animado para que ele possa interagir com outras pessoas.

"Na maior parte do tempo precisamos respeitar a política de viagens da empresa", afirma. Enquanto vivia em Miami entre 2007 e 2011, ele acompanhou a construção do JW Marriott Marquis. "Há tanta coisa pra fazer, mas basta subir e o quarto está silencioso".

Viajante frequente, ele é conhecido por nome e às vezes recebe o upgrade para o nível de concierge quando o café da manhã e o lanche são servidos no 39º andar.

Acreditando que as vantagens também atraiam turistas no verão, a Kimpton Hotels liberou o uso de bicicletas de passeio para os hóspedes do país todo. Na primavera do ano passado [no Hemisfério Norte], a rede passou a incluir esteiras de ioga nos quartos.

"Estamos todos trabalhando de uma forma mais inteligente para garantir que cuidemos de cada hóspede", destaca Jonathan Raggett, diretor executivo da Red Carnation Hotels, que possui hotéis em Londres, nas Ilhas do Canal, África do Sul e Genebra.

O hotel reconhece as preferências e necessidades de cada hóspede, incluindo bebidas prediletas e alergias. "Você precisa de uma estadia sensacional para que os hóspedes retornem", pontua.

8 de novembro de 2013

Companhias aéreas querem carta branca para cancelar voos durante a Copa

                    Aeroporto JK (Brasília): Abear argumenta que 'futebol é imprevisível'.

As companhias aéreas pediram que a Agência Nacional de Aviação Civil ( Anac ) flexibilize as regras de alteração de malha aérea durante o período da Copa do Mundo. O argumento das empresas, apresentado no dia 23 de outubro, é que a demanda por passagens aéreas será alterada durante a época dos jogos e exigirá ajustes de última hora para transportar as torcidas.

As empresas querem poder cancelar voos que não terão demanda durante a Copa do Mundo sem ser penalizadas e ganhar agilidade para criar voos extras. Hoje, as regras da Anac punem empresas com alto índice de cancelamentos de voos, por exemplo, com perda de slots (horários de pouso ou decolagem) em aeroportos concorridos, como Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

"Hoje, as empresas levam 90 dias para trocar o horário de um voo", explicou o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz.

Só a aprovação do horário do voo leva 30 dias na Anac. Segundo ele, o resultado dos jogos influenciará na demanda por voos e exigirá ajustes rápidos na malha das empresas.

'Futebol é imprevisível' 

"O resultado de um jogo de Espanha e Bósnia em São Paulo definirá em que cidade as duas seleções jogarão em cidades seguintes. Se a Espanha ganhar e o próximo jogo for em Fortaleza, haverá uma demanda, hipoteticamente, de oito aviões de São Paulo para Fortaleza. Se a Bósnia ganhar, será necessário apenas um", disse Sanovicz. "O futebol é imprevisível. É precisamos que tenhamos essa possibilidade de ajuste."


O presidente da Abear ressaltou que a malha da Copa não está pronta e será definida após o sorteio das chaves, no dia 06 de dezembro. As companhias querem ter a possibilidade de fazer outras alterações de última hora. O tema está em discussão neste momento dentro da Anac.

Sem definições das chaves, as agências de turismo fizeram reservas nos voos estão considerando diversos cenários para os jogos. "O bloqueio dos assentos pelas agências é três vezes a demanda real", disse o diretor de planejamento de malha aérea da Gol, Claudio Borges.

Essas reservas "preventivas" fazem com que os voos da malha regular que estão à venda pelas empresas tenham altas taxas de ocupação neste momento, o que influencia na precificação das passagens ainda disponíveis. É por isso, segundo ele, que os preços cobrados durante os jogos da Copa estão elevados.


Com o sorteio das chaves, a expectativa das companhias é de que as agências liberem boa parte dos voos previamente reservados – cerca de dois terços. Com isso, o preço pode cair em destinos de menor demanda. Já os destinos que se confirmarem como sede de jogos importantes poderão ter os preços ainda mais elevados.

7 de novembro de 2013

Rasgou o dinheiro? Veja soluções para salvar cédulas danificadas

Você sabe o que fazer com uma cédula rasgada? Remendar com fita adesiva, jogar no lixo, ou passar para frente está fora de cogitação, segundo as regras do Banco Central (BC). Toda nota de real que tenha sofrido algum dano deve sair de circulação imediatamente.
Secar as cédulas ao sol ajuda a combater os estragos de uma "lavagem de dinheiro" acidental.

A moeda pode até perder seu valor de troca, dependendo do estado de deterioração. Na maior parte dos casos, ela pode ser substituída por novas cédulas após passar por uma análise técnica do BC.

A instituição informou, que recebeu 389.827 notas com problemas no ano passado, quantidade 72% maior que em 2011. Ou seja, uma média de 1.068 cédulas por dia.

Até agosto deste ano, o banco havia recebido 82.863 cédulas para avaliação. Já as notas danificadas que continuam em circulação por desninformação ficam de fora das estatísticas, já que é impossível quantificá-las.


Quem receber dinheiro em espécie com manchas, rabiscos, queimaduras, cortes ou outros danos deve entregá-lo em alguma agência bancária, local habilitado para receber o material e enviá-lo ao BC para exame. Neste processo, o conteúdo pode ser classificado como “danificado” ou “mutilado” – este último nos casos mais graves.

O banco deve fornecer um recibo ao cliente e informá-lo quando o resultado do exame estiver pronto. Se as cédulas ainda possuírem valor, o consumidor será ressarcido. O material prejudicado é destruído pelo Banco Central.

“Não há prazo para a análise ser concluída, mas a pessoa que entregar uma cédula a uma agência bancária sempre será comunicada sobre o resultado deste exame”, esclareceu o BC.

Conheça os danos mais comuns sofridos pelas cédulas e saiba como proceder:

FALHA DE IMPRESSÃO

De acordo com o BC, são raros os problemas de impressão na Casa da Moeda que efetivamente chegam ao mercado. Caso isso ocorra, o procedimento é o mesmo para as notas danificadas: enviá-las a algum banco e aguardar o resultado da análise. Na comprovação de que o dinheiro é verdadeiro, o consumidor recebe o reembolso.

MERGULHO ACIDENTAL

Quem nunca esqueceu o dinheiro no bolso da calça e colocou na máquina de lavar? Esta “lavagem de dinheiro” com direito a amaciante é tolerada e não costuma causar danos muito graves. Colocar a nota para secar ao sol é uma solução que quase sempre funciona. Mas se a cédula ficar muito enrugada, o Banco Central pode substituí-la por moeda nova, por meio do mesmo procedimento.

MANCHAS, CORTES E RASGOS

Ao contrário do que se imagina, fitas adesivas ou grampos não tornam a nota utilizável. Rasgos, furos, cortes ou remendos, desde que não atinjam mais de 50% da nota, ainda permitem a substituição da cédula, mas não devem ser passados para frente no mercado. Cédulas de polímero – como algumas notas de R$ 10 de plástico especial – podem conter áreas encolhidas ou enrugadas, também sujeitas à troca, assim como manchas e desbotamentos. Se faltar parte de elementos de segurança da nota, ela também deve parar de circular.
                              Exemplo de cédula com rabiscos: imprópria para circular.

RABISCOS

A presença de caracteres estranhos como desenhos, rabiscos ou carimbos no papel moeda é suficiente para que o BC classifique a nota como dilacerada e inadequada para circulação. No entanto, ela não perde valor de troca se enviada ao banco para análise.

NO CAIXA ELETRÔNICO

Com o aumento de explosões em caixas eletrônicos por criminosos, não é raro sacar notas manchadas com tinta cor-de-rosa por dispositivos antifurto. Quem receber cédulas neste estado, em algum estabelecimento do País, não deve aceitá-las. Se o dinheiro manchado sair do caixa eletrônico ou de um terminal de autoatendimento, deve-se entregá-lo imediatamente ao banco. O consumidor pode acompanhar a análise das notas pelo site do Banco Central, informando CPF ou CNPJ.

DESGASTE PELO USO

Algumas cédulas de papel acabam desbotando de tão antigas. Ao contrário das danificadas, elas continuam adequadas para circulação e podem ser usadas normalmente no mercado. Mas isso não impede que o consumidor as entregue em uma agência bancária para troca no BC. A nota desgastada será destruída pelo banco.

CÉDULAS SEM SALVAÇÃO

Embora a maior parte dos danos não elimine o valor das cédulas, há casos irrecuperáveis em que não é possível ressarcir o consumidor. Se mais de metade da superfície da nota tiver sido destruída por rasgos, cortes, queimaduras, cupim ou traças, ela perde valor de troca. Ainda assim, pode ser entregue ao BC para avaliação.

6 de novembro de 2013

Mesmo com bloqueio, Telexfree terá cruzeiro com show de Bruno e Marrone

  Marrone, da dupla Bruno e Marrone, autografa camiseta da Telexfree, em 19 de outubro.

A dupla sertaneja Bruno e Marrone foi contratada para fazer três shows num cruzeiro da Telexfree, empresa acusada de ser uma pirâmide financeira. O cachê, que seria de R$ 500 mil, já está pago. O 2º Extravaganza Telexfree acontece nos dias 15 a 18 de dezembro.

“A gente fez até um preço legal para eles”, disse um representante do escritório que representa a dupla, sem saber que falava com a reportagem. O contrato teria sido firmado “em maio ou em junho”, afirmou. Metade do cachê foi pago no ato. “Eles demoraram um pouquinho, mas honraram o compromisso [ e quitaram o resto ]. Mas eles pagaram direitinho.”

Devedores 

A Telexfree está com as contas bloqueadas desde junho por decisão da 2ª Vara Cível do Acre. O congelamento alcança também os sócios Carlos Wanzeler, Carlos Costa, James Merryl e Lyvia Wanzeler.

Desde então, a Telexfree deixou de pagar seus divulgadores, como são chamadas as pessoas que colocaram dinheiro no negócio. Até o início de outubro, ao menos 50 conseguiram, na Justiça, o direito de reaver o investimento, mas as decisões não estão sendo executadas em razão do bloqueio judicial.

Procurados, os representantes da Telexfree não quiseram comentar as informações sobre o contrato com a dupla de sertanejos. Eles sempre negaram irregularidades nas atividades. A assessoria de imprensa de Bruno e Marrone confirmou apenas a realização do show, mas não o valor e as datas dos pagamentos.

Extravaganza
                 Anúncio do 2ª Extravaganza Telexfree, cruzeiro que ocorre em dezembro.

A imagem da dupla sertaneja foi usada para simbolizar que a situação da Telexfree está melhor. No dia 20 de outubro, a empresa postou numa rede social a foto dos cantores com a frase “Os ventos voltam a soprar a favor da Telexfree”. Em outra imagem, Marrone aparece autografando uma camiseta da Telexfree.

O 2º Extravaganza Telexfree, que será realizado pela MSC Cruzeiros, não é o único grande evento que a empresa vai realizar apesar do bloqueio. Nos dias 1º e 2 de novembro, a empresa fez o “1º Extravaganza USA”, nos Estados Unidos, onde os donos da empresa no Brasil fundaram, em 2002, um negócio que mais tarde foi rebatizado de Telexfree Inc.

Pirâmide financeira
Carlos Costa, diretor da Telexfree, comemora decisão que MP a provar acusação de pirâmide.

No Brasil, a Telexfree foi criada em 2010, mas só deu início às suas atividades efetivamente em 1º de março de 2012, de acordo com a Justiça do Espírito Santo, onde fica a sede da empresa. Desde então, cerca de 1 milhão de pessoas pagaram para aderir ao negócio, com a promessa de lucrar na revenda de pacotes de telefonia VoIP , na colocação de anúncios na internet e no recrutamento de mais revendedores.

Os representantes da empresa afirmam que o negócio se trata de marketing multinível, um modelo legal de varejo em que representantes autônomos são premiados pelas vendas de outros representantes. Mas para o Ministério Público do Acre (MP-AC), responsávelo pelo pedido de bloqueio, a Telexfree é, possivelmente, a maior pirâmide financeira da História do País.

Em ação civil pública proposta logo depois do congelamento das contas, o MP-AC pede o fim da Telexfree e a devolução das verbas aos divulgadores. O caso, entretanto, ainda não foi julgado nem tem data para ocorrer. No início de outubro, a defesa da empresa conseguiu uma decisão que permitirá a análise do bloqueio pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) .

O caso chamou a atenção para a existência de uma série de outros negócios apresentados como marketing multinível, mas que levantaram suspeitas de promotores e procuradores da República. Cerca de 80 empresas estão sob escrutínio e, além da Telexfree, outras três – BBom, Priples Blackdever – já tiveram as contas congeladas. Nenhuma delas admite irregularidades.