10 de dezembro de 2013

Inflação desacelera: arroz e feijão ficaram até mais baratos

Os alimentos deram uma trégua em novembro. Alguns itens importantes na cesta básica das famílias ficaram até mais baratos, como o arroz e o feijão, o que fez a inflação oficial fechar em 0,54% no mês, abaixo do índice de outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Como resultado, a taxa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulada em 12 meses ficou em 5,77%, aumentando as expectativas de que encerre o ano abaixo do nível de 2012, de 5,84%.

"Matematicamente, (o governo) se livrou do rebaixamento", acredita o superintendente adjunto de inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, que dá como certo que o IPCA feche 2013 com taxa menor que a de 2012. "Precisa acontecer alguma coisa muito improvável para que a inflação de dezembro supere a taxa de dezembro de 2012 (de 0,79%). E, mesmo que seja mais alta, o IPCA já criou uma folga agora", acrescentou.
Como resultado, a taxa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulada em 12 meses ficou em 5,77%.

Em novembro, os alimentos subiram 0,56%, após alta de 1,03% em outubro. Além do arroz com feijão, beneficiados por uma boa safra este ano, ficaram mais baratos também o alho, a cebola, o leite longa vida, ovo de galinha, cenoura, óleo de soja, frango e pão de queijo.

O resultado já começa a provocar revisões de projeções. A consultoria Tendências, por exemplo, tende a revisar para baixo sua previsão de inflação de 0,76% em dezembro. Na visão das analistas Alessandra Ribeiro e Adriana Molinari, não há sinais de pressões por novos aumentos de preços no atacado, apesar da tendência sazonal de encarecimento dos produtos in natura no fim do ano.

"Ainda há margem para nova desaceleração de carnes, aves, suínos, leites e derivados, o que deve compensar parte das altas esperadas para alimentos in natura e alimentação fora do domicílio", avaliaram as economistas da Tendências.

Gasolina

O IPCA só não arrefeceu mais em novembro por causa do aumento dos preços monitorados: energia e combustíveis pesaram mais no bolso das famílias. Puxado pelo alta do etanol usado em sua fórmula, o preço do litro da gasolina subiu 0,63%, enquanto o do etanol ficou 0,94% mais caro. Apesar do aumento, o resultado ainda não absorveu o reajuste dos combustíveis anunciado pela Petrobrás em 29 de novembro.

"Ainda não pegou nada (da alta da gasolina)", afirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, prevendo para este mês o impacto. A gasolina foi reajustada em 4% o nas refinarias, e o diesel ficou 8% mais caro. Eulina calcula que a cada 1% de reajuste da gasolina a inflação ao consumidor carrega um aumento de 0,03 ponto porcentual no mês. Se o reajuste chegar ao consumidor como foi passado às distribuidoras, haveria impacto de 0,12 ponto porcentual no IPCA de dezembro.

A gasolina é um dos itens que mais pesam no orçamento das famílias, com 3,13% na formação do índice. A alta dos combustíveis pressionou o grupo Transportes em novembro, também afetado pelo aumento de 6,52% nas passagens aéreas - um dos três itens que mais puxaram o IPCA, ao lado de energia elétrica e empregado doméstico.

9 de dezembro de 2013

Acionistas aprovam mudar nome da OGX para Óleo e Gás Participações

Segundo poço do sistema de produção em Tubarão Martelo será conectado nos próximos dias.

Os acionistas minoritários da petroleira OGX do empresário Eike Batista aprovaram no dia 06 de dezembro, em assembleia geral extraordinária, a mudança do nome da companhia para Óleo e Gás Participações.


No AGE, foi aprovada ainda a alteração do endereço da sede da empresa e a ratificação do pedido de recuperação judicial.

Presente na assembleia, o presidente da petroleira, Paulo Narcélio, informou que o segundo poço do sistema de produção do campo de Tubarão Martelo será conectado nos próximos dias.

8 de dezembro de 2013

Reunião em Bali é decisiva sobre futuro da OMC e Rodada Doha

Autoridades mundiais reúnem-se a partir do dia 03 de dezembro em Bali, na Indonésia, para um encontro que pode decidir o futuro da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A entidade responsável por resolver disputas entre países e promover a liberalização comercial no mundo atravessa um teste de fogo sem precedentes.


Além do futuro da OMC, também está em jogo a Rodada de Doha — negociação, emperrada há 12 anos, para liberalizar o comércio entre os 159 países-membros da instituição.

Neste ano, o brasileiro Roberto Azevêdo foi eleito diretor-geral da organização com a promessa de trabalhar para destravar as negociações.
                       Roberto Azevêdo: "Um acordo é possível. Mas é agora ou nunca."

Na abertura do encontro, Azevêdo disse que um acordo é possível, mas que deve ocorrer durante a reunião em Bali.

"Um acordo é possível. Mas é agora ou nunca. Se os ministros puderam tomar as decisões políticas para lidar com os obstáculos remanescentes, então teremos um pacote e, assim, teremos novamente um vibrante sistema multilateral de comércio", disse.

"A OMC atravessa uma longa noite e espero que em Bali possamos observar o alvorecer de um novo mundo."

Relevância

"Se não houver acordo, a organização perderá relevância. Hoje, a OMC é uma organização do século 20, criada em torno de regras que não correspondem mais à realidade", afirmou à BBC Brasil Umberto Ciello, professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito da USP e Diretor da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP.


Segundo o especialista em leis de comércio internacional, o sucesso das negociações em Bali garantiria a sobrevivência da própria OMC e seu futuro.

Apesar disso, o próprio diretor-geral já trabalha com perspectivas de sucesso apenas parcial. À frente da OMC há três meses, Azevêdo admitia em setembro um "pacote de Bali parcial" e deixou claro que o sucesso das negociações "dependeria da vontade política dos Estados-membros".

Multilateralismo em xeque

O pacote de Bali inclui três grandes temas: redução de burocracia alfandegária, agricultura e medidas para países pobres expandirem exportações.

Um dos riscos da organização é se tornar irrelevante como plataforma de negociação comercial. Hoje, há uma tendência crescente dos países de apostar em acordos bilaterais de comércio em vez de recorrer à OMC como fórum regulador.

"O problema disso é que regras são criadas, mas poucos membros da OMC estão participando do processo, o que enfraquece a organização", explicou Celli.

Um exemplo de movimento paralelo à OMC é o Acordo de Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), um tratado firmado recentemente entre os Estados Unidos e países da região da Ásia-Pacífico com novas regras de comércio e investimentos. Em tese, acordos deste tipo deveriam ser feitos dentro do âmbito da OMC.

Ameaça indiana

Outro fator-chave para o desfecho de Bali é a posição da Índia nas negociações. Na semana passada, após reuniões preliminares dos países-membros em Genebra, a Índia declarou que não abriria mão dos subsídios agrícolas.

Em 2014, o país vai iniciar um programa de distribuição de alimentos a baixo custo para mais de 800 milhões de pessoas e não quer limitar os subsídios agrícola a 10% de sua produção nacional — como estipulado nas regras da OMC.

Uma "cláusula de paz" permite que os países concedam subsídios além do permitido a seus agricultores por quatro anos para a formação de estoques de segurança alimentar. A Índia, porém, se recusou a respeitar o prazo e pede uma exceção permanente aos países pobres. Vários países-membros exportadores da OMC, entre eles os EUA, rejeitaram veementemente a proposta.

O ministro do comércio indiano, Anand Sharma, que irá liderar a delegação do país em Bali, afirmou em Genebra que o G33 (grupo de países em desenvolvimento), apoiava a posição da Índia sobre os subsídios agrícolas e disse que o tema "não era negociável".

Na realidade, porém, apenas sete países (Argentina, África do Sul, Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Equador) oficialmente apoiam a empreitada indiana por hora.

"A Índia está praticamente sozinha nesta exigência, acredito que haverá bastante pressão internacional para assinar o acordo", afirmou o professor Celli.

Vantagens para o Brasil

O governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre a posição indiana na OMC, mas o Itamaraty divulgou nota na semana passada, declarando que "continuará trabalhando com todos os membros da OMC com vistas à aprovação de acordos que permitam a expansão das trocas comerciais, em linha com o espírito que norteia a Rodada de Desenvolvimento de Doha".

O titular do Itamaraty, Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefiará a delegação brasileira em Bali.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria), no entanto, criticou a Índia.

"O pedido pode ser legítimo, mas o Brasil não pode concordar com esse tipo de 'cheque em branco' para os indianos, pois o mercado asiático é bastante atrativo e importante para a agroindústria", afirmou em comunicado.

Segundo a OMC, um dos resultados imediatos da aprovação do pacote Bali seria um ganho econômico de bilhões de dólares (estimativas sobre a facilitação de comércio giram em torno de US$ 1 trilhão em negócios adicionais ou redução de custos).

Já a CNI prevê que um acordo em Bali trará benefícios significativos para a indústria e estima que o potencial de redução dos custos de transação comercial chega a 14% para manufaturados e 10% na média geral.

Pesquisa recente da CNI com 700 empresas indicou que a burocracia alfandegária só perde para o câmbio entre os problemas que mais atrapalham as exportações.

7 de dezembro de 2013

Britânica Pearson compra Grupo Multi, dono da Wizard, por R$ 1,7 bilhão

O grupo britânico de mídia e educação Pearson fechou um acordo para comprar o Grupo Multi, maior rede de ensino de idiomas para adultos do Brasil, em uma operação de 440 milhões de libras (R$ 1,7 bilhão) sem incluir dívida da companhia brasileira.
               Grupo Multi, dono da Wizard, atende mais de 800 mil estudantes no Brasil.

Além dos 440 milhões de libras, a controladora do jornal Financial Times vai assumir dívida de 65 milhões de libras da família Martins e da companhia de investimentos Kinea.

O presidente-executivo da Pearson, John Fallon, está reorganizando a companhia para se concentrar em economias em crescimento e serviços digitais, em vez de Europa e América do Norte, onde medidas de austeridade atingiram o gasto público.

O Brasil é o quarto maior mercado para o idioma inglês no mundo, avaliado em 2 bilhões de libras por ano. A demanda pelo idioma tem crescido, conforme o País se prepara para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

A compra da Multi ocorreu depois que a Pearson acertou em 2010 acordo para compra dos sistemas de ensino da brasileira SEB e de controle indireto na empresa em uma operação de R$ 613 milhões.

O anúncio do dia 03 de dezembro acontece também depois que a Pearson vendeu o serviço de notícias financeiras Mergermarket por 382 milhões de libras no final de novembro.


"A companhia tem sido uma boa vendedora de ativos e os recursos estão sendo reutilizados em áreas de crescimento mais acelerado, particularmente em mercados emergentes e serviços educacionais em mercados desenvolvidos e emergentes", disseram analistas do Citi em relatório.

"Se a venda da Mergermarket foi um belo exemplo da primeira parte deste ciclo, a transação de hoje é um bom exemplo da segunda parte do ciclo", acrescentaram.

Segundo a Pearson, a transação está sujeita a aprovação de autoridades regulatórias, e deve ser concluída no primeiro semestre de 2014.


O Grupo Multi atende mais de 800 mil estudantes no Brasil e possui as marcas Wizard, Yázigi, Microlins e Skill. O grupo, fundado em 1987 teve lucro operacional de R$ 130 milhões (42 milhões de libras) em 2012.

A Pearson afirmou que a compra vai ajudar a empresa a acelerar o desenvolvimento de suas escolas de inglês no Brasil e acrescentou que planeja usar os produtos e serviços da Multi em suas escolas de negócios e em outros países.

6 de dezembro de 2013

Setor público tem superávit de R$ 6,18 bilhões em outubro

                        Setor público registrou superávit de R$ 6,18 bilhões em outubro.

O setor público consolidado reverteu a trajetória deficitária vista nos meses de agosto e setembro e apresentou superávit primário de R$ 6,188 bilhões em outubro, informou o Banco Central, no dia 29 de novembro. Em setembro, o resultado já havia sido negativo em R$ 9,048 bilhões. Em outubro do ano passado, houve superávit de R$ 12,398 bilhões, praticamente o dobro do verificado agora.


O esforço fiscal do mês passado foi composto por um superávit de R$ 5,257 bilhões do Governo Central (Tesouro, Banco Central e INSS). Agentes-chave para o fechamento das contas no ano, os governos regionais (Estados e municípios) contribuíram para o resultado com um saldo de R$ 694 milhões no mês. Enquanto os Estados registraram um superávit de R$ 114 milhões, os municípios tiveram superávit de R$ 580 milhões. Já as empresas estatais registraram superávit primário de R$ 238 milhões.

No ano

O esforço fiscal do setor público caiu 42% nos primeiros dez meses de 2013 em relação a igual período de 2012. As contas do setor público acumulam no período um superávit primário de R$ 51,153 bilhões, o equivalente a 1,30% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, o superávit primário estava em R$ 88,214 bilhões ou 2,44% do PIB.

O esforço fiscal no acumulado deste ano foi feito com a ajuda de um superávit de R$ 31,938 bilhões do Governo Central (0,81% do PIB). Os governos regionais (Estados e municípios) apresentaram um saldo positivo de R$ 19,218 bilhões (0,49% do PIB). Enquanto os Estados registraram superávit de R$ 15,846 bilhões, os municípios alcançaram um resultado positivo de R$ 3,372 bilhões. Já as empresas estatais registraram um déficit de R$ 3 milhões entre janeiro e outubro deste ano.

5 de dezembro de 2013

Fomento à inovação: nasce a 1ª aceleradora pernambucana

De acordo com presidente do parque tecnológico, Francisco Saboya, a Jump Brasil objetiva o alto padrão de inovação.

Jump Brasil. Este é o nome da primeira aceleradora Pernambucana, inaugurada pelo Porto Digital, que deve entrar em ação no início de 2014. O nome faz jus ao salto que ela deverá causar no crescimento do fator inovação do Recife, capital que respira empreendedorismo. E para embasar o desenvolvimento projetado, serão investidos, nos próximos cinco anos, pelo menos R$ 35 milhões em sua estrutura. As startups que já estão interessadas em ingressar no projeto devem ficar atentas: o primeiro edital deve sair ainda em janeiro, com aceleração prevista para abril.

Fruto de uma parceria do parque tecnológico com o Grupo Jereissati e o Instituto Talento Brasil, a aceleradora foi uma consequência das políticas fomentadas durante os 13 anos de operação do Porto Digital. Hoje, o empreendimento aglutina cerca de 240 empresas, duas incubadoras, 7.000 pessoas trabalhando em prol da inovação e o faturamento anual de aproximadamente R$ 1 bilhão. E graças a este desenvolvimento, foi necessário dar as empresas ainda mais condições de avançar neste ramo, pontua o presidente do Porto Digital, Francisco Saboya.

“Apesar de o Brasil ter uma quantidade expressiva de empresas empreendedoras, são poucas as que possuem um alto padrão de inovação. E é exatamente isso que estamos buscando. Primeiro com o lançamento das nossas incubadoras e agora com a Jump Brasil. Temos o compromisso de criar o melhor ambiente possível para que novas iniciativas prosperem com uma visão empreendedora e inovadora ao mesmo tempo”, explica Saboya.

E apesar de ter uma “pegada” pernambucana, a Jump Brasil irá receber startups de todo Brasil. Seu primeiro edital irá focar em empresas com alto potencial de crescimento em um curto espaço de tempo. Para o cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Silvio Meira, a aceleradora é uma chance para que o parque tecnológico se arrisque mais. “Se a gente se arrisca, aproveita oportunidades mais profundas e cria possibilidades para fazer projetos de alto impacto”, explica.

Meira ainda acredita que no cenário brasileiro existem muitas pessoas empreendendo, mas nem sempre seus projetos possuem impacto social ou econômico relevante. “Não se paga muitos impostos e não se gera muito trabalho. Se um projeto não vira política publica, trabalha contra o empreendedorismo nascente e é exatamente isso que a Jump Brasil está tentando combater”, finaliza.

4 de dezembro de 2013

Os 10 mandamentos para não cometer gafes na festa de fim de ano da empresa

Com a chegada do final de ano, já é costume da maior parte das empresas fazer uma festa de confraternização entre todos os funcionários. De pequenos jantares no próprio local de trabalho até grandes baladas em espaços para eventos, essas ocasiões são motivo de ansiedade para os mais festeiros e de apreensão para os mais reservados. Com a presença dos mais altos cargos de liderança da organização, a postura de todos pode estar sendo avaliada e o clima informal pode colaborar para que as pessoas percam os limites do profissionalismo.


Quando foi convidado para a festa de confraternização da primeira empresa para a qual trabalhou, o publicitário Leonardo*, de 24 anos, estava convencido de que se comportaria bem. No entanto, a bebida alcoólica liberada atrapalhou os seus planos. “Eu já tinha ido com o pensamento 'Eu não vou dar vexame. Eu não vou dar vexame’, mas tinha muita gente lá. Aí você começa a tomar um drink com um, um drink com outro. Foi uma coisa que foi crescendo”, lembra o publicitário.
As festas de final de ano das empresas são uma extensão do ambiente corporativo e o comportamento de todos pode estar sendo avaliado.

Durante a comemoração, Leonardo gritava e brincava com todos os colegas de trabalho. “Eu passei muita vergonha. Eu era o palhaço da festa”, conta ele. Porém, o ápice da sua empolgação foi quando ele pegou no colo a faxineira da companhia e a ergueu pelas pernas. “No que eu ergui, a gente caiu no chão. Eu estava muito bêbado e não percebi que o tombo tinha sido forte. Na segunda-feira, ela apareceu roxa”, comenta Leonardo, que foi o assunto do escritório durante a semana.

“A minha chefe fez um prêmio, do mais comportado e do mais animado. Eu acabei ganhando o de mais animado”, lembra o publicitário. No entanto, nem todas as empresas levam os excessos dos colaboradores na esportiva e as consequências de uma bebedeira ou de outras gafes podem ser graves.

Para o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Rio de Janeiro, Paulo Sardinha, o motivo dos exageros é que as pessoas se esquecem de que ainda estão sendo observados. “O nome já diz, é festa de empresa. Apesar de você estar em um ambiente mais informal você continua sob o olhar dela”, avalia.

Com a ajuda de especialistas, selecionamos 10 dicas de comportamento para não passar vexame na festa da firma. Confira abaixo as recomendações para aproveitar a celebração da melhor maneira possível:

1 – Por mais que não goste, tente comparecer

Independentemente do tamanho da festa, a empresa investiu tempo e dinheiro para proporcionar a integração e um bom clima entre os funcionários e, dependendo da cultura da empresa e do cargo do funcionário, a presença do colaborador é esperada pelos gestores. “É importante prestigiar. Se você não for, deixa margem para as pessoas interpretarem da maneira que eles quiserem. Eles podem entender que você não está comprometido”, observa Marcel Lotufo, da Havik, empresa de consultoria em RH.


No entanto, quando a celebração acontece fora do horário de trabalho, não é obrigatório que o funcionário compareça. “Se você perceber que não vai ser prejudicado, porque as lideranças não levam isso em consideração, não tem problema em ficar em casa”, lembra Ricardo Nogueira, headhunter e presidente da Junto Brasil.

2 – Se aceitou o convite, não dê “apenas uma passadinha”
         Ficar apenas 15 minutos na festa pode ser interpretado como falta de interesse.

Em alguns casos, a liderança da organização aproveita o momento em que todos estão reunidos para fazer um pronunciamento sobre os resultados obtidos no ano e o que está esperando para o próximo ano. É recomendável que o funcionário fique até o final destes discursos, não apenas por educação, mas para se inteirar sobre os assuntos da companhia. “A partir daí é como aniversário, depois que cantou os parabéns fica quem quiser. Ficar 15 minutos é mostrar que não está interessado e só está ali de corpo presente”, comenta Paulo Sardinha.

Porém, como as festas acontecem geralmente no período noturno e alguns dos colaboradores têm filhos ou outras questões pessoais para cuidar, é normal que nem todos possam ficar até o final. Neste caso, é válido utilizar os 15 minutos para cumprimentar os gestores e colegas mais próximos, avisando que terá de sair em breve.

3 – Não vá vestido para matar

“[Festa de empresa] não é o lugar em que você vai como se fosse para uma balada”, comenta Roberto Bonito, gerente executivo da Talenses, consultoria em RH. Caso o tipo de traje não esteja especificado no convite do evento, por mais que o ambiente seja informal, o recomendável é que o profissional não exagere demais na hora de se vestir. “É um momento em que você pode ousar mais, mas não é o lugar onde você vai colocar um decote, uma fenda ou uma saia mais curta”, diz Roberto Bonito. Roupas que fogem demais do ambiente corporativo podem prejudicar a credibilidade do profissional e virar motivo de comentários entre os colegas.

4 – Beba com moderação
A bebida alcoólica acaba se tornando uma propulsora de comportamentos inadequados.

Quando o funcionário é convidado para a festa da empresa, a bebida alcoólica é uma das primeiras coisas a vir na cabeça. “Tem sim que tomar uma ou duas doses, para ficar mais tranquilo e tomar coragem de conversar com as pessoas das áreas que você não conhece. Porém, geralmente as bagunças e os escândalos começam com o álcool”, lembra Roberto Bonito. Se não tem certeza de que vai conseguir se controlar, o ideal é ficar na água e refrigerante e deixar para extravasar junto com amigos e família, sem a presença do seu chefe.

5 – Dance como se houvesse o amanhã

Algumas empresas têm uma cultura mais formal e esperam que seus funcionários mantenham essa postura no ambiente de trabalho. No caso das confraternizações, elas podem ser consideradas como parte da organização e, portanto, a formalidade deve continuar presente. Isso não significa que o funcionário deve virar uma estátua de cera e não aproveitar a música. “Você pode dar uma dançadinha, pode brincar. Só não pode colocar a gravata na cabeça e fazer coisas toscas”, observa Ricardo Nogueira, que lembra que além de ser observado, o funcionário pode ser filmado por alguém mal intencionado e o vídeo cair na internet.

6 – Controle-se na comida, esta não é a última ceia
                   Não precisa exagerar no tamanho do prato ou ter pressa para comer.

O departamento responsável por organizar a festa normalmente toma os cuidados necessários para que não falte comida ou bebida. Portanto, não é necessário se desesperar na hora de comer. Além disso, as festas duram algumas horas, tempo suficiente para experimentar de tudo um pouco. “A gente vê as pessoas comendo como se fosse a última refeição. Não precisa pegar 30 salgadinhos no mesmo prato de uma vez. Você não está ali para encher a pança e ir embora”, comenta Bonito.


7 – Fortaleça seus relacionamentos e não fale apenas sobre trabalho

“Infelizmente, até quando eu corro no Parque Ibirapuera [em São Paulo] eu ouço as pessoas falando de trabalho ou fofocando sobre as pessoas do trabalho. Então, em uma festa de final de ano de empresa, o que mais vai ser falado é de trabalho”, conta Ricardo Nogueira. Apesar de ser um assunto em comum a todos os presentes na comemoração, tentar relaxar e conversar sobre amenidades não relacionadas ao mundo corporativo é a melhor maneira de fazer amizades e conhecer colegas de outras áreas, aumentando sua rede de relacionamentos na empresa.

“´[A pessoa deve] aproveitar a situação para reconstruir algumas relações que ao longo do ano foram tensas. É o momento de sentar, conversar e trocar assuntos de uma maneira mais amena e agradável”, diz Paulo Sardinha.
                        Algumas empresas não permitem o namoro entre funcionários.

8 – Nem sempre é permitido flertar

Apesar do clima informal das celebrações colaborar para que as pessoas se soltem mais e tomem atitudes que normalmente não tomariam dentro do escritório, o flerte entre colegas de uma mesma empresa nem sempre é permitido. Algumas companhias têm como regra de conduta a proibição deste tipo de relação entre os funcionários. Portanto, o colaborador deve evitar quebrar esta regra, ainda mais em um ambiente em que todos da companhia o estão observando.

Já nos casos em que a organização não se importa com este tipo de relacionamento, o namoro pode acontecer. “Se você se apaixonou mesmo ou os dois já estavam flertando, eu acho que é o momento ideal para convidar para jantar ou fazer algo depois. Mas tem de ser com muita educação”, recomenda Ricardo Nogueira.

9 – Não force intimidade com o seu chefe

“Um antigo diretor com quem eu trabalhava dizia o seguinte: com diretor não existe conversa informal, tudo o que você fala é formal”, conta Paulo Sardinha. Embora os líderes da empresa não estejam exercendo o papel de autoridade durante a confraternização, eles continuam sendo chefes e podem avaliar o comportamento dos funcionários naquele momento. Assuntos inadequados ou pessoais demais, quando não existe uma relação de intimidade entre o gestor e o subordinado, podem prejudicar a imagem do profissional. “[O chefe] não se transformou em um amigo para o qual você vai fazer confidências e com quem pode falar de qualquer assunto”, conclui o presidente da ABRH.

10 – Desculpe-se pelos excessos

Se por falta de experiência, ou por excesso de bebida alcoólica, o profissional cometer alguma gafe que incomodou a liderança da empresa ou outros colegas, é recomendável que a pessoa peça desculpas quando voltar ao escritório. Desta maneira, ela se mostrará humilde e pode reverter a situação, dependendo do tamanho do estrago.

No entanto, nem sempre um pedido de desculpa pode resolver o problema. A advogada Daniela Yuassa, chefe da área trabalhista do escritório de advocacia Stocche Forbes, lembra que em certos casos, como agressão moral e física, o empregador pode demitir o funcionário por justa causa, baseando-se no artigo 482-J, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que trata de “atos lesivos da honra ou da boa fama”. “Isso poderia ser aplicado mesmo em eventos fora da empresa, pois gera a quebra de confiança entre o dois”, comenta a advogada, que já soube de casos em que os funcionários de uma empresa foram mandados embora após brigarem em uma confraternização de fim de ano.


Para não colocar a carreira em risco, o profissional deve lembrar que a festa é uma extensão do ambiente de trabalho e o melhor a se fazer é tentar se comportar de maneira ética e responsável, deixando os excessos e as comemorações mais animadas para os momentos em que não estiver sob o olhar dos colegas de trabalho.

* o nome foi trocado para preservar a identidade do entrevistado.

3 de dezembro de 2013

Brasil ganha loja de 'marmitas chiques' que custam até R$ 400

Tem vergonha de levar "marmita" para a empresa? O cheiro contamina a bolsa, sente falta de compartimentos para cada alimentos ou as embalagens estragam rapidamente na lavagem? Uma nova loja em São Paulo quer acabar com estes problemas e tornar mais corriqueiro o hábito de transportar alimentos caseiros e saudáveis nas grandes cidades.
   Inspiração dos produtos vem da bentô, marmita japonesa que faz moda com a comida.

Os empresários Carlos Ferreirinha, da consultoria de luxo MCF, e Carlos Otávio da Costa inauguram no dia 02 de dezembro, no bairro Jardins, em São Paulo, uma loja especializada em marmitas "chiques": caixas e bolsas para carregar alimentos, seja no trabalho ou em momentos de lazer.


Os acessórios se destacam pelo design, matéria prima e funcionalidade e acabam sendo mais caros do que as famosas "tupperwares" (marca que virou sinônimo de produto para guardar comida).

Os preços vão de R$ 50 a R$ 400.Algumas embalagens têm proteção térmica, fechamento à vácuo e podem ser lavadas no lava-louças ou, no caso de sacolas, até na máquina de lavar. Outras podem até mesmo ir ao forno. Há ainda garrafas dobráveis.

A inspiração foram as "marmitas japonesas", chamadas de "bentôs". "Mas enquanto no Japão a arte está na própria comida, o conceito foi adaptado na Europa e nos Estados Unidos nos últimos cinco anos para as embalagens. Os produtos trazem moda e estilo de vida para o hábito."

Ferreirinha aponta que a falta de mobilidade nas capitais torna o hábito mais corriqueiro. "Muita gente demora para retornar para casa depois do trabalho ou já passam em outros locais, como a academia."

Inéditos

A loja conceito irá oferecer produtos de fornecedores de nove países, como Estados Unidos, Espanha, Inglaterra e França, algumas delas premiadas, como a francesa Monbento. Cerca de cem produtos serão vendidos pela primeira vez no País.
                    Carlos Ferreirinha e Otávio Costa, executivos à frente da Bentô Store.

Outros já são encontrados no comércio eletrônico nacional, ou pertencem a marcas que já estão no Brasil, mas ainda não exploraram o segmento de produtos no País.

"Conseguimos agrupá-los. A loja terá desde embalagens próprias para carregar frutas até alimentos para toda a família, durante um piquenique, por exemplo", diz Ferreirinha.

Expansão

Ferreirinha conta que, após monitorar o mercado de consumo ao longo de 12 anos, tinha vontade de empreender no segmento, compartilhada por Costa, que tem experiências internacionais no currículo, entre elas como gerente do Cinemark. 

A ideia é, no ano que vem, iniciar um projeto de lojas multimarcas e expandir a distribuição dos produtos exclusivos para o atacado.

Os executivos também querem inaugurar mais três lojas em grandes capitais, como Rio de Janeiro e Recife e passar a vender produtos também em quiosques. Ainda não está nos planos ter franquias.

2 de dezembro de 2013

Perdas da poupança: decisão só deve ser conhecida em 2014

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento no dia 27 de novembro de cinco ações sobre a correção dos índices de reajustes das cadernetas de poupança aplicados durante os planos econômicos implantados nas décadas de 1980 e 1990. Mas o desfecho do caso ocorrerá apenas em fevereiro de 2014.
Mello, ministro do Supremo, pediu mais tempo para julgar as ações sobre as perdas na poupança.

O ministro Marco Aurélio Mello pediu para que o caso fosse julgado apenas no início do ano que vem, em sessões ininterruptas. Já o ministro Celso de Mello, defendeu que a Corte iniciasse o julgamento e que o caso fosse analisado ainda esse ano. Após algumas ponderações dos ministros, prevaleceu uma posição intermediária: o STF ouvirá apenas os advogados envolvidos no caso e os relatórios de três ministros que relatam as ações: Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Dessa forma, o julgamento de mérito ocorrerá apenas em fevereiro de 2014, provavelmente em sessões ininterruptas. “De fato, nos meus cálculos, esse julgamento duraria no mínimo umas quatro sessões”, reconheceu o presidente do STF, Joaquim Barbosa.


Lewandowski afirmou, por exemplo, que somente o seu relatório acerca do mérito em uma das ações tem aproximadamente 100 páginas. Somente a leitura desse documento deve durar aproximadamente três horas.

Esse julgamento é acompanhado de perto pelo governo federal e pelas entidades que representam os consumidores. Temendo uma derrota no Supremo Tribunal Federal, o governo federal mobilizou toda a sua área econômica nos últimos dias contra uma possível revisão dos índices de reajuste aplicados nas cadernetas de poupança em planos econômicos implantados nas décadas de 1980 e 1990.


O governo teme um desfecho em favor dos poupadores. Na visão do governo, o julgamento da ação esse ano poderia resultar em uma retração da oferta de crédito na casa de R$ 1 trilhão. Cálculos do Banco Central (BC) e do Ministério da Fazenda dão conta de que as perdas aos bancos ficariam entre R$ 105 e R$ 180 bilhões caso os ministros votem a favor dos correntistas.

Para os representantes dos poupadores, se o ressarcimento das perdas não ocorrer, poderá colocar sob risco a caderneta de poupança.

1 de dezembro de 2013

Lemann, o homem mais rico do Brasil, atribui sucesso à mãe

No caso de Jorge Paulo Lemann, aquele papo de "atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher" não é só mais um clichê. Com fortuna avaliada em US$ 17,8 bilhões — o que o coloca como homem mais rico do Brasil e 33º mais abastado do mundo, segundo a revista americana "Forbes" —, o empresário atribui boa parte de seu sucesso profissional à ambição de sua mãe.
         Jorge Paulo Lemann: de corretora para uma constelação global de companhias.

Em bate-papo virtual promovido na noite de terça-feira (26) pelo programa "Na Prática", da Fundação Educar (que tem próprio Lemann como um dos idealizadores), o empresário dividiu histórias da sua trajetória profissional. Lemann garante que foi criado com "muito amor" e liberdade para ousar.

"Meu pai era um boa praça, todo mundo gostava muito dele, mas não era bem sucedido nos negócios e isso irritava minha mãe", conta o executivo, que perdeu o pai aos 13 anos. "Então ela transmitia suas grandes ambições para mim. Eu tinha de fazer melhor que ele."

A estratégia parece ter dado certo. Hoje, Lemann comanda a 3G Capital, empresa de private equity brasileira. Entre as aquisições mais recentes do grupo, estão negócios como acompra da Heinz em parceria com o bilionário Warren Buffett, que comanda a Berkshire Hathaway, em uma operação estimada em US$ 23 bilhões. O grupo também está à frente da AB InBev, de cervejas, e da B2W que engloba negócios como o Submarino e as Lojas Americanas.

A chave da influência de uma mãe tão exigente está na autoestima que isso gerava no pequeno Jorge Paulo. "Ela sempre me achava o máximo. Ter uma mãe assim ajuda muito, por isso ela foi tão influente na minha juventude", explica.

Exatamente por isso, Lemann diz ter tido sempre pouco medo de ousar — mesmo após seu maior fracasso, aos 25 anos, quando ficou "sem dinheiro nenhum". "Eu fiquei chocado, era muito seguro de mim e naquela época fracassar não era como é hoje na Califórnia, onde quem não tem um fracasso no currículo é mal visto", conta.

Mais uma vez apostou na própria ousadia. "As pessoas próximas queriam que eu escolhesse um grande banco com um bom salário, mas eu mão gostava da ideia", diz. "Não gosto de me sentir preso sem poder fazer o que eu gostaria."

Não gosta mesmo. O empresário conta que em uma das suas experiências, como sócio da corretora Libra, chegou a abandonar o barco porque não teria a autonomia que desejava para reger os negócios.

Tênis

Jogador contumaz de tênis, Lemann chegou a abandonar os negócios por um ano inteiro para se dedicar exclusivamente ao esporte. Competiu em torneios clássicos como Wimbledon e Roland Garros. A carreira no esporte, no entanto, não decolou. "Eu jogava bem, mas não tinha condições de ser um dos grandes astros do tênis, então decidi voltar a trabalhar", conta.

Esse lado supercompetitivo, ele carrega para os negócios. Assim como o eterno exercício dos treinos. "No tênis aprendi isso, minha atitude nos negócios sempre foi de fazer força, de treinar, de ter foco e agarrar oportunidades", diz. "Hoje aos 74 anos ainda não sou um grande sacador no tênis, continuo tentando."