31 de janeiro de 2012

Seabras adia maior abertura de capital do ano

Petroleira planejava levantar até R$ 1,25 bilhão com operação mas a interrompeu para mudar estrutura corporativa.

A companhia de equipamentos de petróleo e gás norueguesa SeaDrill Ltd. anunciou nesta segunda-feira que decidiu adiar os planos de realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) de sua unidade brasileira a fim de ganhar tempo para fazer algumas mudanças em sua estrutura corporativa. No início deste mês, a Seabras Serviços de Petróleo S.A., unidade brasileira da SeaDrill, disse que planejava levantar entre R$ 960 milhões e R$ 1,25 bilhão (entre US$ 545 milhões e US$ 709 milhões) por meio de um IPO na BM&FBovespa. A companhia planejava começar a negociar suas ações no dia 13 de fevereiro.

"A Seabras concordou com a Petrobras em realizar algumas mudanças na sua estrutura corporativa. Não será possível completar a reestruturação corporativa, receber permissões para empréstimos de bancos e fretadores dentro do tempo limite para fazer o registro baseado na contabilidade do terceiro trimestre de 2011", afirmou a companhia em um comunicado. 

"A consequência é que Seabra vai fazer um novo registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que reflete a estrutura corporativa revisada. Este documento irá incluir a contabilidade do quarto trimestre de 2011 e está previsto para ser concluído no início de março, com previsão de listagem na na BM&FBovespa em abril de 2012", acrescentou a companhia. 

A empresa não revelou mais detalhes sobre o acordo com a Petrobras. No prospecto preliminar da operação, a Seabras afirmou que a Petrobras e qualquer mudança nos contratos existentes pode causar um impacto grande em suas atividades. As informações são da Dow Jones.

30 de janeiro de 2012

OGX começa procedimento para extrair petróleo na Bacia de Campos

A produção comercial só terá início após a declaração de comercialidade.

A OGX, empresa petroleira do empresário Eike Batista, informou que deu início aos procedimentos para extrair seus primeiros barris de petróleo.

O processo prevê a injeção de produtos químicos no poço localizado em águas rasas da Bacia de Campos para o tratamento preliminar do petróleo e gás que será processado na plataforma. 

A acumulação de óleo, batizada de Waimea, foi descoberta há dois anos e a extração começa em fase de teste de longa duração, cuja finalidade é confirmar a produtividade. 

A produção, comercial contudo, só terá início após a declaração de comercialidade. Em nota, a OGX chega a informar com exatidão o momento do início dos trabalhos para a abertura do primeiro poço: 19h46min40s de sábado (28 de janeiro). 

"O fluxo de petróleo será incrementado gradualmente conforme as boas práticas da indústria para melhor gestão do reservatório", informa a empresa, que foi criada por Eike em julho de 2007 e vem desde então desenvolvendo campanhas exploratórias.

29 de janeiro de 2012

Sanções ao petróleo do Irã afetarão empresas europeias

União Europeia impôs diversas sanções econômicas ao Irã, juntando-se aos Estados Unidos em esforço para parar programa nuclear.

TEERÃ - Empresas européias que tem petróleo a receber do Irã podem perdê-lo se Teerã impor um embargo às exportações do produto para a União Europeia na próxima semana, disse o chefe da empresa estatal de petróleo do Irã neste sábado.

O Parlamento do Irã deve debater uma lei no domingo que cortaria o fornecimento de petróleo para a UE em questão de dias, em retaliação a uma decisão na segunda-feira passada, tomada pelos 27 países-membros da UE, de parar de importar o petróleo bruto do Irã até 1 de julho. 

"Geralmente, as partes sujeitas a prejuízos com a recente decisão da UE serão as empresas europeias com contratos pendentes com o Irã", disse Ahmad Qalebani, chefe da National Iranian Oil Co. à agência de notícias ISNA. "As empresas europeias terão que respeitar as disposições dos contratos de compra", disse ele. "Se não o fizerem, serão as partes que vão arcar com as perdas relevantes e ficarão sujeitas à repatriação de seu capital". 

Ao virar as sanções contra a UE, parlamentares iranianos esperam negar à Europa o prazo de seis meses que o bloco planejava dar aos países mais dependentes do petróleo iraniano -inclusive alguns com as economias mais fragilizadas- para terem tempo de se adaptar. 

A UE proibiu as importações de petróleo do Irã na segunda-feira, e impôs várias outras sanções econômicas, juntando-se aos Estados Unidos em uma nova rodada de medidas que visam desviar o programa de desenvolvimento nuclear de Teerã. 

Segundo os contratos de recompra, característica comum da indústria de petróleo iraniana, os investimentos em projetos em campos de petróleo são pagos de volta no produto, geralmente durante vários anos. 

A italiana Eni diz que tem a receber entre US$ 1,4 e 1,5 bilhão em petróleo por contratos no Irã datando de 2000 e 2001, e recebeu a garantia de autoridades europeias que os seus contratos de recompra não farão parte do embargo europeu, mas a possibilidade de o Irã agir primeiro pode colocar isso em dúvida. A UE respondeu por 25% das vendas do petróleo bruto iraniano no terceiro trimestre de 2011.

28 de janeiro de 2012

Alto executivo do nordeste ganha metade do salário do sudeste

O número é da empresa de recrutamento Hays: a média dos salários de altos executivos no nordeste é de R$ 25 mil contra até R$ 50 mil no sudeste. 

A tendência, segundo previsão de Cynthia Rejowski, da Hays do Brasil, é de redução dessa diferença. 

Mas só no médio prazo.

27 de janeiro de 2012

Brasil não vive ainda momento de pleno emprego, diz IBGE

Gerente da Pesquisa Mensal de Emprego diz se preocupar com disparidades regionais e alto número de trabalhadores informais.

Mesmo com o "manancial de evoluções favoráveis" no mercado de trabalho em 2011, ainda não é possível dizer que o Brasil está na posição de "pleno emprego", na análise do gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), Cimar Azeredo. Segundo o funcionário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar da taxa de desemprego de 4,7% em dezembro do ano passado - a menor da série histórica da pesquisa iniciada em 2002, com uma taxa média de desemprego de 6% ao longo de 2011 (também a mais baixa da série) - as disparidades regionais persistem.

Azeredo lembrou que, em Salvador, por exemplo, uma das seis principais regiões metropolitanas pesquisadas para a PME, é possível encontrar taxa de desemprego em torno de 9% na média anual de 2011. "Além destas disparidades regionais, temos ainda um número expressivo de números de trabalhadores sem carteira assinada, e de trabalhadores que não contribuem com a Previdência. O pleno emprego leva em conta outros indicadores, não somente a taxa de desocupação (desemprego)", afirmou. "Temos muito o que melhorar ainda", finalizou.

Em 2011, o porcentual de trabalhadores com carteira assinada no setor privado do mercado de trabalho foi de 48,5%, acima do apurado em 2010, de 46,3%. Isso representou 10,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, segundo o IBGE, que anunciou hoje a (PME) de dezembro.

Em todas as seis regiões metropolitanas pesquisadas, o porcentual de empregados com carteira assinada no setor privado representou, aproximadamente, metade da população ocupada, variando de 43,9% no Rio de Janeiro a 52,0% em São Paulo. A região metropolitana de São Paulo permaneceu com a maior proporção desta categoria (52,0%). Como consequência do aumento do contingente de trabalhadores com carteira assinada, também aumentou o número de trabalhadores que contribuíam para a Previdência Social. Em 2003, 61,2% das pessoas ocupadas contribuíam para a Previdência; em 2010, 68,4% e, em 2011, esta proporção atingiu 71,0%.

Segundo o IBGE, a renda do trabalhador brasileiro apresentou cenário favorável em 2011, mas as disparidades nos ganhos ainda persistem. As mulheres ganharam, em média, 28% a menos do que os homens em 2011, conforme Azeredo. No ano passado, em média, as mulheres ganharam R$ 1.343,81 contra R$ 1.857,64 dos homens. Isso ocorre num ano em que o rendimento médio mensal habitualmente recebido no trabalho principal, de homens e de mulheres, foi estimado em R$ 1.625,46. A quantia é equivalente a aproximadamente três salários mínimos, e foi o valor anual médio mais elevado desde 2003, 2,7% superior a 2010.

26 de janeiro de 2012

Fórum de Davos começa com clara preocupação com criação de emprego

Discussões do Fórum Mundial também recaem sobre a falta de alimentos e a fome mundial. 

O Fórum Econômico Mundial de Davos começou nesta quarta-feira com uma clara preocupação com o crescimento global e a geração de empregos em um cenário de crescimento populacional e um sistema globalizado que exige mudanças e novos modelos. Os copresidentes do Fórum de Davos de 2012 destacaram na entrevista coletiva de abertura que a prioridade atual e para os próximos dez anos é a criação de empregos. 

Eles lembraram que o desemprego serviu de motivação, entre outras, para as recentes tensões no norte da África. Por conta disso, o executivo-chefe do banco americano Citigroup, Vikram Pandit, ressaltou o planejamento de nos próximos dez anos a América Latina criar 40 milhões de novos empregos e os Estados Unidos 20 milhões. 

O executivo-chefe da multinacional britânica de alimentação Unilever, Paul Polman, lembrou a triste estatística de que diariamente "1 bilhão de pessoas vão dormir com fome". Essa situação exige aumento da oferta de alimentos em 70% até 2020, quantia necessária para alimentar a população mundial, revelou Polman. O diretor da empresa cinematográfica mexicana Cinépolis, Alejandro Ramírez, declarou que a segurança alimentar será um de assuntos abordados pelos chefes de Estado e de Governo na reunião do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) deste ano, que ocorrerá em junho em Los Cabos (Baixa Califórnia Sul).

Ramírez assinalou que algumas economias emergentes da Ásia, América Latina e da África Subsaariana têm taxas de crescimento "decentes", mas que esse desempenho corre riscos pela estagnação das economias industrializadas. Pandit considerou que é importante criar um sistema financeiro que inclua cada vez mais pessoas já que atualmente 2,5 bilhões não têm conta bancária. O ano de 2012 se apresenta aos analistas reunidos na cidade suíça de Davos como período de transformações depois que o sistema capitalista tenha sofrido a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial, que abalou a confiança do setor financeiro. "Os bancos devem servir aos clientes e não a eles mesmos", concluiu Pandit.

25 de janeiro de 2012

FMI prevê dois anos de PIB do Brasil abaixo da média global

Organismo prevê que PIB brasileiro avançará 3% este ano e 4% em 2013; entre os Brics, só África do Sul terá desempenho pior.

Em meio ao agravamento do cenário externo, o FMI (Fundo Monetário Internacional) voltou a reduzir sua previsão de crescimento para a economia brasileira, que deve ficar abaixo da média mundial em 2011 e neste ano.

De acordo com a revisão do relatório World Economic Outlook (Perspectivas da Economia Mundial), divulgada nesta terça-feira, em Washington, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deverá avançar 2,9% em 2011 e 3% neste ano.

Se as projeções do fundo se confirmarem, o Brasil terá voltado a crescer abaixo da média global, após ter registrado um resultado bem superior à média mundial em 2010, quando cresceu 7,5%, diante de um avanço global 5,2%.

A projeção do FMI para este ano é 0,6 ponto percentual menor do que a divulgada anteriormente, em setembro de 2011, e também fica abaixo dos 3,27% projetados no último Boletim Focus, levantamento semanal feito pelo Banco Central do Brasil com base em consultas ao mercado.

Caso a previsão do FMI se confirme, o crescimento brasileiro em 2012 ficará abaixo da média mundial (3,3%) e também da média das economias emergente e em desenvolvimento (5,4%).

O avanço do PIB brasileiro também será menor que a média da América Latina e Caribe (3,6%) e do que o da China (8,2%), da Índia (7%) e da Rússia (3,3%), países que integram o grupo dos Brics.

Entre os Brics, apenas a África do Sul terá desempenho pior que o do Brasil, com previsão de crescimento de 2,5% em 2012.

Para 2013, o FMI projeta avanço de 4% no PIB brasileiro, 0,2 ponto percentual abaixo da previsão anterior, mas 0,1 ponto acima da média global, que é de 3,9%.

Zona do euro

A nova versão do relatório reduz as previsões de crescimento para praticamente todos os países e regiões, especialmente em consequência dos problemas nos países da zona do euro.

“As perspectivas de crescimento global se obscureceram e os riscos escalaram bruscamente durante o quarto trimestre de 2011, à medida que a crise na zona do euro entrou em uma perigosa nova fase”, diz o FMI.

Segundo o relatório, preocupações com perdas do setor bancário e sustentabilidade fiscal se espalharam por vários países da zona do euro. Em muitas economias avançadas, as condições de empréstimos bancários se deterioraram. No caso dos emergentes, o impacto foi sentido com queda nos fluxos de capital.

De acordo com o relatório, os emergentes ainda correm o risco de que a perda de confiança global altere a dinâmica dos mercados de crédito e imobiliário, o que afetaria de modo negativo a atividade econômica nesses países.

O FMI afirma ainda que, dada a profundidade da recessão de 2009, as taxas de crescimento previstas para as economias avançadas são insuficientes para reduzir as altas taxas de desemprego.

O relatório ressalta que as projeções são de desaceleração, e não de colapso, já que a maioria das economias avançadas vai evitar cair em nova recessão e que a atividade nos emergentes, que vai ser reduzida, vinha em um ritmo bastante alto. 

“Entretanto, isso pressupõe que, na zona do euro, as autoridades intensifiquem seus esforços para combater a crise”, diz o documento. 

Em um cenário mais pessimista, no qual o contágio financeiro para o resto do mundo seja maior do que o esperado e o comércio internacional também seja afetado, as projeções de crescimento mundial poderiam ficar cerca de 2 pontos percentuais abaixo do previsto no relatório, diz o FMI.

24 de janeiro de 2012

Graças Foster trará gestão mais rígida à Petrobras, dizem especialistas

Pesquisadores ouvidos pelo iG destacam caráter técnico da diretora indicada para a presidência da estatal. 

A chegada de Maria das Graças Foster à presidência da Petrobras, que deve ser confirmada em 9 de fevereiro, durante a reunião do conselho de administração da estatal, não deve trazer mudanças profundas, mas vai alterar o dia-a-dia dentro da companhia. Especialistas ouvidos pelo iG destacaram que Foster um perfil mais firme e mais técnico do que o atual presidente, José Sérgio Gabrielli. 

“Ela é extremamente determinada, competente e exigente”, disse Sérgio Braga, professor da PUC-Rio, que já trabalhou com Graça Foster. 

Para ele, a atual diretora de Gás e Energia vai dar diretrizes mais rígidas à companhia e ter mais controle sobre as diretorias. Ele também acredita que em breve Graça Foster deve promover mudanças no quadro de diretores da empresa. “Ela deve nomear diretores mais técnicos, assim como ela é uma diretora técnica”, avalia. 

Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe, não acredita em mudanças substanciais. "É o mesmo governo. O que mudam são detalhes", afirma. 

O presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, vê com bons olhos a escolha de uma executiva de perfil mais técnico para o comando da Petrobras. “Espero que ela mude o foco excessivamente político da companhia”, afirma. Ele destaca o fato de Graça Foster ser funcionária de carreira da empresa. “Há muitos anos a Petrobras não tem um presidente saído do quadro de funcionários.” 

Para ele, a nova presidente da companhia deve também ter mais firmeza sobre as diretorias. “A autonomia das diretorias hoje é muito grande, o que dá espaço para mais influência política”, diz. Pires avalia que o desafio de Graça Foster é ser firme sem ser autoritária. “O mercado não gosta de autoritarismo”, afirma. 

Os especialistas também apontam uma mudança no sentido de aproximar mais a Petrobras do governo, já que Graça Foster é próxima da presidenta Dilma Rousseff. “Ela é da cota pessoal de Dilma”, diz Pires. 

Eles também avaliam como natural a troca no comando da Petrobras. Para Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe, a troca é positiva. "A mudança é saudável de tempos em tempos", diz. Para ele, não houve surpresa na indicação, já que o nome de Graça Foster já havia sido cotado para o cargo. 

“Gabrielli ficou muitos anos no cargo. A troca é normal”, diz o professor Sérgio Braga. Pires vai além: diz que o momento também é adequado, já que o ano está no início. E faz seus votos para a nova gestão: “Espero que ela olhe mais para o acionista. Ela tem condições para isso”, afirma Pires.

23 de janeiro de 2012

Gabrielli deve deixar Petrobras, segundo TV

Executivo seria substituído pela atual diretora de Gás e Energia da empresa, Maria das Graças Foster, informou a Globo News. 

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, teria renunciado à presidência da estatal e seria substituído no cargo pela atual diretora de Gás e Energia da empresa, Maria das Graças Foster, informou o canal televisivo Globo News na noite de sábado.

A troca do comandou seria realizada em fevereiro, segundo a emissora. 

A notícia pegou de surpresa autoridades do governo e executivos da própria Petrobras, que disseram não ter informações sobre o assunto. A assessoria de imprensa da empresa não estava imediatamente disponível para confirmar a informação. 

Na última reunião ordinária do conselho da estatal, que ocorreu na sexta-feira, dia 20, o assuntou não constava na pauta, disse à Reuters uma fonte da Petrobras. 

"Para que ocorra uma mudança no comando da empresa é preciso uma decisão do conselho, o que ainda não aconteceu. Então, será necessário convocar uma reunião extraordinária", disse a fonte, caso a informação seja oficialmente confirmada. 

Uma fonte do governo disse à Reuters na noite de sábado que Graça Foster esteve na sexta-feira no Palácio do Planalto, mas acrescentou que não tinha conhecimento da decisão. 

Outra fonte que acompanha de perto os bastidores da Petrobras disse que a saída de Gabrielli era tida como uma questão de tempo. 

Mas a notícia de que a decisão já teria sido tomada e que a troca de comando ocorreria em fevereiro surpreendeu esse interlocutor, que pediu anonimato. 

Integrantes do governo e também da estatal confirmaram, porém, que nos últimos dias, com a proximidade da reforma ministerial a ser feita pela presidente Dilma Rousseff, os boatos sobre a saída de Gabrielli da presidência da estatal ganharam força. 

Gabrielli teria aspirações políticas e buscaria concorrer a um cargo executivo na Bahia, dizem pessoas próximas a ele. Mas, em café da manhã com a imprensa em dezembro de 2011, no Rio de Janeiro, o executivo negou que seria candidato em 2012. 

O objetivo dele, segundo fontes, não seria pleitear a prefeitura de Salvador, mas o governo do Estado baiano em 2014. Graças Foster é próxima à presidente e seu nome foi cotado para assumir um ministério ou o próprio comando da Petrobras quando Dilma tomou posse no cargo, no início do ano passado.

22 de janeiro de 2012

China continua importando mais minério de Brasil e Austrália

País diversificou importações, mas não conseguiu reduzir sua dependência dos dois países, seus principais fornecedores.

Durante 2011, a China diversificou suas importações de mineral de ferro, em geral favorecendo a África do Sul, mas não conseguiu reduzir sua dependência de seus principais provedores, Austrália e Brasil, de acordo com dados aduaneiros divulgados neste sábado.

Por muitos anos, as autoridades chinesas disseram que o fornecimento do insumo da Índia e de outros países poderia ajudar a romper o domínio das três principais produtoras de mineral de ferro do mundo: as australianas BHP Billiton e Rio Tinto e a brasileira Vale.

Mas, em 2011, a China importou 64% do material desses países, sem variação em relação ao ano anterior. As compras na Índia caíram cerca de 24%, em meio a queixas pelo declive da qualidade. As compras da África do Sul aumentaram cerca de 22%, mas a Índia continua sendo o terceiro provedor da China, entregando o dobro dos sul-africanos.

As compras de minério de ferro gerais aumentaram 10,94%, porque a indústria siderúrgica da China continuou crescendo, frente à desaceleração do crescimento econômico interno. A estratégia da diversificação da China levou o país a buscar mineral de ferro em lugares como Mauritânia e Mianmar.

O crescimento de fontes não tradicionais reflete os fornecimentos restringidos, uma boa demanda e preços altos, mais do que uma estratégia explícita de reduzir a dependência de Austrália e Brasil, disseram analistas.

Espera-se que os preços do mineral de ferro fiquem em torno de US$ 150 por tonelada durante 2012, segundo uma pesquisa da Reuters realizada em meados de dezembro, contra os US$ 168 de 2011.

21 de janeiro de 2012

Votações dos projetos SOPA e PIPA são adiadas nos Estados Unidos

Com suspensão, congressistas terão mais tempo para analisar o assunto.

As votações dos projetos de lei SOPA (Stop Online Piracy Act) e PIPA (Protect Intellectual Property Act) foram adiadas nos Estados Unidos. De acordo com o site CNet, o congressista Lamar Smith, autor da SOPA, disse que vai adiar discussões formais sobre o projeto para que outros parlamentares tenham mais tempo para analisar a questão.

A mesma justificativa foi dada pelo senador Harry Reid, que coordena os debates sobre a PIPA. Não há data marcada para que nenhum dos projetos volte à pauta do Congresso dos Estados Unidos.

A decisão de levantar a bandeira branca ocorre um dia após outros congressitas, como os senadores Marco Rubio e Roy Blunt, retirarem o apoio do projeto. Nesta semana, alguns sites realizaram protestos na internet contra os projetos de lei.

A Wikipédia tirou do ar a sua versão em inglês por 24 horas, deixando apenas os dizeres: “imagine um mundo sem conhecimento”. O Google colocou uma tarja preta na página inicial na versão americana e no final da página um link que explicava os motivos da empresa de ser contra os projetos de lei.

Os projetos de lei são apoiados pelos estúdios de Hollywood e pela indústria fonográfica. Segundo os apoiadores dos projetos, eles foram concebidos para combater a pirataria online, mas sites e empresas da internet acreditam que a SOPA e PIPA impõem censura no acesso à internet.

20 de janeiro de 2012

Jovens não precisarão de entrevista para tirar visto americano

Medida tem como objetivo estimular economia e turismo nos EUA; consulado ainda não sabe quais são as faixas etárias beneficiadas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou nesta quinta-feira uma ordem executiva que pretende agilizar a emissão de vistos no Brasil e na China em 2012, entre outras medidas para potencializar o turismo. A medida deve reduzir em 40% o tempo necessário para a obtenção do documento por brasileiros.

A iniciativa faz parte de um extenso plano cujo objetivo é impulsionar a criação de empregos nos Estados Unidos através da facilitação das viagens turísticas de cidadãos de países emergentes, informou a Casa Branca em comunicado.

O programa prevê a isenção de entrevistas para obtenção de vistos para certas faixas etárias. O consulado dos EUA em São Paulo ainda não sabe informar quais faixas serão beneficiadas, mas afirma que os jovens estarão entre aqueles que serão dispensados da entrevista.

A medida irá valer tanto para brasileiros que tirarem o visto pela primeira vez quanto para aqueles que estão renovando o documento. O Consulado precisará de um tempo para adaptar as máquinas e procedimentos à nova faixa etária isenta – hoje, jovens de até 12 anos já não precisam da entrevista, basta que os pais levem os documentos ao órgão. Por isso, as mudanças não começam a valer imediatamente.

Os pedidos de visto para os Estados Unidos tramitados no Brasil aumentaram 42% em 2011. O governo americano calcula que até 2016 as viagens de brasileiros aos EUA terão aumentado 274% em relação a 2010.

Para atender a essa demanda, o Departamento de Estado quer garantir que 80% das pessoas que pediram vistos de turista no Brasil e na China sejam submetidos à entrevista no máximo três semanas após efetuarem o pedido.

Além disso, o governo trabalhará para expandir o programa que isenta os visitantes da necessidade de um visto e ampliar a duração permitida de sua estadia nos EUA. O país pretende adotar um programa piloto no Brasil e na China para processar as solicitações de visto.

Viajantes considerados de "baixo risco" também poderão ser liberados da exigência de entrevista, assim como quem tentar renovar o visto de não imigrante.

No caso do Brasil, o programa também prevê que jovens ou aqueles que pedirem o visto pela primeira vez sejam liberados da entrevista. Além disso, Taiwan foi adicionada à lista de 36 nações que podem viajar aos EUA a turismo sem necessidade de visto. Esse grupo é responsável por 60% das viagens ao país.

"A cada ano, dezenas de milhões de turistas de todo o mundo vêm visitar os Estados Unidos. E quanto mais visitantes vierem, mais americanos voltarão a trabalhar", disse Obama em comunicado. Após assinar a ordem, o presidente viajou ao parque Disney World, em Orlando (Flórida), para apresentar o plano de forma mais ampla. Obama incluiu a iniciativa em seu programa de criação de emprego "We Can't Wait" (Nós não podemos esperar, em tradução livre), impulsionado por meio de ordens executivas que não precisam de aprovação do Congresso.

Segundo a Casa Branca, mais de um milhão de empregos podem ser criados na próxima década caso os EUA aumentem sua participação no mercado de turismo internacional.

19 de janeiro de 2012

Déficit do funcionalismo vai superar R$ 60 bilhões em 2012

Rombo no sistema previdenciário ficou em R$ 56 bilhões em 2011; "É uma sangria", afirma Garibaldi.

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, projetou que o déficit do regime de previdência dos servidores públicos federais superará R$ 60 bilhões em 2012. "É uma sangria", afirmou. Garibaldi confirmou que o rombo nesse sistema previdenciário, que beneficia 1 milhão de servidores públicos federais aposentados, ficou em R$ 56 bilhões no ano passado.

O cálculo sobre o aumento do desequilíbrio na previdência dos servidores públicos este ano leva em conta a projeção do governo de elevação anual de 10% nesse déficit. O Ministério da Previdência apresentará à presidente Dilma Rousseff proposta a ser encaminhada ao Congresso de modificação na forma de contribuição dos servidores públicos. A ideia é mudar a forma de contribuição de maneira que haja uma interrupção na transferência vitalícia do benefício em situações de alteração da condição civil do funcionário público.

18 de janeiro de 2012

Google publica hoje protesto contra lei que censura a web

Empresa se junta a Wikipedia e diversos blogs que planejam protesto contra SOPA para hoje (18).

O Google anunciou, que a partir de hoje, os internautas que acessarem sua página de busca poderão ter acesso a um manifesto, que mostra que o Google é contrário à aprovação dos projetos de lei SOPA (Stop Online Piracy Act) e PIPA (Protect IP Act), que está em discussão no congresso americano. Com o protesto, o Google - responsável por alguns serviços de internet mais usados em todo o mundo - se junta a algumas empresas que protestarão hoje contra o projeto, como Wikipedia.

Apesar de anunciar o protesto para hoje, o Google não interromperá seus serviços, como já anunciado por um grupo de sites, entre eles a própria Wikipedia (que tirará a versão americana do ar por 24 horas hoje) e Reddit e Boing Boing (ambos ficarão fora do ar por 12 horas a partir das 8h00 de hoje). Segundo o Google afirmou ao jornal The Washington Post, o site de busca não ficará do ar, porque será importante para veicular informações sobre os perigos do SOPA para o grande público. 

"Assim como várias empresas, empreendedores e internautas, nós somos contra esta ação, porque elas são uma forma inteligente para desligar sites de internet estrangeiros, sem que empresas americanas sejam chamadas a censurar a internet", disse o Google, em comunicado. "Então, hoje, nós vamos nos juntar a outras empresas de tecnologia para destacar este problema em nossa página inicial." 

O Twitter é outra empresa que, apesar de estar contra o SOPA, afirmou que não desligará o microblog como forma de protesto. "Não desligar nosso serviço não quer dizer que não temos um posicionamento claro sobre o problema. Temos sido muito claros em relação a nossa postura sobre o SOPA", disse Dick Costolo, CEO do Twitter, por meio de sua conta no microblog. Para ajudar na discussão sobre o assunto, Costolo afirmou que sua equipe está pensando em maneiras de usar o próprio Twitter. 

Publicidade contra SOPA

Ontem, terça-feira (17), a NetCoalition, grupo de empresas anti-SOPA que reúne Google, Yahoo, Amazon, eBay e Wikipedia - começaram a veicular uma série de anúncios, no rádio e em jornais e revistas dos EUA, em que alertam para os perigos do projeto de lei, que deve ser votado em fevereiro. O argumento do grupo é de que, ao dar o poder ao governo americano para desligar sites com conteúdo que infringe a lei americana de direitos autorais, empreendedores e outras empresas serão impedidos de inovar.

17 de janeiro de 2012

Descoberta da OGX na Bacia de Santos é "promissora", diz especialista

Segundo diretor da Coppe, poço de petróleo da empresa de Eike parece ter óleo de boa qualidade e em grande quantidade.

A descoberta de hidrocarbonetos na Bacia de Santos anunciada nesta segunda-feira pela OGX, empresa de petróleo do grupo EBX, é considerada promissora pelo professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ. Segundo ele, as primeiras informações dão conta de que as reservas são significativas, embora não estime a quantidade de barris. A OGX também não divulgou estimativas do tamanho das reservas.

“Tudo indica que seja uma boa notícia. As reservas estão em águas rasas e relativamente próximas da costa”, afirma. A localização do reservatório, segundo ele, faz com que a exploração seja “menos difícil” do que em outros poços. Ele acrescenta que a grande presença de gás indica que o óleo encontrado seja de boa qualidade e alcance bom preço no mercado internacional.

Pinguelli também classificou como positivo o fato de se tratar de uma grande descoberta feita por uma empresa nacional. “A maior parte das grandes descobertas de reservas de óleo no Brasil têm sido feitas pela Petrobras ou então por empresas estrangeiras. O fato de este novo reservatório ter sido encontrado por uma empresa brasileira deve representar mais empregos e desenvolvimento de tecnologia para o País”, afirma Pinguelli.

16 de janeiro de 2012

Crescimento brasileiro absorve pobres do Haiti, por enquanto

Desde o terremoto, em 2010, cerca de quatro mil haitianos imigraram para o Brasil em busca de emprego e de uma vida melhor.

Em relação à odisseia que o trouxe a esta cidade na Amazônia brasileira, Wesley Saint-Fleur só conseguiu reunir forças para um olhar de exaustão e perplexidade.

Meses atrás, ele tomou um ônibus no Haiti, antes de embarcar num avião na República Dominicana, aterrissando primeiro no Panamá e depois no Equador. Foi ali que a esposa deu à luz seu filho, Isaac, ele conta brincando com o menino de quatro meses no joelho, enquanto exibe a carteira de identidade equatoriana do bebê. Depois eles continuaram de ônibus, atravessando o Equador e Peru. Mais tarde, seguiram a pé pela Bolívia, onde, segundo acusa, a polícia roubou suas roupas e as da esposa, além do seu pé-de-meia: US$ 320 em espécie.

"Então, finalmente, entramos no Brasil, que, segundo me falaram, está construindo de tudo, estádios, represas, estradas", afirmou Saint-Fleur, 27 anos, operário da construção civil, um entre as centenas de haitianos que se reúnem todos os dias ao redor do gazebo da praça enfeitada de palmeiras de Brasileia. "Só quero trabalhar, e o Brasil, graças a Deus, tem trabalho para nós." 

Apostando tudo que têm, milhares de haitianos atravessaram as Américas para chegar a cidadezinhas na Amazônia brasileira no último ano numa busca desesperada por emprego, contando com um pico de centenas que chegaram recentemente, temendo que o governo brasileiro reduzisse o influxo antes que ele se tornasse grande demais para as autoridades locais. 

Suas jornadas improváveis _ dos escombros dos lares insulares a postos avançados remotos aqui na Amazônia _ são prova tanto da situação econômica desesperadora que persiste no Haiti dois anos depois do terremoto quanto do crescimento econômico do Brasil, que está virando um chamariz para trabalhadores estrangeiros pobres e para um número crescente de profissionais formados da Europa, Estados Unidos e América Latina. 

Depois de chegar aqui e a outros postos avançados na fronteira, as autoridades costumam dar vacinas aos haitianos, água limpa e duas refeições diárias. Muitos ficam semanas em Brasileia e outras cidades antes de receberem vistos humanitários que lhes permitem trabalhar no país. 

Porém, com a multidão de recém-chegados, outros não tiveram tanta sorte. Depois de viajar milhares de quilômetros e superar incontáveis obstáculos, alguns lotam quartos pequenos de hotel ou terminam dormindo nas ruas, quase revivendo a miséria que esperavam ter deixado para trás. 

"Não posso deixar a tristeza tomar conta, pois a oportunidade virá depois desta fase dura", disse Simonvil Cenel, 33 anos, alfaiate que espera o visto e dirige cultos evangélicos animados para quem ficou preso no limbo depois de sofrer tanto para chegar aqui. 

Cerca de quatro mil haitianos imigraram para o Brasil desde o terremoto de 2010, geralmente passando primeiro pelo Equador, um país pobre com política complacente de vistos. O Brasil abriu uma exceção para os haitianos, em contraste com quem busca emprego vindo de países como Paquistão, Índia e Bangladesh, que chegam por rotas amazônicas similares, mas costumam ser expulsos. 

"O Haiti está se recuperando de um período de crise extremo, e o Brasil tem condições de ajudar essa gente", afirmou Valdecir Nicacio, que trabalha com direitos humanos no Acre. "Antes de chegarem aqui, eles ficam à mercê de traficantes humanos. O Brasil é grande o bastante para absorver haitianos que só querem trabalhar." 

Com o número de haitianos crescendo acentuadamente, as autoridades em Brasileia e Tabatinga, cidade fronteiriça do Amazonas, alertaram sobre os problemas de tentar alimentar e abrigar os haitianos enquanto os pedidos de visto são analisados. As autoridades federais reagiram enviando toneladas de alimentos para os imigrantes, que passam de mil em cada povoado na fronteira. 

Lidar com uma crise imigratória na fronteira é um novo dilema para o Brasil, que até recentemente estava mais preocupado com a saída dos próprios cidadãos que buscavam oportunidades em países ricos e industrializados do que em atender a chegada de milhares de estrangeiros pobres. 

Embora o crescimento econômico tenha diminuído recentemente no Brasil, o desemprego está num índice historicamente baixo de 5,2 por cento, com muitas empresas tendo dificuldades para encontrar trabalhadores para preencher as vagas. Os salários dos níveis mais baixos do mercado de trabalho também subiram, com a renda dos brasileiros pobres crescendo sete vezes mais que a dos brasileiros ricos entre 2003 e 2009. 

"Estamos vivendo um declínio na mão de obra porque muitos brasileiros estão indo trabalhar nos dois projetos de hidroelétricas", disse Ana Terezinha Carvalho, analista de gestão de pessoal da Marquise, empresa de Porto Velho. A cidade fica na bacia superior do Rio Amazonas, onde o Brasil está empregando milhares de pessoas para construir duas represas grandes, chamadas Jirau e Santo Antônio. 

Carvalho afirmou que sua empresa contratou rapidamente 37 haitianos que chegaram ano passado para coletar lixo em Porto Velho e levá-lo ao aterro da cidade. Alguns ganham mais de US$ 800 mensais, num emprego que inclui benefícios como seguro-saúde, horas extras e férias remuneradas. "Não havia brasileiros suficientes, então contratamos os haitianos com prazer." 

As autoridades estimam que cerca de 500 haitianos vivam agora em Porto Velho e uns 700 em Manaus, a maior cidade da Amazônia brasileira. Centenas mais chegaram a São Paulo, a capital econômica do Brasil. Empresas como a Fibratec, fabricante de piscinas de Santa Catarina, chegaram a enviar gerentes para contratar dezenas de haitianos por aqui. 

Além de atender a demanda por trabalho barato, a iniciativa de deixar os haitianos trabalharem no Brasil tem a ver com a ambição do país de possuir maior influência regional, tentando achar maneiras de suavizar os problemas da nação mais pobre do hemisfério. 

Desde 2004, o Brasil envia soldados para liderar uma missão de paz da ONU no Haiti. Contudo, agora existem mais haitianos no Brasil do que soldados brasileiros no Haiti. Em setembro, o Brasil anunciou que iria começar a reduzir seus dois mil soldados na nação caribenha. 

A maioria dos haitianos espera passar apenas algumas semanas no limbo da imigração em Brasileia antes de seguir adiante. Alguns, como Francisco Joseph, 25 anos, aproveitam ao máximo o tempo passado aqui. Ele compra cartões de celular pré-pago do outro lado da ponte, na cidade boliviana de Cobija, e os vende para os companheiros haitianos na praça de Brasileia, com um lucro de cerca de 30 centavos por cartão. Ele ganha US$ 10 por dia. 

"Esse pouquinho de dinheiro me dá um pouco de dignidade." 

Outros, como Jacksin Etienne, 31 anos, têm sonhos maiores. Poliglota que transita com facilidade entre inglês, espanhol, francês e crioulo, Etienne disse esperar trabalhar como tradutor ou num hotel.

15 de janeiro de 2012

S&P corta ratings de nove países europeus

Agência de classificação de risco manteve nota de Alemanha e mais seis nações; Portugal tem dívida 'tóxica'.

A agência de classificação de risco Standard and Poor's rebaixou nesta sexta-feira a nota de França, Itália e Espanha e de mais cinco países da zona do euro, mas manteve o rating da Alemanha no patamar máximo de AAA. Outras seis nações tiveram os ratings mantidos pela S&P. A dívida de Portugal, por sua vez, ganhou status de tóxica. O anúncio confirma os rumores que circulavam mais cedo sobre o rebaixamento da nota desses países.

A agência rebaixou os ratings de longo prazo de Chipre, Itália, Portugal e Espanha em dois graus, e cortou as notas de França, Áustria, Malta, Eslováquia e Eslovênia em um nível. O rebaixamento que mais impactou os mercados foi o da França, que caiu da máxima AAA e, agora, se situa em AA+. A Espanha caiu de AA-/AA-1+ para A/A-1. Já a Eslováquia foi rebaixada de A para A+. A Áustria perdeu o triplo A e passou a ser AA+.

Em comunicado, a agência informou que a perspectiva de Áustria, Bélgica, Chipre, Estônia, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Holanda, Portugal, Eslovênia e Espanha é negativa. "Isso indica que nós acreditamos que há pelo menos uma chance em três de o rating ser rebaixado em 2012 ou 2013". Eslováquia e Alemanha têm perspectiva estável.

A Alemanha, por outro lado, manteve seu rating em AAA, com perspectiva estável. A agência também manteve os ratings de Bélgica, Estônia, Finlândia, Irlanda, Luxemburgo e Holanda.

Em comunicado, a S&P afirma que o corte da nota francesa enfraquece a capacidade do fundo de resgate europeu de ajudar os países endividados da União Europeia, pois o mecanismo não tem capital próprio. Segundo a agência, o pacto fiscal da UE "não produziu um avanço de amplitude e alcance suficientes para responder completamente aos problemas da zona do euro".

Segundo a agência, a decisão foi tomada por cinco fatores: a piora das condições de crédito; um aumento nos prêmios de risco para um grande grupo de emissores europeus; uma tentativa de desinvestir por parte de governos e empresas; perspectivas de crescimento econômico fracas, e uma disputa aberta e prolongada de políticos europeus sobre a abordagem ideal de combater a crise.

De acordo com a S&P, é provável que alguns países europeus continuem enfrentando um custo de financiamento elevado e que haja uma redução na oferta de crédito e no crescimento econômico.

"Por outro lado, acreditamos que as autoridades monetárias da zona do euro têm sido instrumentais no que diz respeito a evitar um colapso na confiança do mercado. Vimos que o Banco Central Europeu reduziu com sucesso as exigências para colaterais permitindo que cada vez mais ativos sejam usados como garantias em operações de financiamento e, mais importante, adotou operações de recompra sem precedentes para as instituições financeiras, aliviando as pressões de financiamento de curto prazo para os bancos."

Histórico

Em 5 de dezembro, a S&P colocou em revisão para potencial rebaixamento os ratings de 15 países da zona do euro afirmando que a tensão sistêmica no bloco monetário aumentou nas últimas semanas e passou a ameaçar o crédito da região como um todo.

Os dois países que não foram afetados na época foram o Chipre, cujo rating já estava sob revisão negativa, e a Grécia, cuja nota "CC" encontrava-se na região dos investimentos especulativos.

Um dia depois, a S&P também colocou em observação para potencial rebaixamento o rating AAA da EFSF, afirmando que a nota é baseada nas garantias "incondicionais" dos países da zona do euro e que se um ou mais garantidores classificados como AAA fossem rebaixados a nota da EFSF teria de seguir o mesmo caminho.

A nota mais baixa pode tornar mais caros os empréstimos que o fundo toma do mercado para financiar o auxílio aos países europeus que passam por dificuldades - Grécia, Irlanda e Portugal.

Classificação de risco

A classificação de risco é uma ferramenta usada pelos investidores estrangeiros na hora de decidir em que país irão colocar suas aplicações. Ela reflete o risco que um país tem de não honrar o pagamento de seus títulos. Quanto melhor é a avaliação, menor é o risco e, portanto, maior é a capacidade do país de atrair investimentos.

A partir de um determinado patamar de classificação de risco o país é considerado "grau de investimento". Ou seja, o risco de calote é muito baixo. Muitos fundos de investimento estrangeiro direcionam recursos apenas para países que têm esta classificação. Parte deles é mais exigente, aplicando apenas em países que são considerados "grau de investimento" por ao menos duas das três grandes agências.